DESTINO - Capítulo 11: Tal sogra, tal nora.







Motorista: A senhora vai ficar aqui mesmo?

Bárbara: Não, eu vou voltar pra casa. Já vi tudo o que eu tinha que ver aqui.

Bárbara volta pra casa, mas Manoel e Iná planejam começar a ir atrás da filha desaparecida.
Manoel: Você lembra o nome do hospital em que ela nasceu?
Iná: Hospital Dona Ângela Veríssimo.
Manoel: Nossa! Sério?
Iná: Sim, por que?
Manoel: É o mesmo hospital em que a Bárbara ficou hospitalizada quando foi tirar uma pedra do rim. É de um amigo de longa data da minha mãe.
Iná: Com certeza tudo o que aconteceu teve aval deste homem. Se a gente pudesse chegar até ele.
Manoel: Tarde demais. Ele morreu há três anos. Quem cuida do hospital agora é a filha dele, acho. Não me lembro de ele ter mais filhos.
Iná: Senhor amado! Será que todo mundo que a gente precisa enquadrar já morreu?
Manoel: Calma, vamos ao hospital, relatamos o que a Joana me disse e vamos atrás das pistas que tivermos.
Iná: Pois é, mas estes eram mais importantes. Poderíamos chegar facilmente a nossa filha se eles estivessem vivos.
Manoel: Discordo. Se eles estivessem vivos com certeza atrapalhariam a nossa investigação, partindo do suposto que o dono do hospital esteve envolvido com essa pilantragem.
Iná: Vamos fazer o seguinte então na próxima quinta-feira a gente vai ao hospital e fazemos as perguntas que queremos. Não pode ser antes porque eu tenho que trabalhar e não posso pedir afastamento do trabalho pra isso.
Manoel: Tudo bem. Não vou fazer nada sem você. Bom, já que resolvemos tudo o que tínhamos pra resolver, eu vou embora. Você quer uma carona até o trabalho?
Iná: Você vai já para o Centro?
Manoel: Não, antes eu vou passar em um lugar.
Iná: Então eu vou de ônibus. Eu te acompanho até o portão. antes tenho que passar na farmácia e comprar um remédio pra dor de estômago do Vitor.

Bárbara chega em casa e começa a beber uísque em plena luz do dia e se lembra de ter visto Manoel se encontrando com Iná. Vai para o seu quarto e arremessa o copo de bebida contra a parede.
Bárbara: Maldito espanador ambulante! Voltou pra arruinar a minha vida! Mas ela não vai conseguir! Depois de tudo o que eu fiz pra manter essa bastarda e a mãe dela longe da minha família!
Bárbara começa a se lembrar de uma cena do passado.

FLASHBACK (ANO DE 2006)

Odete extremamente debilitada pelo câncer escreve um bilhete e o deixa para Manoel.

“Filho, me perdoa. No passado eu soube que a Iná estava grávida de você e fiz de tudo para afastá-la da nossa família. Ela teve uma filha sua, uma filha que ela acredita estar morta, mas que na verdade foi adotada por uma boa família. A culpa foi minha, eu que separei mãe e filha. Eu vi a sua filha, minha neta, algumas vezes e ela é uma moça bonita, alegre, inteligente, fala Inglês, Francês e Espanhol fluentemente. Eu sei que você não vai me perdoar, mas saiba que eu me arrependi. A sua filha está...

Bárbara entra no quarto de Odete para lhe dar os remédios antes da sogra conseguir terminar de escrever o bilhete e se depara com Odete escrevendo.
Bárbara: O que a senhora tem aí, dona Odete?
Odete: Nada, Bárbara. Poderia chamar o Manoel?
Bárbara: Se não é nada deixa-me ver.
Bárbara toma o papel de Odete.
Odete: Me devolve isso!
Bárbara: O que é isso? Você está louca? Se esqueceu de tudo o que fizemos pra afastar essa galinha caipira de nossas vidas? E a bastardinha não morreu mesmo, não é? Bem que eu desconfiava!
Odete: Bárbara eu lhe imploro (diz Odete com a voz rouca)
Bárbara: Só porque a senhora está indo para o inferno está querendo me levar também? Pois olha o que eu faço com esse papel (Bárbara rasga-o em pedacinhos)
Odete: Sua vagabunda!
Bárbara: Acho que você já está fazendo hora extra, dona Odete. Vou dar uma ajudinha pro capeta e fazer você ir mais rápido pro inferno!
Bárbara começa a sufocar Odete com o travesseiro. Odete tenta se livrar da nora, mas suas forças são nulas. Dentro de segundos Odete já estava morta.
Bárbara olha fixamente para o cadáver da sogra e fala.
Bárbara: Descanse em paz, sogrinha. Que deus a tenha!
Bárbara arruma o travesseiro, joga o bilhete picado na privada e dá a descarga e chama o marido.
Bárbara: Manoeeeeel! Corre! Pelo amor de deus, a dona Odete não está respirando!

FIM DO FLASHBACK

Bárbara: Eu não vim até aqui pra morrer na praia! Essa Iná e sua bastardinha não perdem por esperar!



