Cap. 13
CENA 01.
Manhã -
ESCOLA/ INT/ REFEITÓRIO/ INTERVALO
Alexandre vem correndo após escutar um aluno comentando o que aconteceu com Bernardo.
Na cantina, Estephanie briga com Miguel em alto tom.
ESTEPHANIE —Por que você fez isso com ele seu estúpido?
MIGUEL —Conta pra eles o que é que é, conta! —Impõe ele a Bernardo que não consegue responder de dor. —Eu vi você segurando o braço do…
Alexandre chega e interrompe.
ALEXANDRE —Chega! Estephanie, leva ele pra enfermaria. Por favor!
ESTEPHANIE —A enfermaria ainda vai abrir, Alexandre.
Bernardo com o rosto machucado sofre com dor.
Estephanie o senta numa cadeira para tentar acalmá-lo, mesmo que em vão.
ALEXANDRE —Você foi capaz de ter a crueldade de jogar sopa quente numa pessoa que nunca te fez e só porque viu ele segurando um braço de outro cara?
MIGUEL —Ele é uma bicha e pelo visto você também. Tá defendendo né…
Alexandre se controlando para não quebrar a cara de Miguel tenta contornar a situação.
ALEXANDRE —Já que vocês todos estão aí e se fixaram como estátua para ver a confusão, me respondam uma coisa… quantas vezes vocês seguraram o braço de um amigo ou amiga de vocês, ou deram um abraço neles ou comprimentaram com um aperto de mão?
Muitos respondem que várias vezes.
ALEXANDRE —E quantos já se sentiram julgados pelo menos uma vez só com olhares tortos de terceiros? Muitos, não é? —Corcordam. —O problema é que gente má, só vê formas de tentar atingir o outro e espalhar maldade por onde anda. Gente burra é que se deixa envenenar. Aprendam a interpretar gestos simples como ato de afetos inocentes, sem maldade ou como segundas intenções. Sair julgango o outro é coisa de gente suja. É isso, recado dado! —Alexandre sai e a multidão que ali se juntou começa a se desformar em total silêncio.
Miguel se roendo de raiva ao mesmo tempo começa a ser mal visto por alguns alunos.
CENA 02.
Noite -
CASA DE PULGA/ INT./ SALA
Pulga assiste TV deitado no sofá.
Marian chega desligando a tv.
PULGA —Por que você fez isso?
MARIAN —Quando é que você vai tomar jeito garoto? A diretora já ligou hoje de novo dizendo que você faltou.
PULGA —Você nem se importa. Para de ser falsa.
MARIAN —Eu me importo sim. Não diga isso.
PULGA —Você é uma mulher mentirosa.
MARIANA —Tá vendo João?
João, o pai de Pulga, sai de trás da parede onde estava escutando tudo.
PULGA —Pai! —Grita eufórico.
JOÃO —Então é assim que você trata a mulher que tenta ao máximo cuidar de você como uma mãe?
PULGA —Essa mulher é uma falsa, uma mentirosa, sonsa. Nunca chegará aos pés da minha mãe. Nunca!
JOÃO —Cala a boca Lúcio (Pulga)!
PULGA —Não! —Fala alto. —Essa mulher é hipócrita.
JOÃO —Chega! Eu avisei… —Diz dando um tapão em Pulga e em seguida o agredindo sequencialmente.
Muito machucado Pulga corre para seu quarto e se tranca.
Desnorteado ele foge pela janela.
Ele caminha pela rua sem rumo e desmaia de fome enquanto as águas da chuva banhão seu corpo e a cidade.
Horas depois
Laura que havia ido ao supermercado o encontra todo machucado.
CENA 03.
Noite -
MANSÃO VIELAS/ INT./ QUARTO DE BERNARDO.
ÁRIA —Oi Bê. Ainda bem que você acordou.
BERNARDO —O que aconteceu?
ÁRIA —Depois que sua pele ficou muito machucada por causa da alta temperatura da sopa, o Alexandre e a Estephanie te levaram pro hospital. O médico te aplicou um remédio e você acabou dormindo. Mas agora você já tá em casa, só vai precisar se cuidar e passar a pomada nas partes afetadas. Ok?
BERNARDO —Tudo bem. —Ele abre os olhos bem aos poucos por causa da pele estar doendo. —Quem é? Sua amiga Ária? —Pergunta vendo Cristal.
