CENA 01.
Tarde -
ÔNIBUS/INT.
Ária percebe que tem algo de errado com a amiga. Ela então passa a observar o homem que está próximo demais amiga.
ÁRIA —Tem alguma coisa errada ali… aquele homem, ele tá falando alguma coisa para Fer, mas essa cara dela… Eu reconheço! —Aria percebe que a amiga está amedrontada.
Ela se aproxima lentamente dali sem muito alarde para não ser percebida por Maria Fernanda e nem deixar o homem sobreaviso.
—Essa sua roupinha apertadinha… olha isso… —Diz o homem assediando e encostando ainda mais em Maria Fernanda.
Ária já totalmente certa do que está acontecendo pensa numa forma de agir.
ÁRIA —Ei, espera! —Diz revirando a bolsa. Ela retira um spray de pimenta.
O homem olha para Ária e rapidamente ela dispara quase todo o líquido do frasco no olho dele.
Ele põe as mãos nos olhos gritando, querendo atacar Ária.
ÁRIA —Esse homem… Esse homem tentou abusar da minha melhor amiga aqui. Façam alguma coisa! —Esbraveja em alto e bom tom para que todos escutem.
O motorista para o ônibus.
O homem tenta correr, o motorista fecha as porta e os passasseiros se aproximam do homem o deixando sem saída.
ÁRIA —Já chega de homem escroto achar que mulher é qualquer coisa que ele pode ver e pegar e fazer o que quiser onde e quando quiser. Não é assim e todo mundo aqui sabe. Se eu não tivesse aqui ninguém ia perceber? Ou perceberam e fingiram não ver? —Enfrenta.
Um dos passageiros liga para a polícia.
PASSAGEIRO —Eu mesmo não, porque eu mesmo abominando violência eu nem sei o que faria se eu visse uma situação dessa. A minha vontade é pegar esse cara e dar umas porrada nele pra aprender. —Diz se aproximando para agredir o assediador/estuprador.
PASSAGEIRA —E por que ela não avisou? Vai saber se não foi ela que fez alguma coisa e ele interpretou mal e deu nisso?
ÁRIA —A senhora é dessas que acha que assédio, estupro e os múltiplos tipos de abusos são culpa da vítima? Se for mil perdões, mas eu dispenso sua opinião. Uma coisa é aceitar a opinião alheia, outra é tolerar tamanha estupidez como a senhora está falando. E tem mais, a arma que ele usou para silencia-la enquanto assediava ela e fezia a tentativa de estupro está perto dos seus pés. —Fala acabando com qualquer argumento da mulher.
Os homens dentro do ônibus partem para agredir o homem ao entenderem toda a situação.
O motorista sinaliza para uma patrulha policial que imediatamente entra.
ÁRIA —Eu tenho que tirar a Maria Fernanda daqui, ela tá muito nervosa. —Avisa para os motorista e para os policiais que já foram avisados (pela central de denúncia) do ocorrido.
Os policiais recolhem o homem algemado.
Aria se aproxima da amiga, que está sentada alí no chão do ônibus toda acuada, chorando, desesperadamente nervosa.
ÁRIA —Vai ficar tudo bem, eu prometo! —Ela retira a amiga calmamente dali.
CENA 02.
CASA DE ALEXANDRE - TARDE/ INT./ SALA
Alexandre chega em casa e se depara com Laura cuidando de Pulga.
ALEXANDRE —Pulga? —Se surpreende.
LAURA —Ele tá dormindo filho… —Faz sinal de silêncio.
Laura apoia a cabeça de Pulga (Fábio) no sofá e levantasse para falar com Alexandre.
Alexandre vai para cozinha e Laura vai atrás.
ALEXANDRE —O que esse cara tá fazendo aqui mãe? Não vai me dizer que foi ele que você achou na rua, é? Foi dele que você falou ao me ligar?
LAURA —É ele sim. Ele está se curando dos machucados.
ALEXANDRE —Já faz quase seis dias que ele não vai a escola mãe, os pais dele podem te culpar de alguma forma.
