Mulher de Verdade - S01XE09: "Os Inocentes - Parte 1"



Mulher de Verdade


Os Inocentes                       Episódio 9: Parte I
Tudo se inicia com flashbacks.
Cena 1/Quarto suíte/Motel/Int./Noite
Natanael e Dara se esfregam na cama, se beijando, em uma noite de amor que prometeria se tornar um pesadelo.
Natanael passa a mão por todo o corpo de Dara; os dois se beijam com adrenalina, de perder-se o fôlego.
Dara: Sabe que cada vez mais eu me envolvo com você?
Natanael: O nosso caso se tornou muito mais do que noites de aluguel entre um velho rico e uma prostituta!
Dara (Arrastando os lábios pelo corpo de Natanael, beijando-o até chegar à boca): Ah é? Então agora nós somos o quê?
Natanael: Amantes. Mais do que amantes. Agora você é minha.
Dara (Coloca o dedo na boca dele, tapando-a, silêncio): Mas nós ainda continuamos amantes!... Escondido tudo é mais gostoso!
Ela se levanta nua, e vai até o banheiro. Natanael se mantém na cama, deitado.
Dara (No banheiro, se olhando no espelho, mexe no cabelo): E hoje, quanto o meu cliente favorito vai querer cobrar?
Natanael (Ri): Bobagem. (pega um cigarro no criado mudo ao lado, acende-o) Aqui a única coisa que você tem que fazer é satisfazer esse homem cheio de prazer. O resto depois a gente vê o que faz.
Dara: Sabe que eu nem cobraria de você? Nunca mais!... Só com uma condição.
Natanael: E que condição seria essa?
Dara: Ser sua mulher. Satisfazer todas as suas vontades quando e na hora que quisesse.
Natanael: Ora, mas está se contradizendo!... Você não precisa disso. Eu posso lhe dar tudo o que quer assim como estamos.
Dara: E sua mulher?
Natanael: Minha mulher já não me tem mais valor.
Dara (Pega um robe pendurado, volta até a cama): Então eu dou o valor que você merece! Tudo e mais um pouco! (Sobe em cima de Natanael, seduz o homem; tira o robe e vai passando levemente as mãos sobre o peito do milionário) Mas já que falamos de valor, você poderia me valorizar um pouco mais, né?
Natanael (Ri): O que quer dizer com isso? Na cama eu só sei tratar mulheres como cadelinhas (Debocha).
Dara (Veste o robe. Novamente se levanta e vai para o banheiro): Eu não falo desse tipo de valor.
Natanael: Onde você está querendo chegar, minha cadelinha? ...Dinheiro?... É isso?
Dara (Silenciosamente, levanta a pia que está solta; há uma faca lá dentro; ela pega o objeto e coloca em um dos bolsos do robe; volta para a cama): É sim, dinheiro. (Seduzindo o homem).
Natanael: Ora, mas eu lhe dou joias, roupas, tudo o que você pede... Afinal, que tipo de assunto está sendo este?
Dara: Bem, mulheres ambiciosas querem mais, sempre mais. Principalmente de homens ricos e idiotas, como você.
Natanael (Surpreso): Mas o que é isso? Está louca?
Dara (Novamente sobe em cima de Natanael): Sabe que muitas vezes nós não conhecemos quem está ao nosso lado? Mesmo por tanto tempo!
Natanael: Mas que conversa é essa? Onde você está querendo chegar?
Dara (Ignora, continua): Veja sua mulher. Que durante todo esse tempo, nunca conseguiu descobrir o verdadeiro marido, o homem que deixa sua família pra vir transar com uma prostituta qualquer. E que se envolve com essa prostituta muito mais do que com a própria esposa. E foi idiota durante esse tempo todo! Você é tão podre quanto eu! Ah, já deve ter aprontado tanto nessa vida, mas nunca se sujeitou a pensar de que o perigo estava transando com você todas as vezes que você o procurava!
Natanael (Se altera): Perigo? Eu não estou te entendendo. Mas o que é isso?
Dara: Mas é claro! O perigo transou com você todas às vezes!... Você veio até ele! Te roubando, tirando o seu dinheiro, e principalmente alimentando o que você sempre foi pra mim: Um verdadeiro imbecil!(Gargalha).
Natanael vira impulsivamente um tapa na cara de Dara.
O tapa arde no rosto da mulher, que continua a gargalhar.
Dara: Talvez você não me perdoe pelo que vou fazer, mas sabe que nós temos o mesmo valor? Você é um canalha estúpido, e eu uma vagabunda ordinária... Idiota!... Eu sou o perigo, seu estúpido! Que transou com você enquanto esse tempo todo arranquei tudo o que eu precisei! E agora, estamos aqui! Já é tarde, né? Não adianta mais!(Tira a faca do bolso).
Imediatamente Natanael se apavora e tenta sair de onde está.
Dara (Levanta a faca para fincar no peito de Natanael, olhar extremamente psicopata): Você se trouxe aqui! E eu, agora apenas te arrasto até o inferno! (Enfia a faca no peito do homem. Gargalha, psicopata, esfaqueando o corpo do homem, que geme de dores enquanto morre lentamente a cada fincada que leva): Me espere, Dr. Natanael, um dia nós nos encontraremos no inferno para o nosso acerto de contas (Da a sua última facada, tira o objeto do peito do homem, ensanguentado. Volta a gargalhar).
Corta para: Cena 2/Rodovia/Ext./Dia
O carro de Dara está cercado de viaturas.
Ela ainda dentro do carro desce friamente do veículo. Policiais vêm em sua direção.
Policial: Dandara Leão?
Dara apenas faz sinal com a cabeça.
Policial: A senhora está presa por tentativa de latrocínio, uso de falsa identidade e roubo de automóvel para fuga contra a polícia... (Segurando as algemas) As mãos da senhora, por favor!
Dara engole a seco, nervosa; estende as mãos; é algemada e conduzida em direção à viatura.
O veículo policial então parte.
Corta para: Cena 3/Penitenciária/Int./Dia
Dara entrega seus objetos de bem, coloca o uniforme da penitenciária. Faz sua ficha criminal.
Corta para:
Ela é levada à sua cela e lá e despejada.
Dara (Em meio a outras mulheres, elas observam a novata, que procura um lugar no chão e senta-se; pensativa): Quarenta e um anos de prisão!
Um ano depois, Curitiba, 2018.
Corta para: Cena 4/Penitenciária/Visitação/Int./Dia
Dara entra na sala, a policial fecha a porta, espera do lado de fora.
Está à companhia de Enrique.
Dara: E aí, quando é que eu vou sair logo desse lugar? Eu não aguento esperar mais um minuto aqui dentro!
Enrique: Você sabe que não é assim!... Mas sabe também que vai sair!... Eu venho trazer notícias!
Dara: Que notícias?
