Iná: Morta? Não! Ela nasceu bem e chorou muito. Ela
estava ótima.
Odete: Infelizmente, minha querida, ela teve falta
de oxigênio. Ela também tinha nascido com síndrome de down. Foi tanta notícia
ruim em pouco tempo que eu não consegui te acordar antes. Fiquei muito abalada.
Iná começa a chorar desesperadamente,
gritando pela filha. Odete tenta a acalmar:
Iná: Ai, dona Odete! Eu tava tão feliz de ter uma
menina. Pela primeira vez desde que a minha mãe morreu eu teria alguém para
chamar de “minha família”.
Odete: Iná, minha filha, eu sempre estarei com você!
Você sabe que eu sempre lhe considerei como uma filha. Eu me proponho a arcar
com todos os custos do enterro. E por mim você pode voltar a trabalhar lá em
casa.
Iná: A senhora é uma mãe pra mim. Aceitarei a ajuda
com o enterro, mas não voltarei a trabalhar com a senhora, pois será
insuportável ver o Manoel depois de tudo o que passei. Ele está casado com a
Bárbara e eu não quero mais um mal estar na minha vida.
Odete: Você prefere que ele não saiba da criança?
Iná: Agora adiantará alguma coisa ele ficar sabendo?
Eu só ia falar pra ele para esta criança ter seus direitos, mas se ela não
existe mais, o que posso fazer?
Odete deixa Iná no hospital enquanto
volta pra casa em busca de dinheiro para todos os tramites do enterro do bebê.
Ao chegar em casa ela é interpelada por
Vânia:
Vânia: E aí, dona Odete, realizou a troca dos bebês?
Odete: Menina, fala mais baixo, o Manoel pode
escutar.
Vânia: Eles saíram para o shopping, então pode me
contar. Deu certo ou não?
Odete: Não precisei fazer nada, pois a criança
nasceu morta.
Vânia: Morta? Sério?
Odete: Sim! Vim aqui justamente pegar dinheiro pra
ajudar no enterro da criança e depois disso, se tudo der certo, não precisar mais
olhar pra cara daquela coitada!
Odete sai da sala e Vânia, desconfiada,
fala para si mesma:
Vânia: Morreu? Ou a dona Odete tem muita sorte ou
esta história está muito mal contada!
Enquanto Odete comemorava seu plano bem sucedido,
Iná organizava coisas que havia ganhado da megera para doar para uma vizinha
que estava grávida. Ela olha um sapatinho que tinha feito à mão e diz a si
mesma:
Iná: Vou guardar de recordação. Você sempre vai ser
minha filha. Eu te amo! Que Deus a tenha.
Nos dias seguintes enquanto Iná vivia
um luto pela falsa morte de sua filha recém-nascida em outro canto da cidade,
no bairro Fazendinha, um jovem casal com filho pequeno estava na pior discussão de
sua curta vida de casados:
Vera: Marcos, por favor, você vai destruir a sua
vida e a nossa!
Marcos: E o que você quer, Vera? Que eu deixe isso
passar em branco?
Vera: Eu sei que é doloroso pra você, mas por favor
faça isso por mim e pelo Mateus! O doutor Eugênio nunca deixaria isso ficar
barato!
Marcos: Isso é o que vamos ver!
Marcos pega as chaves do carro e vai em
direção ao hospital em que trabalha. Ele entra sem bater na sala de Eugênio.
Sem cerimônias ele vai direto ao ponto:
Marcos: Seu filho da puta, quem você pensa que é?!
Eugênio: Olha lá, rapaz, você está se dirigindo ao
dono deste hospital, seu patrão e não aqueles faveladinhos que vivem com você!
Sem pensar duas vezes Marcos acerta
dois socos no rosto de Eugênio.
Eugênio: Seguranças!
Marcos: Não tem seguranças! Agora é só eu, você e a minha mão.
Ele tranca a porta do escritório e inicia uma sessão de tortura com direito a vários chutes no saco, estomago e costelas de Eugênio.
Eugênio: Seguranças!
Marcos: Não tem seguranças! Agora é só eu, você e a minha mão.
Ele tranca a porta do escritório e inicia uma sessão de tortura com direito a vários chutes no saco, estomago e costelas de Eugênio.
Marcos:
Agora sim você está se parecendo como você é por dentro. Um lixo!
Quando já estava fraco de tanto bater
no patrão, Marcos abre a porta e do lado de fora estavam policiais chamados
pela secretária de Eugênio, além dos seguranças do hospital.
