

Bárbara: Vamos, Manoel!
Quem estava no telefone?
Manoel: Bom dia pra você
também, Bárbara!
Bárbara: Me dá este celular
pra eu ver quem estava falando com você, já que você não me fala.
Manoel: Oi? Tá maluca?
Você não venha mexer nas minhas coisas! Eu estava falando com um cliente que
teve problema numa compra de um apartamento no Água Verde. Se você não me ajuda
a administrar nem a imobiliária e nem me dá paz para eu trabalhar como advogado, ao menos me deixa resolver as coisas sem me estressar!
Bárbara: E pra que
demorar tanto assim a me responder? Uma pergunta tão simples!
Manoel: Com licença que
eu estou de saída.
Bárbara: Vai para o
trabalho ou pra imobiliária?
Manoel: Não te interessa!
Bárbara: Grosso!
Manoel sai batendo a porta.
Bárbara: Seu pai está aprontando
alguma!
Ellen: Será, mãe? Se fosse assim ele
ia procurar realmente esconder e não escancarar como ele fez aqui.
Bárbara: Talvez. Mas, quer saber?
Problema é dele, se souber que ele está me traindo eu uso isso ao meu favor e
pronto. Ele tem bem mais a perder do que eu.
Ellen: Vocês só pensam na repartição
de bens. Enquanto isso estão beirando os 50 anos nessa infelicidade.
Bárbara: Chega, Ellen. Vamos mudar
de assunto. Agora vamos continuar falando daquele roteiro que você fez para
nossa viagem de fim de ano. Acho que não deveríamos passar em Paris e Barcelona,
pois já fomos e a Europa tem tantos lugares bonitos. Já pensou na República
Tcheca ou na Grécia?
Manoel
chega ao restaurante combinado e Iná dispara:
Iná: Depois dizem que
mulher que se atrasa. Meu Deus! Quase meia hora de atraso.
Manoel: Desculpa, mas eu
tive que despachar alguns papéis antes de vir aqui, foi coisa de última hora.
Enfim. Pensou no que te falei.
Iná: Sim.
Manoel: E o que decidiu.
Iná: O óbvio: precisamos
encontrar a nossa filha.
Manoel: Que bom. E os seus
filhos? Como reagiram.
Iná: O Vitor me apoiou e
disse que vai me ajudar, então, não estamos sozinhos nessa. E a Priscila não
gostou muito. Ela sempre foi complicada, mas se não atrapalhar já vai ajudar
muito.
Manoel: E o seu marido?
Iná: Que marido?
Manoel: O pai dos seus
filhos. Você é separada?
Iná: Não, sou viúva mesmo.
Manoel: Desculpa, não
imaginava isso.
Iná: Tudo bem, apenas não
quero falar dele. Gostava muito do Anselmo.
Manoel: Eu entendo e
respeito.
Iná: E a Bárbara? Está
sabendo disso?
Manoel: Não. Nem ela e nem
a minha filha e assim tem que ser. Elas vão mais atrapalhar do que ajudar.
Quando a gente descobrir onde a nossa filha está eu conto.
Iná: Pelo jeito você não
vive um casamento muito bom.
Manoel: Não. E eu também
não quero falar sobre isso.
Iná: Tudo bem.
Vera
cozinhava no seu restaurante quando Tiago adentrou para almoçar.
Tiago: Mãe, tem como eu
almoçar antes? Eu tenho que imprimir meu trabalho de Topografia e acho que vai
ter uma fila enorme lá na PUC.
Vera: Claro, meu filho.
Senta que eu já vou servir.
Tiago: Mãe, me diz uma
coisa.
Vera: Fale.
Tiago: Por que a senhora
faz tanto desgosto do casamento do Mateus com a Lívia?
Vera
fica nervosa com a pergunta, mas responde mesmo assim.
Vera: Por que o seu irmão
se tornou uma pessoa interesseira e eu sei que ele está por ambição com a Lívia.
Ele não a ama.
Tiago: É só isso?
Vera: Claro. O que teria
além disso?
Tiago: É que a senhora não
foi nem no noivado dele. Não chegou a conhecer o sogro dele e só conheceu a
sogra dele quando a Lívia e o Mateus se casaram e ainda assim não quis puxar
muito papo. As vezes dá impressão que tem algo a mais.
Vera: Ai, Tiago. Para de
inventar coisas. Parece até que escreve novela, piá.
Tiago: Bom, é o que eu
perce... espera, meu celular tá tocando. Mensagem do meu grupo. Mãe, suspende
meu prato, tenho que ir já pra faculdade, deu problema no formato do arquivo. Eu
mereço!
Vera: Tem dinheiro pra
comer algo na rua?
Tiago: Tenho. Beijos e até
de noite.
Vera: Beijos.
Terezinha
aparece.
Terezinha: Eu ouvi tudo, comadre.
Vera: Viu meu sufoco, né? Bom,
vamos lá que tem marmita pra levar lá pro pessoal da autoescola.
Enquanto
Manoel e Iná conversavam na mesa ao lado uma discussão começava a passar dos
limites:
Mateus: Eu já te disse que
é tudo temporário, Fernanda! Por favor.
Fernanda: Chega, Mateus.
Você ultrapassou todos os limites e larga o meu braço porque eu não sou objeto.
Mateus: Me escuta.
Fernanda: Me larga, Mateus.
Manoel
se intromete na discussão:
Manoel: Larga o braço da
moça!
Mateus: Não te intromete
que a conversa não é com você.
Manoel: Ou você larga ela
ou eu chamo a polícia.
Mateus: Cuida da sua
senhora que da minha cuido eu.
Manoel: Ela não é MINHA
senhora e eu sou advogado e vou lhe tacar um processo se você começar a me
desrespeitar e machucar a moça, piá!
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