Enrique: Eu estou conseguindo armar seu plano de fuga! Há uma policial que aceitou o acordo, ela vai ficar responsável de organizar o plano aqui dentro pra você sair. Dentro do presídio eu não posso mais que isso, somente lá fora.
Dara (Dá um sorriso de canto, comemorando a pré-vitória): Ótimo!... E pra quando isso?
Enrique: Breve, muito breve. A quantia que ela recebeu é alta. O nome dela é Jacira, ela vai buscar você pra varrer a rua e explicar tudo!
Dara: Ótimo! Nós vamos nos falando, Enrique! Em breve a gente some daqui de uma vez por todas! (Ri)... Esse gostinho ninguém vai tirar de mim!
Corta para: Cena 5/Penitenciária/Cela/Int./Dia
Dara é novamente devolvida à cela.
Dara (Uma das presidiárias está fumando): Aí, não tem um cigarro pra mim, não?
A presidiária tira um cigarro do bolso e joga para Dara. O isqueiro também.
Ela acende o cigarro e dá um trago.
Duas policiais vêm à cela.
Jacira: Hora do banho de sol! (A cela é aberta e as presas vão se levantando e saindo).
Jacira (Dara vai saindo, quando é pega pelo braço e tirada das outras): Sou Jacira, muito prazer. Hoje é o teu dia de ir varrer a parte externa da penitenciária.
Dara (Pega o sentido da ordem): Ótimo!
Corta para: Cena 6/Penitenciária/Part. Ext./Dia
Dara varre a calçada da penitenciária, sob o comando de Jacira.
Jacira: Então é a dona aí que quer fugir?
Dara: Tudo o que eu mais quero é fugir desse inferno! E aí, como é que vai ser?
Jacira: Tem outra aí querendo fugir também. Vocês fogem juntas, porque se desconfiarem pro nosso lado aí o negócio não tem jeito.
Dara: E pra quando isso?
Jacira: Opa, a dona tá com pressa!
Dara: Eu não paguei uma propina absurda pra ter que esperar pra fugir desse lugar!
Jacira: Calma dona, relaxa! Tu acha que essa dinheirama ai é só pra mim? Não é só pra mim não. Eu não consigo fazer tudo sozinha, madame! Vou ter que comprar um monte de gente aí pra organizar a fuga da senhora aí.
Dara: Desenrola aí, então! Como é que vai ser?
Jacira: O momento vai ser o banho de sol!... Amanhã! O resto pode deixar que a gente resolve depois! Presta atenção nos sinais que tu vai receber! Tu vai descer pelo esgoto, e chegar numa matinha. Do resto, aí já é com a patroa. E tu fica esperta, porque a gente vai desligar umas câmeras aí pra desenrolar pra vocês, mas o sistema não pode demorar mais que cinco minutos desligado, ou o negócio ferve pra gente! É agilidade no serviço!
Dara: E quem é a peça com quem eu vou fugir?
Jacira: O nome dela é Alexia. Ela sabe quem tu é... Agora bora! Vamos!
Dara junta o lixo, coloca na lixeira, pega as coisas e volta à penitenciária.
Corta para: Cena 7/Mansão de Constance/Escritório de Bruno/Int./Dia
Bruno (Está sentado à mesa, com Enrique. Os dois tomam um copo de uísque): Então o negócio é a Dara sair amanhã?
Enrique: Exato! O local onde elas vão ficar tá em ordem?
Bruno: Claro, eu já providenciei o espaço na fazenda. Acredito que seja um local seguro pra fuga delas.
Enrique: Bom, então ótimo! (Pega a maleta na cadeira ao lado e coloca na mesa) Aqui está. (Ela está cheia de dinheiro).
Bruno (Sorri de canto de boca): Ótimo. Conforme o andamento das coisas eu vou recebendo o resto!... É Dara, os amigos são pra isso! (Ri, toma outro gole do uísque).
Enrique (Vai se levantando): Bom, então vou indo, Bruno. Ótimo falar com você, meu caro!
Bruno: Claro!... Qualquer coisa eu estou à disposição! Qualquer negócio é bem feito! (Sorri).
Os dois apertam as mãos e Enrique vai saindo. Bruno acompanha-o até a porta.
Enrique sai. Ao seu encontro, Constance vem descendo as escadas, toda arrumada.
Constance: Enrique, querido! Como vai?
Enrique: Ótimo!... Até!
(Sai da casa).
Constance (Olha sem entender): O que ele estava fazendo aqui? Fazia tempos que não o via.
Bruno: Nada!... Apenas resolvendo algumas pendências.
Constance: Hum... Bruno querido, estou de saída.
Bruno: E você, aonde vai?
Constance: Resolver algumas pendências! (Ri).
Constance sai.
Corta para: Cena 8/Carro de Constance/Avenida/Int./Dia
Constance vai dirigindo seu carro, até chegar num prédio. Ela entra no estacionamento do edifício.
Corta para: Cena 9/Estacionamento/Ext./Dia
Constance manobra e estaciona o carro.
Pega sua bolsa e sai do veículo.
Corta para: Cena 10/Edifício Alabama/Corredor/Int./Dia
Constance toca a campainha.
Secretária (Atende): Pois não?
Constance: Constance D’Ávila, querida.
A porta é aberta.
O ambiente é um grande local para jogos. Um cassino clandestino.
Há várias pessoas no espaço. Jogos de pôquer, roletas, bares, etc.
Um croupier vem ao encontro de Constance.
Croupier: Bom dia, Dona Constance. Os colegas de jogo da senhora já chegaram.
Constance (Vai dando a bolsa para o rapaz): Ótimo! Qual a minha mesa, hoje?
Corta para:
Constance já está acomodada à mesa, com os outros jogadores, que começam o jogo.
(Nessa hora entram vários cortes de diversos momentos do período em que Constance joga).
Corta:
Após várias rodadas, Constance termina. Ela pega o último maço de dinheiro com um homem, que coloca na bolsa.
Constance: Foi ótimo jogar com vocês hoje! Até a próxima! Uma boa noite.
Ela vai saindo.
Vista panorâmica da cidade de Curitiba, noite.
Cena 11/Avenida/Carro de Constance/Int./Noite
Constance está no trânsito. Indica entrada do veículo a um motel.
Corta: Estacionamento.
Ela manobra o carro, estaciona.
Constance (Pega sua bolsa e abre-a; está cheia de dinheiro): Minhas filinhas. Esse cheiro único de Money é maravilhoso! (Ri). Fiquem aqui no carro! (Tira um maço) Hoje a mamãe só vai precisar de uma!
Constance (Fecha a bolsa e coloca no banco traseiro; pega o celular; faz uma ligação): Enrico?... Já estou subindo! Me aguarde! (Desliga).
Corta: Cena 12/Suíte/Motel/Int./Noite
Constance abre a porta do quarto. Entra.
Enrico (michê) está na porta do banheiro, apenas de cueca.
Constance (tranca a porta; vai para a cama): Veio mais cedo hoje!... Já estava louca de saudades!