ÁRIA —Não, na verdade conheci ela hoje. Ela que levou você, o Alexandre e a Estephanie no carro dela até o hospital. Ela é tão boa quanto o namorado dela.
BERNARDO —E quem é o seu namorado? —Pergunta para Cristal.
Cristal se aproxima.
CRISTAL —O seu melhor amigo. O Mew!
Bernardo recebe como um tiro a resposta de Cristal.
CENA 04.
CASA DE ALEXANDRE - MANHÃ/ INT./ SALA
LAURA —Olha filho, aqui não tem muita coisa não, mas eu fiz um cházinho e trouxe um biscoitinho que tinha aqui. Coma! —Entrega.
Pulga se comove.
PULGA —Não precisava ter me trazido nada tia. A senhora já impediu que eu ficasse na rua, mesmo sem ter nada a ver comigo…
LAURA —Eu faria a mesma coisa 10 vezes se precisasse de novo filho.
PULGA —Filho… nossa, desenterrou em tia… só minha mãe me chamava assim e já faz tanto tempo que ela… —Chora.
Laura abraça Pulga.
Ele tenta se conter para não expôr fragilidade, mas quando Laura se aproxima com o olhar terno de mãe e começa a conversar com ele como sua mãe fazia, ele chora mais ainda.
PULGA —Eu falei assim pra mim depois que ela se foi:
FLASHBACK
PULGA/ FÁBIO —Grava uma coisa filhão… —Ele fala para si mesmo, se olhando no espelho— ...tu nunca mais vai chorar na frente de ninguém e nem vai sofrer nunca mais como está sofrendo agora. Grava isso caramba!
VOLTANDO
LAURA —Não se cobre tanto filho, você é só um menino… melhor colocar pra fora em lágrimas, do que se matar por dentro calado.
Pulga tenta se fazer de forte.
Laura começa a fazer cafuné nele e ele relembra sua mãe ainda mais se emocionando.
CENA 05.
ESCOLA/ INT./ PÁTIO/ INTERVALO/ MANHÃ
MAURÍCIO —Já faz duas semanas que o Pulga não vem pra escola, eu ia chamar esse arregão para ir ao shopping comigo já que você agora anda sumido…
CHARLES —Ué, mas seus pais não tinham parado de te dar dinheiro porque você estava gastando muito?
MAURÍCIO —Olha, as vezes você parece tão ingênuo.
CHARLES —Ingênuo é o caramba, do que você tá falando?
Marcelo se aproxima e apenas escuta sem ser visto.
MAURÍCIO —Tá vendo esse aqui?! —Ele mostra um relógio. —Eu… peguei.
CHARLES —Você roubou?
MAURÍCIO —Fala baixo Charles. Eu não tinha dinheiro, mas eu queria muito…
Marcelo sai dali surpreendido.
CHARLES —Você já tem demais.
MAURÍCIO —Um a mais nunca é demais.
CHARLES —Eu te subestimo demais, porque olha… —Diz surpreso.
CENA 05.
DIA SEGUINTE/
Meio Dia -
ESCOLA/ INT./ VESTIÁRIO DE JOGADORES
PENÚLTIMO TREINO ANTES DO CAMPEONATO ENTRE ESCOLAS
MARCELO —Troca logo essa roupa Xande.
ALEXANDRE —Já troquei Marcelo, tô vestindo a blusa. Espera aí!
MARCELO —Você foi ver o Bernardo em casa depois do que o Miguel fez?
ALEXANDRE —Só deu tempo de levar ele correndo pro hospital e esperar tudo ficar bem por lá e eu vim correndo pro treino. Vou lá depois.
MARCELO —Entendi.
ALEXANDRE —A propósito, por que você anda tão diferente?
MARCELO —Estou normal.
ALEXANDRE —Não tá não. Por que só usa blusas de manga longa por exemplo?
MARCELO —Isso é meu estilo. Não acredito que você vai implicar com isso também.
ALEXANDRE —Estilo não é. Nós dois sabemos disso.
MARCELO —Esse assunto já deu! —Fala saindo.
Alexandre segura o braço de Marcelo.
MARCELO —Me solta! Já falei que já deu esse assunto. —Diz puxando o braço.
Ao puxar o braço sendo segurado por Alexandre a manga da blusa rasga.
ALEXANDRE —Meu Deus, Marcelo. Você anda se cortando?
...Continuaaaaa…

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