LAURA —Esse menino foi encontrado por mim todo ferido, e foi a própria familia dele que fez isso com ele. Que tipo de pais fazem isso com o filho? Eles iam me culpar do quê?
ALEXANDRE —Poderiam dizer que a senhora encubriu ele, ou algo do tipo. Mas quer saber? A senhora fez o certo mãe, não deixou ele ficar na rua.
Pulga escutando tudo entra.
PULGA —Não precisa discutir com a tia não Alexandre, vou pra minha casa agora mesmo.
ALEXANDRE —Tia? Ai meu Deus,pegou intimidade rápido né? Eu só tô preocupado com minha mãe, não estou discutindo com ela não. Fica por aí, descansa e amanhã você vai.
PULGA —É melhor eu ir… —Diz indo para porta.
ALEXANDRE —Fica aí cara. Desculpa, eu só tô meio estressado pelo que aconteceu lá na escola depois do jogo, você não tem culpa.
LAURA —É filho, fica por aí. Amanhã será outro dia e você estará melhor para ir se quiser.
PULGA —Tudo bem.
CENA 03
MANSÃO VIELAS/ INT./ TARDE/ SALA
ÁRIA —Levei a Maria Fernanda pra casa e deixei ela com a mãe dela. Ela (Fernanda) estava um pouco mal, depois do susto ela acabou dormindo. Aquele monstro deve ter traumatizado ela.
BERNARDO —Como pode existir homens assim? Que nojo! —Repudia.
ÁRIA —Você nem imagina o quanto nós mulheres sofremos. Mas vamos parar com esse assunto porque eu já fiquei mal demais ao ver udo que aconteceu hoje. Você tem novidades?
Bernardo pensa, pensa e pensa…
BERNARDO —Ária, você sabia que a lojinha da Dona Laura foi queimada?
ÁRIA —Como é que é? —Assusta-se.
BERNARDO —Você acha que a mãe tem alguma coisa a ver com isso?
Afrodite chega.
Ela se assusta ao ver Bernardo.
AFRODITE —Pelo amor… o que aconteceu com você Bernardo?!
Afrodite se aproxima do filho.
BERNARDO —Um garoto veio correndo, tropeçou e derramou sopa no meu rosto sem querer. Mas eu já fui pra enfermaria, me aplicaram uma pomada e eu vou ficar bem, só preciso usar de vez enquando.
AFRODITE —Foi só isso mesmo Ária? —Diz olhando para a filha.
ÁRIA —Eu não sei mãe, eu não estava lá. Quem viu e ajudou o Bernardo foi a Estephanie, ela levou ele imediatamente, por isso o rosto dele não ficou ainda pior...
Afrodite se aproxima ainda mais de Bernardo.
AFRODITE —Tá bem feio, avermelhado…
BERNARDO —Agora eu só quero subir e descansar.
AFRODITE —Você tem todo o direito e é até melhor para sua recuperação. Mais tarde eu subo para ver como está.
Ária e Bernardo estranham o jeito de Afrodite.
Bernardo sobe as escadas acompanhado de Graça.
Ária fica frente a mãe.
ÁRIA —Olha, eu acabei de descobrir por acaso antes de chegar aqui, que a lojinha de artesanato da Dona Laura foi incendiada. Mãe, você tem alguma coisa a ver com isso?
AFRODITE —É o cúmulo! Como você pode pensar numa coisa dessas em relação a sua mãe? Pelo amor… —Mostra-se indignada.
ÁRIA —Todo mundo sabe que a senhora não gosta da Laura nem do filho dela, além disso, outro dia mesmo você disse que se pudesse faria até o impossível para expulsá-los. Lembra?
AFRODITE —Isso te dar o direito de pensar que eu seria capaz de fazer tamanha maldade que é incendiar algo de alguém, Ária?
Horácio chega e escutando, se indigna.
HORÁCIO —Espera aí, como é que é? Você está acusando sua mãe do incêndio? —Fala perplexo.