Enrico vai em direção à Constance. Ela tira os sapatos e joga no chão.
Enrico sobe em cima dela. Constance passa a mão no peitoral do rapaz, que começa a beijar o pescoço dela.
Constance vai tirando suas roupas enquanto o michê beija todo o seu corpo.
Ela coloca-o contra a cama. E sobe em cima dele. Continuam a beijar-se e começam o sexo.
Vista da cidade de Curitiba, dia.
Cena 13/Penitenciária/Cela/Int./Dia
Dara anda de um lado para o outro, nervosa.
Presa: Que a dona tá fazendo ai, andando de um lado pro outro? Até parece que é dia da madame ser solta e tá esperando virem chamar (ri).
Dara (Olha pra ela): “Solta”. (Da uma leve risada de canto de boca).
As policiais vêm à cela.
Jacira: Banho de sol! Bora!
As presas se levantam. A cela é liberada, elas vão. Dara espera sair por último.
Jacira (Cochicha, discreta): E aí, preparada?
Dara (Nervosa, olhando para os lados): Tô.
Jacira (Discreta, elas vão caminhando): Escuta, sem vacilo. Lembra de que tu não pode demorar muito, a gente não pode deixar as câmeras desligadas por muito tempo.
Dara: Tá certo.
Jacira: Presta atenção nos sinais!
Corta para: pátio
Dara ainda parece nervosa, olhando para todos os lados, atenta. Encosta no muro.
Dara (Há uma presidiária fumando perto dela): Aí, tem um cigarro pra mim?
A presa dá um cigarro e o isqueiro. Acende. Devolve o objeto. Continua encostada na parede. Discreta e observadora.
Uma mulher vem à sua direção.
Alexia: Dara?
Dara: Presente.
Alexia (Encosta no muro, ao lado de Dara): Prazer, Alexia... Tem um cigarro pra mim?
Dara olha para ela, tira o cigarro da boca, expira a fumaça e dá para Alexia.
Alexia: Ótimo! (Coloca na boca; traga) Fica esperta. Me segue.
Dara (Dá uma leve risada debochada): Eu já fiz coisa muito pior do que sair da cadeia.
Alexia (Apenas observa Dara): Quer? (Oferece um trago do cigarro).
Dara (Pega o objeto, traga e devolve): E pra onde que tu vai depois que sair daqui?
Alexia: Pro mesmo lugar que você! Pelo menos por enquanto!... Somos cúmplices, lembra?
Dara: Ninguém me falou que você ia me seguir.
Alexia: Não precisava. Eu já sabia de tudo.
Do outro lado do pátio, observando as presidiárias, Jacira faz um sinal para outra policial, do outro lado. Depois olha para Alexia, que já capta a mensagem.
A policial faz um sinal para uma presidiária sentada em um canto isolado do pátio, que está fumando.
A presa se levanta e vai até outra, essa, no centro do pátio. Ela de repente vira o corpo da mulher violentamente e lhe da um soco.
A mulher vira o rosto pela punhalada e revida. A partir de então elas começam a brigar violentamente, surge um enorme tumulto em volta da briga. Todas as presas vão para lá, botam lenha na fogueira.
Jacira faz um sinal para Alexia.
Alexia (Já correndo): Bora!
Dara vai atrás.
Corta rapidamente: Sala de monitoramento.
Todas as câmeras são desligadas.
Volta para a fuga.
Jacira, Alexia e Dara correm até outra parte externa do presídio.
Outra policial abre um portão, elas entram. O portão é fechado.
As quatro andam mais um pouco até chegarem a uma tubulação de esgoto.
Há outra policial lá. As tubulações estão destampadas.
Jacira: Tu sai por aí. Tu vira à esquerda e continua. Tu têm que saber chegar até o lugar onde o esgoto vai... Toma! (Ela dá uma lanterna à Dara e uma barra de ferro)... Vão, vão, vão!
Alexia é a primeira a descer. Ela vai ajeitando o corpo dentro do buraco e pula. Em seguida é Dara, que pula e logo em seguida a tampa do esgoto é fechada.
Dara (Dá a lanterna para Alexia): Toma!
Alexia (Pega o objeto, acende-o): Bora, bora!
As duas saem correndo.
Corta para:
Elas continuam correndo entre as tubulações. Em meio à água suja e outros resíduos. As duas estão imundas, suando.
Alexia (Tira um pequeno celular do bolso da calça; faz uma ligação; apressada): Anda!... Atende, merda! (É atendido) Alô, Alzira? Tu já tá aí?... Tá bom (Desliga): Bora! (Continuam a correr).
Dara: Alzira?... Mas e o Enrique?
Alexia da uma risada de canto e continua a correr.
Corta:
Alexia e Dara estão correndo, cansadas.
Elas finalmente chegam até onde cai o esgoto, em um córrego.
Há uma grade nas tubulações de concreto.
Alexia (Coloca a mão no objeto para análise; está quebrado; um tanto solto): Dá a barra!
Dara entrega o objeto.
Alexia tenta tirar a grade com a barra de ferro. Dara ajuda puxando com as mãos.
A grade sai. Alexia joga a barra de ferro e as duas escapam.
Elas pulam no córrego por onde desce toda a água e sujeira de esgoto até chegarem às margens. Continuam a correr pela pequena mata.
Alzira está encostada em uma árvore, fumando.
As duas chegam até ela.
Alexia (sem fôlego): Alzira!
Alzira (Abraça Alexia): Bora, bora!
As três saem correndo.
Corta:
Elas chegam ao carro; está em uma estrada de terra.
Alzira (Abre o porta-malas): Vamo, entra, entra! (Apressada)
Alexia e Dara montam no porta-malas do veículo; é fechado.
Alzira liga o carro e sai.
Cena 14/Delegacia/Int./Dia
Fausto (Dá uma punhalada na mesa): Merda! Eu não acredito nisso!... Como aconteceu?
Guerra: Ninguém sabe ainda, delegado. As policiais do presídio já começaram as buscas pelas mulheres.
Fausto: E nós também! Vamos à procura delas! Investiguem tudo!... Já!
Guerra: Sim senhor! (Sai da sala)
Corta para:
Viaturas saem em busca das foragidas.
Cena 15/Estrada de terra/Carro/Porta-malas/Int./Dia
Alzira manobra o carro, estaciona.
O porta malas é aberto; Alexia e Dara saem.
Enrique já está no local.
Dara: Finalmente me livrei daquele inferno!
Enrique: O Bruno disse pra vocês ficarem nesse galpão. A Alzira tem uns disfarces aí com ela pra vocês! Tem perucas, lentes e máscaras de silicone! A polícia já está em busca de vocês! É importante que vocês se disfarcem o mais perfeito possível!... Não chamem a atenção na fazenda e evitem sair daqui!
Dara: Eu preciso tomar um banho e tirar essa roupa!