Manoel sai com o carro e vai em direção a zona leste da cidade e chegando ao seu destino ele senta-se e espera ser atendido. Quando é atendido surpreende a dona do estabelecimento.
Vera: Manoel? Você realmente veio?
Manoel: Não prometi? Promessa é dívida e eu estou aqui pra pagar a minha.
Vera: Terezinha, este é o Manoel. Foram os papéis dele que eu derrubei aquele dia no Centro.
Manoel: Imagina, eu que estava andando com pressa e sem prestar atenção.
Terezinha: Olá, Manoel. Sinta-se a vontade. Hoje a gente tem bisteca e bife de frango na opção de carne.
Manoel: Pode preparar a bisteca.
Vera: Bom, eu vou ajudar a Terezinha lá dentro, mas pode se sentir a vontade. Eu já venho.
Terezinha e Vera vão para a cozinha enquanto Manoel fica mexendo no celular esperando o almoço. Terezinha comenta a presença de Manoel com Vera.
Terezinha: Então é esse o rapaz com quem você conversou no centro? Muito bonito ele.
Vera: Sim, comadre. Mas, por enquanto é só um amigo, tá?! Do jeito que você fala parece que eu vou casar amanhã.
Terezinha: E poderia ser, né? Você já conversou com ele pra ver se ele não é casado.
Vera: Bom, não vi nenhuma aliança no dedo dele e ele não falou de esposa durante a nossa conversa, mas posso descobrir agora.
Terezinha: Vai lá conversar com ele e eu cuido das coisas aqui. Tem gente me auxiliando também.
Vera: Ok. Vou lá.
Vera sai da cozinha, dá a volta no balcão e senta-se à mesa com Manoel.
Vera: Olha, ela está montando o seu prato, mas eu já trouxe um refrigerante pra você por conta da casa.
Manoel: Muito obrigado. Gostei do lugar, parece bem familiar, caseiro...
Vera: Sim, na verdade eu moro aqui também. Juntei por alguns anos dinheiro da pensão do meu falecido marido e com um dinheiro que meu filho mais velho me deu quando começou a trabalhar eu montei esse restaurante. A gente faz muita marmita pra entrega, aqui mesmo não fica muita gente.
Manoel: Mas ficou muito bem feito.
Vera: Obrigada. E o senhor? Trabalha com o que?
Manoel: Eu trabalho como advogado, tenho um escritório com mais dois sócios. Prestamos serviços para o ministério público também.
Vera: Advogado? Que legal, meu falecido marido queria ser advogado, mas teve que começar a trabalhar cedo, especialmente depois que o Mateus nasceu.
Manoel: E agora, mora sozinha?
Vera: Não, tenho mais dois filhos além do Mateus. A Tatiana e o Tiago. São gêmeos, mas um não tem nada a ver com o outro. Além disso mora também na casa dos fundos a minha comadre que o senhor acabou de conhecer, a Terezinha e o filho dela, o Lucas, está estudando fora do estado.
Manoel: Que bonita esta união de vocês. Pelo jeito uma ajudou a outra com a criação dos filhos. Posso te pedir um favor?
Vera: Claro.
Manoel: Não me chama de senhor. Eu acho que temos a mesma idade.
Vera: Me desculpa, se... digo, Manoel. É costume mesmo.
Terezinha interrompe a conversa e entrega o pedido de Manoel que agradece, enquanto Vera continua a conversa.
Vera: E você? Tem filhos? É separado ou viúvo?
Manoel não sabe direito o que falar, fica pasmo enquanto Vera espera uma resposta dele.
Manoel: Sim. Tenho uma filha. Quer dizer, duas. Bom, é uma longa história. Qualquer dia desses eu te conto.
Vera: Bom, não entendi nada, mas tudo bem.
Manoel: E sim, sou casado.

Enquanto Manoel estava se abrindo aos poucos com Vera, Bárbara já tramava algo pra impedir que Iná e seu marido encontrassem a filha que havia sido trocada no passado.
Bárbara: Eu tenho o endereço dela! Tenho certeza que deixei por aqui... Achei! Sim, naquele condomínio no Novo Mundo. Mas eu vou lá é agora mesmo!

Nesta hora Vera fica muda e faz uma cara de decepção. Manoel tenta explicar a situação para Vera.
Manoel: Vou melhorar o que eu disse: eu sou separado vivendo no mesmo teto que a minha ex.
Vera: Como assim?
Manoel: A gente não tem mais vida de casado há uns quatro anos.
Vera: Mas no papel vocês são.
Manoel: Sim.
Vera: Então são casados.
Manoel: Não considero. Por mim já tinha me separado e saído de casa.
Vera: E por que não faz isso?
Manoel: Questões econômicas. Temos alguns bens juntos, ela não abre mão, dificulta tudo. Fora que ela tem participação na imobiliária que era da minha família. Me arrependi. Deveria ter vendido enquanto tinha tempo.
Vera: Vocês que tem dinheiro complicam tudo. Pra mim se não está feliz tem que separar e pronto.
Manoel: Sabe. Eu acho que a gente complica muito as coisas. Talvez se lá atrás eu tivesse entrado com pedido de divórcio hoje já estaria livre da Bárbara.
Vera: “Livre da Bárbara”. Do jeito que você fala parece um fardo.
Manoel: Olha, tem tanta coisa acontecendo. Mas eu vou te contar aos poucos. Tem coisa que nem eu sei ainda.
Vera: Bom, não deixe nada pra muito depois, se não pode não ter mais jeito. Eu vou lá dentro porque tenho que preparar as marmitas da entrega. Quando terminar eu venho aqui.
Manoel: Tudo bem.
Manoel percebia que Vera tinha se incomodado com a situação. 

Neste mesmo tempo Bárbara se deslocou com seu carro até um apartamento “Minha casa, Minha vida” na região Sul de Curitiba. A dona do apartamento autorizou a entrada e na porta elas se cumprimentaram com um tom de ironia:
Vânia: Ora, ora! Bárbara Pierini! Que honra receber o símbolo da elite decadente curitibana diretamente do Batel em minha residência!

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