Ária fica quieta.
HORÁCIO —Sua mãe pode falar asneiras, ter atitudes exageradas, e até ser muito impulsiva as vezes, mas não seria capaz de fazer tamanho absurdo. Nisso eu confio, você deveria fazer o mesmo. Você está falando da sua mãe minha filha!
Afrodite finge estar chorando.
ÁRIA —Ai, ta, ta… Desculpa mãe. —Fala ainda com um pé atrás.
AFRODITE —Por mim já está esquecido, mas se quiser formalmente minhas desculpas terá que me fazer um favorzinho… —Diz enxugando as falsas lágrimas.
ÁRIA —Um favor? Ai meu deus… —Teme.
AFRODITE —Não se preocupe, não é nada demais. Eu só quero arrumar um jantar especial e que você convide a tal menina que ajudou o Bernardo.
ÁRIA —E por que?
AFRODITE — É hora de tentar mostra a vocês que eu não sou a vilã de novelas mexicanas que vocês pensam. Acho que essa é a melhor forma de começar não acha?
Horácio opina.
HORÁCIO —Eu acho uma atitude muito linda e válida Afrodite.
ÁRIA —Tá né… —Aceita a proposta ainda com um pé atrás e temendo o resultado do jantar.
CENA 04.
Noite -
APARTAMENTO DE PRI E ATENA/ INT./ SALA
Priscila e Julian ensaiam pela última vez antes da apresentação final.
PRISCILA —Você tem que decorar tudo antes da apresentação Julian, pelo amor…
JULIAN —Yo sé, estoy intentando hacer el mejor que puedo. Pero no sé que me pasa. Me siento como se estuviera bloqueado. (TRADUÇÃO: Eu sei, estou tentando fazer o melhor que posso. Mas não sei o que está acontecendo. Me sinto como se estivesse bloqueado).
PRISCILA —Está tudo bem. Vai dar tudo certo, confio em você. —Diz sorrindo demonstrando estar tudo bem.
Priscila nota que Julian continua triste por não conseguir decorar as falas e pega nas mãos dele.
JULIAN —Gracias por todo, de verdad! (TRADUÇÃO: Obrigado por tudo, de verdade!)
PRISCILA —Por nada. E agora, qual a cena?
JULIAN —Aqui dice: “Os dois se aproximam lentamente, dão as mãos e se beijam”.
PRISCILA —Vamos deixar isso pra fazer na hora da apresentação então né... —Diz um pouco sem graça.
Julian confirma desapontado.
CENA 05.
Noite -
CASA DE AMÉLIA/ INT./ SALA DE VISITAS.
Alguém bate na porta.
Amélia abre.
AMÉLIA —Detetive, boa noite.
DETETIVE FERNANDO —Boa noite Amélia. Vim imediatamente para lhe dizer que andei buscando informações e apesar de poucas, elas podem levar ao caminho para descobrir o que houve com seu filho.
AMÉLIA —Me diga, pelo amor de Deus.
DETETIVE FERNANDO —Naquele ano, muitas crianças sumiam. Havia uma forte onde de desaparecimento de bebês, mais conhecido como tráfico de bebês. Mas pela hora que a senhora disse ter dado a luz, logo em seguida foram registradas três crianças no sistema do hospital.
AMÉLIA —Meu Deus… Os três sumiram?
DETETIVE FERNANDO —Desgraçadamente sim. Mas apenas um deles foi levado para fora do país.
AMÉLIA —Para onde?
DETETIVE FERNANDO —Para a Argentina.
FLASHBACK
JULIÁN —Aqui estoy y también los legumes. —Rir. (TRADUÇÃO: aquí estou e também os legumes)
AMÉLIA —Espanhol é uma língua maravilhosa. De que país você é?
JULIAN — Argentina!
ATUALMENTE
AMÉLIA —Meu Deus, eu posso ter esbarrado com meu filho hoje. —Surpreendeu-se.
...Continua…

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