Enrique: Essas roupas serão queimadas!... Nós precisamos ter os mínimos cuidados pra que não se levante nenhuma suspeita!
Dara: E eu vou ter que ficar escondida por quanto tempo?
Enrique: Primeiro a poeira tem que baixar! A polícia tem que sair do pé de vocês.  
Dara: Merda!
Enrique: Dara, a gente precisa conversar em particular.
Corta:
Os dois andam pela fazenda enquanto conversam.
Dara: E aí, o que é?
Enrique: A gente precisa resolver algumas contas, em um lugar reservado.
Dara: Contas... Sei bem quais são!... Me diz logo o que é!
Enrique: Você sabe que eu não trabalho de graça, você sabe que parte do seu dinheiro está comigo.
Dara (Ri): Mas essa conversa é ridícula, Enrique!... Você não precisa me cobrar de nada. Você tem tanto controle do meu dinheiro quanto eu!
Enrique: E a tua parte do dinheiro que está com o Bruno?
Dara: Eu não posso mexer naquele dinheiro. É dele... Eu vou ter um alto custo por essa fuga toda... Eu vou te pagar!... Não me cobre!
Enrique: Nós podemos tratar disso na minha casa! A gente volta pra cidade juntos.
Dara: Não!... Não, eu ainda preciso tratar algumas coisas com o Bruno!... Vá embora você e depois eu vou até a cidade com ele.
Enrique (Se aproxima de Dara, dando em cima): Ótimo! Nesse caso eu te espero em casa! (Aproxima sua boca no pescoço da mulher) A gente vai ter muita coisa pra conversar!
Dara (Passa a mão no peitoral do homem, ri): Nesse caso, então me espere à noite. (Aproxima sua boca à de Enrique) A gente vai conversar de tudo que você quiser.
Lentamente os dois começam a se beijar.
Dara: Não, Enrique!... Aqui não!... Eu estou imunda, preciso tomar um banho.
Enrique: Bom, eu também já vou!... Te espero em casa.
Ele sai.
Dara (Fica imóvel, pensativa): Enrique, Enrique... Já entendi qual é a sua! (Ri).
Corta para: Cena 16/Fazenda/Galpão/Int./Tarde
Alexia e Alzira estão sentadas, fumando.
Dara (Vai chegando): Aí, será que eu posso fazer uma ligação com teu celular?
Alexia pega o aparelho do bolso, joga para Dara.
Dara (Disca o número de Bruno, espera): Alô, Bruno?... Dara falando.
Bruno: Dara?... Tá precisando de algo?... E aí, deu tudo certo?
Dara: Bruno eu preciso que você me arrume dinheiro, você precisa vir pra cá hoje.
Bruno: Hoje?... Mas hoje eu não posso.
Dara: Bruno é dessa forma que você vai me ajudar!
Bruno (Suspira): Tá certo. Eu chego aí pela noite.
Dara: Ótimo.
Corta: Banheiro/Galpão
Dara está nua, tomando banho em uma das duchas.
Alexia (Entra no banheiro, nua. Vai para a outra ducha): Que tu queria no telefone?
Dara: Eu só preciso resolver umas coisas.
Alexia (Ri): Problemas?
Dara: Problemas?... Não, só alguns acertos.
Alexia: Quer um conselho?... Abre o olho!
Dara: Abrir o olho?
Alexia: Abre o olho em quem você confia. Tem muita gente mais interessada na tua grana do que em te ajudar.
Dara (Fica pensativa): Por que você tá me dizendo isso?... Tá sabendo de alguma coisa?
Alexia (Ri): Eu já acreditei em muita gente que na verdade só quis passar a perna em mim.
Dara (Se mantém pensativa por alguns instantes): Você vai me ajudar.
Alexia: Ajuda?
Dara: Tô indo pra casa do Enrique.
Alexia abre um pequeno sorriso enigmático.
Corta:
Alexia e Dara saem enroladas na toalha.
Alzira: Aí, eu tô indo. Qualquer coisa, só chamar aí.
Alexia (Abraça Alzira): Valeu! Valeu mais uma vez pela força!
Dara (Também abraça Alzira): Obrigada pela força aí! Tudo de bom pra ti!
Alzira: Pra tu também, colega! (Ela sai).
Corta:
Alexia e Dara terminam de colocar seus disfarces.
As roupas, máscaras e perucas não reconhecem suas verdadeiras identidades.
Cena 17/Mansão de Constance/Suíte/Int./Noite
Constance está esparramada em sua banheira, coberta por espumas e algumas pétalas de rosas.
Constance (Seu celular é notificado; pega o objeto; lê): “Romero- já estou chegando”.
Ela se levanta da banheira, nua, pega sua toalha.
Corta:
Constance está de lingerie, quente, erótica.
Há pétalas de rosas espalhadas pela cama. Um champanhe ao lado.
Ela termina de se arrumar. Passa o batom, meche no cabelo. Perfuma-se; pega as taças e coloca a bebida.
Alguém bate na porta do quarto; pega sua taça, toma um gole. Vai abrir; é Romero.
Romero (Surpreende-se, já seduzido): Uau!
Constance (Beija-o): Sentiu minha falta?
Ela vira-se, voltando para o interior do cômodo.
Romero (Bate levemente na bunda da mulher, puxa-a para seus braços, ‘chamega’ o pescoço de Constance): Eu não via a hora de ter ver de novo... Que mulher é essa, meu Deus?
Constance (Vira-se, se entregando aos braços do homem, passa a mão em seu peitoral, o seduz): Nós temos tantas coisas pra tratar, Romero.
Romero: E que tipo de coisas são essas?... Você demorou pra voltar a me procurar. Por quê?
Constance: Senti saudades. Do seu calor, do seu corpo, das tuas mãos se esfregando em mim. Da tua voz, do seu sexo!(Vai até à cama, estende-se, seduzindo o homem)... Essa é a primeira coisa pra tratarmos! (Toma mais um gole do champanhe, coloca-o ao lado).
Romero (Começa a tirar sua camisa e sua calça, sobe em cima da mulher, beijando-a): Não volte a fazer mais isso.
Constance (Vai alisando as mãos pelo corpo do homem, já excitada): Sem mais uma palavra!  
Cena 18/Fazenda/Galpão/Int./Noite
Bruno abre os portões do galpão, entra.
Dara (Vem em direção a ele, disfarçada): Bruno? (Abraça-o).
Alexia vem em seguida.
Dara: Consegui!... Consegui sair daquele inferno!... Obrigada, Bruno! Obrigada!
Bruno: Alexia? (Aperta as mãos da mulher) Olá, como vai?... Não agradeça ainda. As buscas já começaram, está sendo noticiada a fuga, a polícia vai ir atrás de vocês!... Isso é só o começo.
Dara: Eu espero o tempo que for necessário pra poder fugir desse lugar e nunca mais pisar aqui de novo!
