

Motorista: A senhora vai
ficar aqui mesmo?
Bárbara: Não, eu vou voltar
pra casa. Já vi tudo o que eu tinha que ver aqui.
Bárbara
volta pra casa, mas Manoel e Iná planejam começar a ir atrás da filha
desaparecida.
Manoel: Você lembra o nome
do hospital em que ela nasceu?
Iná: Hospital Dona Ângela
Veríssimo.
Manoel: Nossa! Sério?
Iná: Sim, por que?
Manoel: É o mesmo hospital
em que a Bárbara ficou hospitalizada quando foi tirar uma pedra do rim. É de um
amigo de longa data da minha mãe.
Iná: Com certeza tudo o que
aconteceu teve aval deste homem. Se a gente pudesse chegar até ele.
Manoel: Tarde demais. Ele
morreu há três anos. Quem cuida do hospital agora é a filha dele, acho. Não me
lembro de ele ter mais filhos.
Iná: Senhor amado! Será que
todo mundo que a gente precisa enquadrar já morreu?
Manoel: Calma, vamos ao
hospital, relatamos o que a Joana me disse e vamos atrás das pistas que
tivermos.
Iná: Pois é, mas estes eram
mais importantes. Poderíamos chegar facilmente a nossa filha se eles estivessem
vivos.
Manoel: Discordo. Se eles
estivessem vivos com certeza atrapalhariam a nossa investigação, partindo do
suposto que o dono do hospital esteve envolvido com essa pilantragem.
Iná: Vamos fazer o seguinte
então na próxima quinta-feira a gente vai ao hospital e fazemos as perguntas que
queremos. Não pode ser antes porque eu tenho que trabalhar e não posso pedir
afastamento do trabalho pra isso.
Manoel: Tudo bem. Não vou
fazer nada sem você. Bom, já que resolvemos tudo o que tínhamos pra resolver,
eu vou embora. Você quer uma carona até o trabalho?
Iná: Você vai já para o
Centro?
Manoel: Não, antes eu vou
passar em um lugar.
Iná: Então eu vou de
ônibus. Eu te acompanho até o portão. antes tenho que passar na farmácia e
comprar um remédio pra dor de estômago do Vitor.
Bárbara
chega em casa e começa a beber uísque em plena luz do dia e se lembra de ter
visto Manoel se encontrando com Iná. Vai para o seu quarto e arremessa o copo
de bebida contra a parede.
Bárbara: Maldito espanador
ambulante! Voltou pra arruinar a minha vida! Mas ela não vai conseguir! Depois de
tudo o que eu fiz pra manter essa bastarda e a mãe dela longe da minha família!
Bárbara
começa a se lembrar de uma cena do passado.
FLASHBACK (ANO DE 2006)
Odete
extremamente debilitada pelo câncer escreve um bilhete e o deixa para Manoel.
“Filho,
me perdoa. No passado eu soube que a Iná estava grávida de você e fiz de tudo
para afastá-la da nossa família. Ela teve uma filha sua, uma filha que ela
acredita estar morta, mas que na verdade foi adotada por uma boa família. A culpa
foi minha, eu que separei mãe e filha. Eu vi a sua filha, minha neta, algumas vezes e ela é uma moça bonita, alegre, inteligente, fala Inglês,
Francês e Espanhol fluentemente. Eu sei que você não vai me perdoar, mas saiba
que eu me arrependi. A sua filha está...
Bárbara
entra no quarto de Odete para lhe dar os remédios antes da sogra conseguir terminar de escrever o bilhete e se depara com Odete escrevendo.
Bárbara: O que a senhora tem
aí, dona Odete?
Odete: Nada, Bárbara. Poderia
chamar o Manoel?
Bárbara: Se não é nada
deixa-me ver.
Bárbara
toma o papel de Odete.
Odete: Me devolve isso!
Bárbara: O que é isso? Você
está louca? Se esqueceu de tudo o que fizemos pra afastar essa galinha caipira
de nossas vidas? E a bastardinha não morreu mesmo, não é? Bem que eu
desconfiava!
Odete: Bárbara eu lhe
imploro (diz Odete com a voz rouca)
Bárbara: Só porque a
senhora está indo para o inferno está querendo me levar também? Pois olha o que
eu faço com esse papel (Bárbara rasga-o em pedacinhos)
Odete: Sua vagabunda!
Bárbara: Acho que você já
está fazendo hora extra, dona Odete. Vou dar uma ajudinha pro capeta e fazer
você ir mais rápido pro inferno!
Bárbara
começa a sufocar Odete com o travesseiro. Odete tenta se livrar da nora, mas
suas forças são nulas. Dentro de segundos Odete já estava morta.
Bárbara
olha fixamente para o cadáver da sogra e fala.
Bárbara: Descanse em paz,
sogrinha. Que deus a tenha!
Bárbara
arruma o travesseiro, joga o bilhete picado na privada e dá a descarga e chama
o marido.
Bárbara: Manoeeeeel! Corre!
Pelo amor de deus, a dona Odete não está respirando!
FIM DO FLASHBACK
Bárbara: Eu não vim até
aqui pra morrer na praia! Essa Iná e sua bastardinha não perdem por esperar!
Manoel
sai com o carro e vai em direção a zona leste da cidade e chegando ao seu
destino ele senta-se e espera ser atendido. Quando é atendido surpreende a dona
do estabelecimento.
Vera: Manoel? Você
realmente veio?
Manoel: Não prometi?
Promessa é dívida e eu estou aqui pra pagar a minha.
Vera: Terezinha, este é o
Manoel. Foram os papéis dele que eu derrubei aquele dia no Centro.
Manoel: Imagina, eu que
estava andando com pressa e sem prestar atenção.
