Iná grita e Odete se dirige ao orelhão da rua para chamar uma ambulância.
Iná: Aaaaaaaai!
Odete: Espera, vou chamar uma ambulância.
Iná: Aaaaaaaai!
Odete: Espera, vou chamar uma ambulância.
Iná: Está doendo, dona Odete. Chama logo!
Odete
chama a ambulância que rapidamente chega e ela acompanha a moça ao hospital.
Odete encontra o dono do hospital e um
amigo de longa data com a expressão de preocupado com alguma coisa. Ela resolve
questioná-lo:
Odete: Eugênio? Tudo bem com você?
Eugênio: Olá, Odete. Não, tudo péssimo!
Odete: O que houve meu amigo?
Eugênio: Minha mulher, a Helena, acabou de dar a luz
a uma filha nossa.
Odete: E isso não é bom?
Eugênio: Seria, mas além de ela ter tido
complicações que farão ela nunca mais poder engravidar a criança nasceu com
síndrome de down. Eu me recuso a ter uma filha defeituosa!
Odete: Credo, Eugênio! Você como médico deveria ter
outro pensamento!
Eugênio: Por favor, Odete, somos amigos há décadas,
você sabe que todo mundo fala sobre aceitação, mas ninguém quer ter um filho com
problemas e você pensa exatamente como eu.
Odete: Não estou aqui pra te julgar. Se precisar de
algo, me chame.
Neste momento uma enfermeira aborda
Eugênio e lhe dá uma notícia. Eugênio fica desesperado e Odete ao perceber a
inquietação do amigo volta a falar com ele:
Odete: O que aconteceu agora?
Eugênio: A criança morreu! Ela nasceu com o cordão
enrolado no pescoço e perdeu oxigênio. Estava na incubadora, mas não resistiu.
Agora vai ser pior! A Helena queria muito ter essa filha. Já era a terceira gravidez
dela e dessa vez ela sentia que seria mãe pela primeira vez. Nossa vida vai
virar um inferno. Eu não aguento mais essa história!
Entendendo a situação, Odete com toda a
sua frieza arquiteta um plano de última hora e faz uma proposta a Eugênio.
Odete: A sua esposa nunca pensou em adoção?
Eugênio: Já, mas com essa filha nascendo ela tinha
descartado essa possibilidade. Por que está me perguntando isso?
Odete: Vou lhe contar algo, mas tem que ficar entre
nós! Estou aqui porque a minha ex-empregada está parindo uma filha que é do
Manoel, ou seja, minha neta. Mas, não quero esta criança por perto, ela nunca
fará parte da minha família! Estou perguntando se você está disposto a trocar a
sua filha morta pela bebê linda e saudável da minha empregada. Assim, você
resolve o seu problema e eu resolvo o meu.
Eugênio: Como assim? Você acha que isso é fácil?
Odete: Bom, você é o dono do hospital e eu já
aliciei uma enfermeira para ela trocar a filha da empregada por outra, então,
acho que é fácil sim.
Eugênio: Você ia trocar bebês no meu hospital?
Odete: Para de falso moralismo, você não é puritano
desse jeito. E pela história de nossas famílias no passado acho que você me
deve muito... o que acha? Vai encarar ou não?
Eugênio fica pensante por alguns
segundos. Leva Odete a uma sala reservada e chama a enfermeira Joana, que
trocaria os bebês. Ali eles selam um pacto de nunca revelarem o que fariam
naquela data.
Eugênio:
O que vai acontecer aqui hoje não deve ser falado pra ninguém!
Odete:
Da minha parte sigilo absoluto.
Eugênio:
Entendeu, enfermeira Joana? Caso contrário esqueça aquele advogado que vou
pagar para o seu filhinho metido a traficante sair da cadeia.
Joana:
Não falarei nada, doutor Eugênio.
O bebê morto de Helena e Eugênio é
trocado pela bebê saudável de Iná e Manoel. Eugênio aborda a esposa e lhe conta
o que aconteceu:
Eugênio: Helena, nossa filha não resistiu à falta de
oxigênio e faleceu há pouco.
Helena: Como assim? Minha bebê! Onde ela está?
Eugênio: Amor, se acalme.
Helena: Como me acalmar? Já é a terceira criança que
perco! E agora nem poderei mais ser mãe, pois sei que a gravidez de risco
afetou meu útero.
A enfermeira Joana entra no quarto em
que Helena e Eugênio está e dá uma notícia falsa a pedido de Eugênio e Odete:
Joana: Doutor Eugênio, a mãe da criança do quarto 20
que teve alta há pouco foi embora e não levou a criança.
Eugênio: Como assim?
Joana: Ao que tudo indica ela abandonou a criança.
Quando puxamos a ficha cadastral dela vimos um nome que não bate com o nome que
ela deu na sala. Parece que ela mentiu os dados para não ser reconhecida.
Helena: Que horror, como uma mãe pode fazer isso? (questiona Helena, visivelmente abalada
com a situação)
Eugênio: Eu cuidarei disso. Cadê a criança?
Joana: Está no berçário. É uma menina, Linda,
saudável e quase não chorou. Impossível acreditar que uma mãe ou um pai tenha
abandonado uma criatura tão linda quanto esta.
Eugênio diz a Helena que vai cuidar da
situação e enviar a criança à adoção ou pedir para a mãe ser encontrada pela
polícia. Quando está quase saindo do quarto, Helena fala ao marido:
Helena: Não, Eugênio. Eu quero criar esta menina.
Eugênio: Amor, por favor, você está emocionalmente
abalada.
Helena: Sim, estou, mas isso é um sinal de Deus. Eu
perdi o meu filho hoje e não poderei mais engravidar e esta menina pelo jeito
perdeu a família que não quis nem saber dela. É o Destino que nos uniu.
Eugênio: Helena, não tenho certeza se é a melhor
decisão.
Helena: Eu quero assumir esta criança! Traga-a até o
meu quarto. Eu quero vê-la.
Eugênio e Joana acatam o pedido de
Helena e levam a menina recém-nascida até ela. Ao vê-la Helena fica emocionada
e fala para Eugênio:
Helena: Pode preparar os documentos. Nós adotaremos
esta menina. Ela se chamará Lívia, o nome da minha mãe.
Eugênio: Eu vou preparar um enterro para a nossa
filha natimorta também. Helena, podemos desta vez fazer enterro de caixão lacrado? Não aguento mais o
desgaste emocional desta história.
Helena: Tudo bem, Eugênio. Pode ser assim.
Eugênio sai do quarto de Helena e encontra
Odete no corredor:
Odete: E aí, o que a Helena disse?
Eugênio: Como esperado, ela se emocionou e adotou a
criança. Teu plano deu certo. Parabéns, Odete.
Odete: Como eu previa, a Helena se emociona
facilmente, você deveria saber disso. Bom, agora é a minha vez de entrar em
ação, vou lá no quarto onde a empregadinha está e avisar que a filha dela
nasceu morta.
Odete: Você é diabólica, Odete!
Eugênio: E você não fica atrás, Eugênio.
Odete entra no quarto de Iná. A moça
acorda e pergunta pela filha:
Iná: Dona Odete, a senhora pode pedir pra enfermeira
trazer a minha filha? Gostaria de vê-la.
Odete: Infelizmente não será possível, minha filha. (diz Odete, simulando um choro)
Iná: Como assim? Por que?
Odete: A sua filha morreu logo após o nascimento,
Iná.


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