Bruno: Dara, foi bom que você tenha me chamado, eu estive resolvendo com o Enrique a fuga, e nós vamos providenciar um documento falso de identidade pra vocês!... A fazenda aqui é afastada e longe o suficiente da cidade, então aqui é um bom lugar.
Dara: Bruno, eu te chamei aqui principalmente por uma coisa!... Dinheiro!... Nós já ficamos acertados, aquela parte que eu deixei com você, é sua. Mas eu preciso de grana, mais grana! Eu não consegui deixar muito quando fui presa, e é muito dinheiro envolvido nessa fuga. Eu preciso de grana!... E você vai me ajudar!
Bruno: Não seja previsível, Dara. Não teria outra coisa pra você me dizer se não fosse dinheiro!
Dara: Você sabe exatamente como e onde eu quero chegar!... Eu vendo as tuas drogas! Eu entrego pros traficantes do morro!
Bruno: Eu trouxe uma entrega que eu preciso fazer. É a renda de um bom dinheiro, Dara.
Dara: Ótimo! Era exatamente isso que eu precisava ouvir.
Corta: Fazenda/Ext./Noite
O porta malas do carro de Bruno é aberto.
Os três pegam duas caixas de dentro do carro e levam pra fora.
Dara (Debocha de Bruno): Eu não sabia que você já tinha crescido tanto em tão pouco tempo, hein!... Tá, mas e aí, como é que vai ser a grana?
Bruno: Já foi tudo acertado! O dinheiro está todo comigo, a única coisa que você vai precisar fazer é a entrega!... Tem um carro no outro galpão. Depois que todos os documentos de vocês forem falsificados vocês podem sair daqui!
Dara (Abre um pequeno sorriso de canto): Ótimo!... Mas vamos logo levar essas coisas pra dentro e ir. Eu ainda tenho umas coisas pra tratar com o Enrique... Bruno, você entra também. A gente precisa conversar.
Corta:
Alexia e Dara carregam as caixas para um lugar no galpão. Colocam os objetos em um canto.
Dara: Ótimo. Aqui já é o bastante.
Alexia: E aí, já sabe como vai fazer?
Dara: Bruno, eu te chamei aqui porque preciso da sua ajuda. De mais ajuda.
Bruno: O que foi, hein Dara?... Presta atenção no que você vai fazer!
Dara: Eu não pedi opinião sua! Eu pedi sua ajuda! E você vai me ajudar! Um serviço a mais, um a menos... Que diferença vai te fazer? Nós estamos comprometidos em tudo, esqueceu?
Bruno: O que é dessa vez?
Dara: Eu senti que o Enrique vai tentar me passar pra trás! Subir em cima de mim! Eu não posso admitir isso... Eu vou matar ele!
Bruno: Isso é loucura, Dara!... Pensa, pensa! O Enrique é seu aliado! Se notarem o sumiço dele, é claro que vão relacionar isso a você!... Qualquer passo seu em falso, é o suficiente pra você ser pega!... Jogue o jogo dele! E quando for o momento certo, mexa sua peça principal apenas quando der xeque-mate!... Esconda uma carta na manga!... Deixe ele em suas mãos!
Dara (Pensativa, ri): Isso é ótimo!... Hoje eu vou à casa dele, e vejo suas intenções!... Vamos ver se o Enrique vai chegar mais longe que eu! (Ri)... Alexia, eu terei algumas mudanças de planos!... O que é do Enrique ainda está por vir.
Alexia: Nesse caso eu tenho outro lugar pra ir... Aproveito carona com vocês?
Dara: Vai pra onde?
Alexia: É... Adiantar algumas coisas que eu preciso fazer.
Corta: Cena 19/Condomínio de Enrique/Carro de Bruno/Int./Noite
O carro é liberado para entrar no condomínio.
Bruno leva o automóvel até a casa de Enrique. Para.
Dara: Bom, eu vou!... Até!
Bruno apenas sorri.
Alexia (Fumando): Vai lá!
Dara sai do veículo e ele parte. Ela se dirige até a porta da mansão do advogado. Empurra a porta; está aberta; entra.
Enrique (Está na sala, com dois copos de uísque, ainda vestido com sua roupa social): Dara?... Entre! Fique à vontade!... Aceita? (Oferece a bebida).
Dara (Pega o copo): É claro que não deixaria de recusar!
Enrique: Você está realmente quase irreconhecível.
Dara: Quase?
Enrique: Eu te reconheceria de qualquer forma, Dara! (Se aproxima dela, romantizando o clima do ambiente. Aproxima a boca ao pescoço da mulher) Mas isso é algo pessoal nosso!
Dara (Se afasta; ignora o homem; continua a conversa): Enrique, na nossa conversa na fazenda você me deixou um ar de mistério. Primeiro, antes de qualquer coisa, foi isso que me trouxe aqui.
Enrique (Relaxado, toma outro gole do uísque): Hum, um brinde ao nosso encontro?
Dara (Sorri): Ótimo!... Um brinde! (Eles brindam).
Enrique: Dara, eu não quero que você pense que eu estou te cobrando de nada, ou que nós tenhamos qualquer tipo de dívida pendente;... Na verdade seria ridículo esse tipo de pensamento, principalmente ao nosso caso, que estamos envolvidos até onde nem imaginamos.
Dara (Começa a seduzir o homem, passando a mão em seu peitoral): Sei... Entendo seu raciocínio, Enrique! Mas pra ser preciso, aonde exatamente você quer chegar?
Enrique: Seria impossível eu trabalhar de graça, Dara!... Mesmo pra você! Ou, aliás, justo pra você!
Dara: “Justo pra mim”?
Enrique: Só com a sua fuga o meu dinheiro vai ser maior do que muitos processos que eu já realizei. Sair perdendo dessa seria um prejuízo gigante pra mim!... Na verdade o que eu apenas te peço, é a sua confiança.
Dara (Ri, deboche): Enrique, eu jamais poderia imaginar que eu me disfarcei e vim até aqui pra ouvir esse tipo de assunto!... Que tipo de relação você acha que temos?... Ainda tem dúvidas sobre a nossa cumplicidade.
Enrique (Volta novamente a aproximar-se do pescoço de Dara): Mesmo que a nossa a nossa relação seja tão profunda, não podemos misturar nossos negócios com os nossos pessoais.
Dara (Deixa o homem livre ao seu corpo): Você só está tentando reforçar tudo aquilo que já sabíamos?
Enrique: Eu espero que você não me decepcione, Dara!... Não quero te trazer nenhuma consequência!... Isso seria tão desagradável a nós!
Dara: Enrique, Enrique, eu não acho que você deveria desafiar o perigo dessa maneira!
Enrique (Os dois começam a se esfregar): Sabe que eu adoro brincar com o perigo? Nunca tive medo.
Dara (Ri): Não deboche, Enrique!... Você sabe o que eu sou capaz de fazer por qualquer passo em falso que alguém dê comigo.
Enrique (Passando os lábios por todo o pescoço dela): Ah é? Por quê? Você acha que eu daria algum passo em falso contigo?