Eugênio:
Levem este animal daqui!
Marcos saiu do hospital direto para a delegacia. Quando se recuperou Eugênio tomou uma decisão drástica:
Eugênio: Alô, Odete. Preciso trocar mais favores com você. Você ainda tem o contato daquele delegado que era amigo do seu falecido marido? Pois então, preciso dele.
Odete: Claro. se meteu em alguma confusão desta vez?
Eugênio: Eu não, mas alguém sim!
Odete: Claro. se meteu em alguma confusão desta vez?
Eugênio: Eu não, mas alguém sim!
No dia seguinte Marcos se envolveu numa briga dentro da cela da delegacia, na qual saiu gravemente ferido e dias depois morreu.
Terezinha: Comadre...o Marcos...
Vera: O que tem o meu marido?
Terezinha: Eu nem sei como...eu...
Vera: Fala, Terezinha! O que aconteceu?
Terezinha: Aconteceu alguma briga dentro da delegacia e o Marcos morreu na briga.
Vera não aguenta e desmaia.
Terezinha: Comadre!
Mateus: Mãe!
Vera recobra os sentidos.
Vera: Foi aquele Eugênio. Aquele capeta em forma de gente, Tere. Eu sei que foi!
Terezinha: Comadre...o Marcos...
Vera: O que tem o meu marido?
Terezinha: Eu nem sei como...eu...
Vera: Fala, Terezinha! O que aconteceu?
Terezinha: Aconteceu alguma briga dentro da delegacia e o Marcos morreu na briga.
Vera não aguenta e desmaia.
Terezinha: Comadre!
Mateus: Mãe!
Vera recobra os sentidos.
Vera: Foi aquele Eugênio. Aquele capeta em forma de gente, Tere. Eu sei que foi!
Ao saber do que tinha ocorrido, Helena interroga Eugênio.
Helena:
O que você fez ao Marcos? Me responde!
Eugênio:
Fica de fora disso. eu não quero mais saber desta história.
Helena:
Você não se cansa de me tratar como uma idiota? Me fala o que está se passando.
Eugênio:
Não me tire do sério, Helena! (diz Eugênio batendo na mesa de canto)
Helena:
Eu não sei como eu ainda posso estar casada com você! Matar um funcionário desta maneira! O que você fez para ele ter te dado aquela surra!
Eugênio: Eu já não te dei uma filha pra você brincar de ser mamãe? Vai cuidar dela e para de me encher o saco!
Eugênio sai do escritório batendo a porta na cara de Helena.
Eugênio: Eu já não te dei uma filha pra você brincar de ser mamãe? Vai cuidar dela e para de me encher o saco!
Eugênio sai do escritório batendo a porta na cara de Helena.
No seu enterro Vera, totalmente
arrasada pela perda do seu marido olhava o caixão e perguntava a sua cunhada
Terezinha (viúva do irmão mais velho de Marcos):
Vera: O que vai ser da minha vida agora, Terezinha?
Eu sozinha com três filhos?
Terezinha: Três? Cunhada, você está delirando, você
só tem o Mateus!
Vera: Eu fiz exame sábado passado. Estou esperando
gêmeos.
Terezinha: Ai meu Deus! Sério?
Vera: Isso só pode ser uma provação na minha vida,
não é possível!
Dias após o enterro, traumatizada, Vera
fugiu de sua casa e deixou Mateus sozinho. Quando Terezinha foi ver como a
amiga estava ela encontrou Mateus chorando em posição fetal num canto da sala:
Terezinha: O que houve, Mateus? Onde está a sua mãe?
Mateus: Ela disse que ia se matar, tia! Ela saiu
correndo. Eu vou perder minha mãe também!
Terezinha: Calma, meu amor, a tia vai trazer sua mãe
de volta. Fica olhando o Lucas pra tia enquanto isso.
Mateus: Tia...
Terezinha: O que foi, meu anjo.
Mateus: Foi tudo culpa daquele Eugênio, não é? Eu
odeio ele. Eu quero matar ele!
Terezinha: Não diga um absurdo desses! Fique aqui
com seu primo. Eu volto logo com a sua mãe.
Perguntando pela vizinhança Terezinha
conseguiu chegar ao local onde Vera estava.
Terezinha consegue encontrar Vera que
estava prestes a se matar atravessando no meio de uma movimentada Avenida.
Terezinha:
Veraaaaaaaaaaaaaa!!!!


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