DESTINO - Capítulo 08: Saindo pela tangente








Bárbara: Vamos, Manoel! Quem estava no telefone?
Manoel: Bom dia pra você também, Bárbara!
Bárbara: Me dá este celular pra eu ver quem estava falando com você, já que você não me fala.
Manoel: Oi? Tá maluca? Você não venha mexer nas minhas coisas! Eu estava falando com um cliente que teve problema numa compra de um apartamento no Água Verde. Se você não me ajuda a administrar nem a imobiliária e nem me dá paz para eu trabalhar como advogado, ao menos me deixa resolver as coisas sem me estressar!
Bárbara: E pra que demorar tanto assim a me responder? Uma pergunta tão simples!
Manoel: Com licença que eu estou de saída.
Bárbara: Vai para o trabalho ou pra imobiliária?
Manoel: Não te interessa!
Bárbara: Grosso!
Manoel sai batendo a porta.

Bárbara: Seu pai está aprontando alguma!
Ellen: Será, mãe? Se fosse assim ele ia procurar realmente esconder e não escancarar como ele fez aqui.
Bárbara: Talvez. Mas, quer saber? Problema é dele, se souber que ele está me traindo eu uso isso ao meu favor e pronto. Ele tem bem mais a perder do que eu.
Ellen: Vocês só pensam na repartição de bens. Enquanto isso estão beirando os 50 anos nessa infelicidade.
Bárbara: Chega, Ellen. Vamos mudar de assunto. Agora vamos continuar falando daquele roteiro que você fez para nossa viagem de fim de ano. Acho que não deveríamos passar em Paris e Barcelona, pois já fomos e a Europa tem tantos lugares bonitos. Já pensou na República Tcheca ou na Grécia?

Manoel chega ao restaurante combinado e Iná dispara:
Iná: Depois dizem que mulher que se atrasa. Meu Deus! Quase meia hora de atraso.
Manoel: Desculpa, mas eu tive que despachar alguns papéis antes de vir aqui, foi coisa de última hora. Enfim. Pensou no que te falei.
Iná: Sim.
Manoel: E o que decidiu.
Iná: O óbvio: precisamos encontrar a nossa filha.
Manoel: Que bom. E os seus filhos? Como reagiram.
Iná: O Vitor me apoiou e disse que vai me ajudar, então, não estamos sozinhos nessa. E a Priscila não gostou muito. Ela sempre foi complicada, mas se não atrapalhar já vai ajudar muito.
Manoel: E o seu marido?
Iná: Que marido?
Manoel: O pai dos seus filhos. Você é separada?
Iná: Não, sou viúva mesmo.
Manoel: Desculpa, não imaginava isso.
Iná: Tudo bem, apenas não quero falar dele. Gostava muito do Anselmo.
Manoel: Eu entendo e respeito.
Iná: E a Bárbara? Está sabendo disso?
Manoel: Não. Nem ela e nem a minha filha e assim tem que ser. Elas vão mais atrapalhar do que ajudar. Quando a gente descobrir onde a nossa filha está eu conto.
Iná: Pelo jeito você não vive um casamento muito bom.
Manoel: Não. E eu também não quero falar sobre isso.
Iná: Tudo bem.

Vera cozinhava no seu restaurante quando Tiago adentrou para almoçar.
Tiago: Mãe, tem como eu almoçar antes? Eu tenho que imprimir meu trabalho de Topografia e acho que vai ter uma fila enorme lá na PUC.
Vera: Claro, meu filho. Senta que eu já vou servir.
Tiago: Mãe, me diz uma coisa.
Vera: Fale.
Tiago: Por que a senhora faz tanto desgosto do casamento do Mateus com a Lívia?




Vera fica nervosa com a pergunta, mas responde mesmo assim.
Vera: Por que o seu irmão se tornou uma pessoa interesseira e eu sei que ele está por ambição com a Lívia. Ele não a ama.
Tiago: É só isso?
Vera: Claro. O que teria além disso?
Tiago: É que a senhora não foi nem no noivado dele. Não chegou a conhecer o sogro dele e só conheceu a sogra dele quando a Lívia e o Mateus se casaram e ainda assim não quis puxar muito papo. As vezes dá impressão que tem algo a mais.
Vera: Ai, Tiago. Para de inventar coisas. Parece até que escreve novela, piá.
Tiago: Bom, é o que eu perce... espera, meu celular tá tocando. Mensagem do meu grupo. Mãe, suspende meu prato, tenho que ir já pra faculdade, deu problema no formato do arquivo. Eu mereço!
Vera: Tem dinheiro pra comer algo na rua?
Tiago: Tenho. Beijos e até de noite.
Vera: Beijos.
Terezinha aparece.
Terezinha: Eu ouvi tudo, comadre.
Vera: Viu meu sufoco, né? Bom, vamos lá que tem marmita pra levar lá pro pessoal da autoescola.

Enquanto Manoel e Iná conversavam na mesa ao lado uma discussão começava a passar dos limites:
Mateus: Eu já te disse que é tudo temporário, Fernanda! Por favor.
Fernanda: Chega, Mateus. Você ultrapassou todos os limites e larga o meu braço porque eu não sou objeto.
Mateus: Me escuta.
Fernanda: Me larga, Mateus.
Manoel se intromete na discussão:
Manoel: Larga o braço da moça!
Mateus: Não te intromete que a conversa não é com você.
Manoel: Ou você larga ela ou eu chamo a polícia.
Mateus: Cuida da sua senhora que da minha cuido eu.
Manoel: Ela não é MINHA senhora e eu sou advogado e vou lhe tacar um processo se você começar a me desrespeitar e machucar a moça, piá!

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