Dara: Estamos acertados da nossa dívida?
Enrique: Dívida?... Eu não sei de qual dívida você está falando?... Na verdade só temos uma única dívida pra acertar!
Dara: Sabe que eu não gosto de dever pra ninguém!... Eu pago ela da forma como você quiser!
Corta para: Suíte de Enrique
Dara deitada na cama, seminua, esperando por Enrique.
Enrique (Termina de tirar suas roupas): Essa é a forma que eu quero que você pague! (Se atira na cama; os dois começam a se beijar e esfregar como loucos; Dara passa a mão por todo o corpo do homem).
Ele tira o sutiã da mulher, joga-o no chão. Dara se estica na cama, Enrique começa beijá-la pelo pescoço, descendo pelo resto do corpo, enquanto pega em um de seus seios.
Cena 20/Avenida de acesso ao Morro de Santa Cruz/Carro de Bruno/Int./Noite
Bruno (Para o carro): Tá entregue!... A propósito, o que você veio fazer aqui?... Falar com o Bira?
Alexia: Bira? Então você conhece ele?
Bruno (Ironiza sua fala/deboche): O Bruno médico e íntegro não, mas o outro Bruno sim!
Alexia (Ri): Você é muito pior do que eu pensei.
Bruno: Então estamos no mesmo barco?
Alexia: É, acho que sim!
Bruno (Ri): Ótimo!... Enfim, aproveite a noite.
Alexia sorri, pega sua mochila e desce do veículo; sobe o morro.
Bruno (Pega o celular, liga para alguém; espera atender; é correspondido): Natalie?... Você tá livre hoje daqui até duas horas; depois eu passo te pegar; beijo. (Desliga o aparelho, segue embora).
Corta para: 21/Morro de Santa Cruz/Ext./Noite
Alexia termina de subir o morro.
Zulu anda armado protegendo as áreas seguintes do ambiente.
Alexia: Zulu?
Zulu (Surpreso): Alexia? Ih, olha aí! Tu voltou mesmo, hein!
Alexia (Abraça-o): Eu disse que não ia ficar muito tempo naquele inferno, não disse?
Zulu: Tu é mulher de moral! Fez falta aqui no morro!
Alexia: E aí, o Bira tá por aí?
Zulu: No mesmo lugar de sempre, princesa! (Libera passagem para ela).
Alexia: Valeu, Zulu!
Zulu: Qualquer coisa tamo aí, gata.
Alexia caminha até a laje de uma grande construção; Bira está tomando cerveja com outros traficantes; ela para na entrada. Todos estão distraídos.
Bira (Percebe a presença de Alexia, se levanta da cadeira; surpreso): Olha só quem tá aí! Fala se não é a dona Alexia!
Alexia (Ri): A própria! (Abraça Bira).
Bira: Tu disse que saía, e saiu mesmo!... É assim que eu gosto!... Determinação! Cada dia que passa tu só cresce no meu conceito!... Mas e aí, tá procurando quem?... Alzira não tá pra cá não.
Alexia: Não, não... O assunto é outro!
Bira: E que assunto é esse, moça!
Alexia: É contigo mesmo, Bira!
Bira: A gente resolve essa parada já! Manda aí!
Alexia: Bira, tu lembra aquela encomenda que eu deixei com a Alzira quando me pegaram e eu falei pra ela deixar contigo?
Bira: Ih, tô ligado dessa parada aí!... Tu quer a grana, né?
Alexia: É, eu tô precisando do dinheiro.
Bira: Fica tranquila, princesa! Pediu tá na mão!... Ô Iraque!
Iraque (Levanta-se e vai até Bira): Alexia? Tu voltou mesmo... O rolo atrás de tu tá feio!
Alexia: E ai, Iraque!... Pois é, tô aqui!
Bira: Alexia não tem medo de polícia não, Iraque! Ela é das nossas!... Ela tem uma grana aí guardada! Vai desenvolver isso aí e trazer o dinheiro da mina!
Iraque (sai e faz o que Bira pede);
Bira: Aí, tu tá convidada por mim aí pra ficar aqui no baile de hoje com a comunidade!... Tu é mulher que tem que ser valorizada! Aqui dentro tu tem moral com a rapaziada, princesa.
Iraque (volta).
Bira: E aí, Iraque, como é que tá o bagulho aí?
Iraque: Ela tá com moral sim, Bira!... (Dirigindo-se à Alexia) Tu tem uma grana pra receber.
Bira: Qual é, então manda a grana pra mina aí e tá tudo resolvido.
Iraque entrega um pequeno pacote à Alexia com alguns maços de dinheiro dentro.
Alexia aperta a mão de Iraque; agradece.
Bira: Tudo certo agora, neném! Qualquer coisa é só gritar a gente aí!... E tu não vai embora porque hoje isso aqui vai ferver geral!
Corta:
Vista aérea do Morro de Santa Cruz/Baile funk/ Madrugada.
Há um grande fluxo de pessoas no ambiente; em lugares superiores, traficantes andam armados de um lado para o outro. Pessoas bebem, dançam e rebolam ao som dos funks tocados.
Alexia está encostada em um muro, isolada da massa, terminando de fumar um cigarro enquanto observa o movimento. Ela joga o cigarro e vai andar, se apertando entre a aglomeração. Vai ao bar, se apoia ao balcão e pede uma bebida. Seu celular toca.
Alexia atende: é Alzira.
Alzira (Do outro lado da linha): Oi. Onde é que tu tá?
Alexia: Eu tô aqui no bar, pedi uma bebida, tô te esperando aqui! (Desliga).
A bebida é entregue à Alexia; toma um gole.
Cena 22/Mansão de Constance/Suíte. Bruno/Int./Madrugada
Natalie se olha no espelho, meche os cabelos. Está nua, com apenas um salto nos pés. Retoca seu batom-vermelho sangue. Volta apara o quarto.
Alice está em cima de Bruno, faz um movimento de sexo em uma posição dominadora.
Natalie sobe na cama e também em cima de Bruno, que apalpa nádegas da mulher.
Alice e Natalie começam a se beijar, enquanto a primeira continua a ser penetrada por Bruno.
Natalie passa uma das mãos pelo corpo de Alice, apalpa um dos seios da mulher.
Os três tem uma tórrida noite de ménage.
Cena 23/Morro de Santa Cruz/Baile-funk/Ext./Madrugada
Alexia e Alzira já estão embriagadas, dançam e rebolam, divertindo-se.
Alzira (Puxa Alexia, bêbada): Vem que eu quero te apresentar umas amigas.
Alexia (Acompanha a amiga, meio desnorteada, com a fala mole): Pera aí, aonde cê tá indo?
Corta:
Alzira e Alexia vão para um lugar mais isolado do fluxo, embaixo de grandes árvores. Há duas mulheres sentadas, fumando narguilé.