Terezinha: Olá, Manoel.
Sinta-se a vontade. Hoje a gente tem bisteca e bife de frango na opção de
carne.
Manoel: Pode preparar a
bisteca.
Vera: Bom, eu vou ajudar a
Terezinha lá dentro, mas pode se sentir a vontade. Eu já venho.
Terezinha
e Vera vão para a cozinha enquanto Manoel fica mexendo no celular esperando o
almoço. Terezinha comenta a presença de Manoel com Vera.
Terezinha: Então é esse o
rapaz com quem você conversou no centro? Muito bonito ele.
Vera: Sim, comadre. Mas,
por enquanto é só um amigo, tá?! Do jeito que você fala parece que eu vou casar
amanhã.
Terezinha: E poderia ser,
né? Você já conversou com ele pra ver se ele não é casado.
Vera: Bom, não vi nenhuma
aliança no dedo dele e ele não falou de esposa durante a nossa conversa, mas
posso descobrir agora.
Terezinha: Vai lá conversar
com ele e eu cuido das coisas aqui. Tem gente me auxiliando também.
Vera: Ok. Vou lá.
Vera
sai da cozinha, dá a volta no balcão e senta-se à mesa com Manoel.
Vera: Olha, ela está
montando o seu prato, mas eu já trouxe um refrigerante pra você por conta da
casa.
Manoel: Muito obrigado. Gostei
do lugar, parece bem familiar, caseiro...
Vera: Sim, na verdade eu
moro aqui também. Juntei por alguns anos dinheiro da pensão do meu falecido
marido e com um dinheiro que meu filho mais velho me deu quando começou a
trabalhar eu montei esse restaurante. A gente faz muita marmita pra entrega,
aqui mesmo não fica muita gente.
Manoel: Mas ficou muito bem
feito.
Vera: Obrigada. E o senhor?
Trabalha com o que?
Manoel: Eu trabalho como
advogado, tenho um escritório com mais dois sócios. Prestamos serviços para o
ministério público também.
Vera: Advogado? Que legal,
meu falecido marido queria ser advogado, mas teve que começar a trabalhar cedo,
especialmente depois que o Mateus nasceu.
Manoel: E agora, mora
sozinha?
Vera: Não, tenho mais dois
filhos além do Mateus. A Tatiana e o Tiago. São gêmeos, mas um não tem nada a
ver com o outro. Além disso mora também na casa dos fundos a minha comadre que
o senhor acabou de conhecer, a Terezinha e o filho dela, o Lucas, está
estudando fora do estado.
Manoel: Que bonita esta
união de vocês. Pelo jeito uma ajudou a outra com a criação dos filhos. Posso
te pedir um favor?
Vera: Claro.
Manoel: Não me chama de
senhor. Eu acho que temos a mesma idade.
Vera: Me desculpa, se...
digo, Manoel. É costume mesmo.
Terezinha
interrompe a conversa e entrega o pedido de Manoel que agradece, enquanto Vera
continua a conversa.
Vera: E você? Tem filhos? É
separado ou viúvo?
Manoel
não sabe direito o que falar, fica pasmo enquanto Vera espera uma resposta
dele.
Manoel: Sim. Tenho uma
filha. Quer dizer, duas. Bom, é uma longa história. Qualquer dia desses eu te
conto.
Vera: Bom, não entendi
nada, mas tudo bem.
Manoel: E sim, sou casado.
Enquanto Manoel estava se abrindo aos poucos com Vera, Bárbara já tramava algo pra impedir que Iná e seu marido encontrassem a filha que havia sido trocada no passado.
Bárbara: Eu tenho o endereço dela! Tenho certeza que deixei por aqui... Achei! Sim, naquele condomínio no Novo Mundo. Mas eu vou lá é agora mesmo!
Nesta
hora Vera fica muda e faz uma cara de decepção. Manoel tenta explicar a
situação para Vera.
Manoel: Vou melhorar o que
eu disse: eu sou separado vivendo no mesmo teto que a minha ex.
Vera: Como assim?
Manoel: A gente não tem
mais vida de casado há uns quatro anos.
Vera: Mas no papel vocês
são.
Manoel: Sim.
Vera: Então são casados.
Manoel: Não considero. Por
mim já tinha me separado e saído de casa.
Vera: E por que não faz
isso?
Manoel: Questões
econômicas. Temos alguns bens juntos, ela não abre mão, dificulta tudo. Fora
que ela tem participação na imobiliária que era da minha família. Me arrependi.
Deveria ter vendido enquanto tinha tempo.
Vera: Vocês que tem
dinheiro complicam tudo. Pra mim se não está feliz tem que separar e pronto.
Manoel: Sabe. Eu acho que a
gente complica muito as coisas. Talvez se lá atrás eu tivesse entrado com
pedido de divórcio hoje já estaria livre da Bárbara.
Vera: “Livre da Bárbara”.
Do jeito que você fala parece um fardo.
Manoel: Olha, tem tanta
coisa acontecendo. Mas eu vou te contar aos poucos. Tem coisa que nem eu sei
ainda.
Vera: Bom, não deixe nada
pra muito depois, se não pode não ter mais jeito. Eu vou lá dentro porque tenho
que preparar as marmitas da entrega. Quando terminar eu venho aqui.
Manoel: Tudo bem.
Manoel percebia que Vera tinha se incomodado com a situação.
Neste mesmo tempo Bárbara se deslocou com seu carro até um apartamento “Minha casa, Minha vida”
na região Sul de Curitiba. A dona do apartamento autorizou a entrada e na porta
elas se cumprimentaram com um tom de ironia:
Vânia: Ora, ora! Bárbara
Pierini! Que honra receber o símbolo da elite decadente curitibana diretamente do Batel em minha residência!
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