Alzira: E aí, gente. (As duas respondem) Essa aqui é a amiga que eu falei, a Alexia... (Apresenta as mulheres à Alexia) Essa aqui é a Sandra e essa é a Leila.
Alexia, ainda bêbada, as cumprimenta.
Sandra: Dá uma tragada aí! (Oferece o narguilé).
Alzira e Alexia sentam. Alzira traga; dá à Alexia.
Leila: E tu, (dirige-se à Alexia) transa com mulheres?
Alexia (Debocha): Só se a mulher for muito boa!
Corta: barraco abandonado/Int.
Leila coloca Alexia contra a parede com força, as duas se beijam, com adrenalina. Sandra e Alzira fazem o mesmo.
Leila tira a blusa de Alexia enquanto beija-a, joga no chão. Aperta os seios da mulher.
Alexia tira sua calça. Leila começa a descer os lábios pelo corpo dela.
Sandra e Alzira vão a uma baixa e larga mureta enquanto beijam-se. Sandra sobe em cima da mureta, tira a calça, abre suas pernas. Com as pernas, agarra Alzira pelo pescoço e leva a mulher até seu corpo, as duas continuam aos beijos intensos.
Cena 24/Mansão de Constance/Suíte/Int./Madrugada
Constance se levanta da cama com um lençol tampando suas partes íntimas.
Abre o champanhe e coloca mais uma dose para ela e Romero.
Romero (Pega a taça, bebe um gole): Mas então, qual o assunto que ainda tínhamos pra tratar?
Constance (vai até o banheiro, veste seu robe): Romero, eu preciso da sua ajuda.
Romero: Ajuda? Que ajuda?
Constance (Volta ao quarto): Eu preciso de dinheiro.
Romero: Dinheiro? Constance você anda fazendo muitos empréstimos. O que tá acontecendo?
Constance (Ri): “Empréstimos”. Mas que termo mais ridículo, Romero.
Romero: Constance, você sabe que já tem uma grana me devendo. O que está havendo? Você está falindo?
Constance (Debocha): Eu? Falindo?... Romero olha bem pra minha cara, uma dama da sociedade, que esbanja dinheiro... Falindo?
Romero: Você tem me pedido altas quantias, Constance!
Constance: Eu só estou com alguns problemas com o Bruno!... Ele ultimamente anda me controlando. Mas nada pra ser levado a sério.
Romero: Sei... E quanto você quer agora?
Constance: Ai, Romero. Mas o que é isso? Você fala de um jeito como se eu não te pagasse! E eu te pago melhor do que ninguém! (Volta para cama, acariciando Romero) Você sabe muito bem disso! Ou não gosta dos meus caixinhas extras?
Romero: Não é isso, Constance! Eu tô preocupado com você! Se você se meteu em alguma furada/
Constance (Ela corta-o): Eu estou ótima! Não precisa se preocupar com absolutamente nada! Até porque, qualquer empecilho no meu caminho eu resolvo num estalo de dedos!(Ri)... Mas e então, vai me ajudar?
Romero: E por acaso eu já deixei de fazer isso?
Constance (Beija-o no pescoço, cochicha no ouvido do homem): Sabia que não ia me decepcionar!... Gostoso! (Morde a orelha dele).
Romero: Mas a grana vem com uma única condição, Constance!  
Constance: Condição?... Que tipo de condição?
Romero: Antes de te dar qualquer dinheiro, eu quero receber o que você tem pra me pagar!
Constance (Inconformada): O quê?... Que palhaçada é essa, Romero?
Romero: Você já tem uma boa grana pra me pagar, Constance! É muito dinheiro! Não quero que você acumule tanto assim!
Constance (Ri): Essa é a condição que você me propõe, Romero? Que ridículo!... Você realmente acha que eu estou falida, que eu não vou te pagar?
Romero (Se levanta, fala com firmeza, cara a cara com Constance): Essa é a condição! Ou é isso, ou é nada! (Ele se levanta e vai ao banheiro).
Constance fecha a cara, fica pensativa.
Romero (Vai à privada urinar): E aí, a gente marca uma data ou não?
Constance (Ainda pensativa): Certo... Mesmo com essa condição ridícula!
Romero (Ri, volta para o quarto): Constance, Constance!... Quem não deve não teme, não é?... (Fala cochichando no ouvido da mulher) Me pague, e está tudo certo! (Volta a deitar-se na cama, pega um cigarro, acende).
Vista panorâmica de Curitiba, amanhecer.
Cena 25/Batalhão de Polícia de Curitiba/Pátio/Ext./Manhã
Todos os policiais estão alinhados, em filas, enquanto o delegado declara ordens e orientações.
Delegado Fausto: Como foram todos avisados, para ajudar com as buscas das fugitivas Dandara Leão e Alexia Pretto, nós acionamos todos os possíveis órgãos da polícia que podem nos ajudar com o caso! E nós estamos recebendo como reforços da polícia militar do estado de São Paulo, a agente federal de execução penal Maria Angélica Ramalho, que estará nessa missão conosco e auxiliando o departamento da polícia penal de Curitiba e do estado do Paraná!... Por favor, Maria Angélica! (Chama-a).
(Um policial abre o portão, Angélica entra).
Fausto (Cumprimenta-a): Olá, como vai?
Angélica (Sorri): Ótima!... Bom dia! (Cumprimenta os outros policiais, anda entre as fileiras). Bom, como o delegado Fausto já me apresentou eu sou agente federal pelo estado de São Paulo, Angélica Ramalho, e fui convocada para ajuda-los com a missão de encontrar as recente-foragidas Dandara Leão e Alexia Pretto!... Fico honrada em poder ajudar a realizar mais uma missão da polícia, porque eu estou aqui para trabalhar e honrar a segurança e a justiça desse país! Eu espero que possamos trabalhar muito bem juntos, senhores! Que nós sirvamos sempre como a defesa da sociedade, e não o contrário! Eu cheguei ontem pela noite em Curitiba e hoje nós vamos intensificar os nossos trabalhos e investigações e, principalmente, reunir vários outros setores da polícia para ajudar no caso!... Muito bom dia! (Ela vai saindo) Delegado Fausto, pode me acompanhar?
Fausto sai junto à Angélica.
Corta: Cena 26/Batalhão de Polícia de Curitiba/Sala de Fausto//Int./Manhã
Fausto (Sentado em sua cadeira, com Angélica junto a ele): Então, o que você sugere para começarmos?
Angélica: Delegado, eu gostaria de saber como está sendo o processo de investigação. O que já foi feito até agora.
Fausto: Por enquanto nós estamos estudando as possibilidades de fuga dentro da penitenciária.
Angélica (Pensa alto): Mais lento do que eu imaginava...
Fausto: O que diz?
Angélica: Nada, apenas um pensamento alto!... Delegado, o primeiro passo é a mobilização de todos os setores da polícia! Se houve uma fuga, elas estão tentando fugir! E é isso que não pode acontecer!
Fausto (Se levanta da cadeira, ágil): Eu vou acionar a mobilização das polícias.
Angélica: É importante pedir reforços da polícia federal rodoviária e da guarda!... Elas não podem ultrapassar nenhuma barreira do estado!
Cena 27/Penitenciária de Curitiba/Int./Dia
Fausto e Angélica entram com pressa na penitenciária.
Fausto (Pergunta a uma agente): Cadê o Carlos?
Agente: está na sala dele, senhor.
Corta: Penitenciária de Curitiba/Sala de Carlos/Int./Dia
Fausto abre a porta da sala e entra com Angélica.
Angélica (Aperta a mão de Carlos): Muito prazer, agente Angélica!
Carlos: O prazer é meu!
Fausto: Carlos, o que mais já foi reunido?
Carlos: Sentem, por favor! (Os dois sentam-se). Bom, como já dito, houve uma fuga de duas presidiárias. Não se tem muitas informações de como aconteceu, quando foi relatada a fuga das duas, o sistema de monitoramento não estava ligado!
Angélica (Ri, inconformada): Mas é claro!... É nítido que os agentes desse lugar estão envolvidos! Isso foi totalmente esquematizado! Ninguém poderia acessar o sistema de monitoramento além dos responsáveis!... Quem acobertou toda a fuga delas está aqui dentro! Interrogue todos os funcionários desse local!... Eu preciso de todas as informações detalhadas das duas!
Corta: Cena 28/ Delegacia de Polícia de Curitiba/Sala de Fausto/Int./Manhã
Angélica (Analisa as fichas de Dara e Alexia): “Dandara Serqueira Montenegro Leão: presa por tentativa de latrocínio, falsa identidade, roubo de veículo e fuga contra a polícia! Há um ano e três meses. Assassinado: Natanael Stewart, 69 anos”.
“Alexia Pretto: presa há quatro meses e meio, por cumplicidade e participação ao tráfico de drogas; Morro de Santa Cruz”... Por enquanto não há nenhuma suspeita do local em que possam estar?
Fausto: Nós suspeitamos de que elas estejam juntas, e tenham qualquer tipo de ligação entre si.
Angélica: A melhor hipótese de onde elas estejam é próprio morro onde Alexia foi apreendida.
Fausto: Santa Cruz?... Você se refere a uma operação no morro?
Cena 29/Galpão industrial abandonado/Int./Manhã
Bruno (Conversa com um traficante): Bom, então aqui a grana prometida. (Entrega um envelope ao traficante). E aqui mais a última encomenda. (Há duas grandes caixas no chão).
Traficante: É assim que eu gosto, hein patrão.
Bruno: Você não tem que gostar de nada. Eu é quem quero um trabalho bem feito e discreto! E que isso continue!... Cadê minha grana?
Traficante: Tu falou, tá falado! Aqui a grana do patrãozinho. (Entrega uma maleta recheada de dinheiro).
Traficante: Aí, vem pegar a encomenda aqui! (Falando com um de seus).
O homem vem pegar as caixas e levá-las para o carro.
Traficante: Outro negócio muito bem sucedido! (Dá a mão a Bruno).
Bruno (Sorri): Viva os negócios!... Viva o dinheiro!
Traficante: Já ajeitou as parada aí?
Homem: Tudo certo, bora.
Traficante: Falou patrão, desculpe aí qualquer coisa. Até a próxima compra e venda (Ri).
Bruno acena com a mão, pega seu celular, liga para Enrique.
Enrique (Atende, do outro lado da linha, deitado na cama ao lado de Dara, que está com a cabeça em seu peito): Oi Bruno. Pode falar.
Bruno: Enrique?... Oi, eu já tô com os documentos delas. Tô indo levar pra Dara. (Desliga).
Cena 30/Mansão de Enrique/Suíte/Int./Manhã
Dara (abre os olhos, preguiçosamente, sonolenta, está apenas de lingerie): Quem era?
Enrique: O Bruno!... vem entregar teus documentos.
Dara (Levanta o pescoço até a boca de Enrique, beija-o, se levanta da cama): Que ótimo! Isso tá mais rápido do eu pensei!... E aí, quando é que eu vou embora?
Enrique: Não agora, Dara. Eu já disse que você ainda vai precisar esperar. A polícia não vai sossegar por um bom tempo!
Dara (Vai ao banheiro): Bom, pra quem esperou até agora, esperar mais um pouco não mata ninguém. (Lava seu rosto).
Cena 31/Edifício Alabama/Cafeteria/Int./Manhã
Constance e Stefano estão em uma pequena mesa na cafeteria do edifício, tomam café.
Stefano: Então, conseguiu o dinheiro?
Constance (Ri): Eu não vejo outro motivo pra estar aqui com você a não ser esse. (Toma outro gole).
Stefano (Ri): Gosto da sua sinceridade.
Constance (Entrega uma pequena maleta de dinheiro a Stefano): Aqui!... Espero que faça bom proveito do dinheiro.
Stefano: Sem dúvidas!... Mas e quanto a você, ainda anda perdendo ou saiu dessa maré de azar? (Dá uma leve risada).
Constance (Fala em tom bem-humorado): Eu não entendi o que você tem a ver com isso.
Stefano: Tá certo... Entendo, não quer perder a pose! (Ri ironicamente) Apenas um aviso como colega de jogo, cuidado Constance, conheço muitas pessoas que faliram jogando compulsivamente!... Mas imagino que esse não seja seu caso.
Constance: De maneira alguma! (Olha em seu relógio de pulso, vai se levantando) Bom, mas minha hora está dando. Preciso ir.
Stefano (Se levanta também): Mas é claro!... Ainda vai ficar no prédio pra jogar?
Constance: Na verdade não!... Eu vou ficar pra ganhar! (Sorri)... Até logo! (Ela vira as costas e sai).
Stefano ri.
Constance (Sai andando nervosa, falando sozinha): Ordinário. Quem pensa que é pra me afrontar desse jeito? Ria, Stefano, ria! Pimenta nos olhos dos outros é refresco. Mas eu não, eu não desço do salto! (Arruma a roupa, meche no cabelo, continua andando).
Corta: Cassino clandestino.
Constance entra no local, o croupier vem ao seu encontro.
Croupier: Bom dia, senhora Constance!
Constance (Séria): Bom dia. Qual vai ser a minha mesa de jogo?
Croupier: Claro... Me acompanhe.
Corta:
Constance senta-se à mesa com os outros jogadores. Eles começam.
Cortes de várias partidas. Constance se vê perdendo, preocupada; aposta todas as suas fichas. Se mantém com um sorriso no rosto de preocupação.
Corta: É a última rodada.
Croupier: Dona Constance, é a vez da senhora colocar as fichas!
Constance (Empurra de uma vez as poucas fichas restantes ao centro da mesa; Tira suas todas as suas joias dos dedos, do pescoço e seus brincos; todos valem boa quantia de dinheiro; Já não consegue mais esconder a cara, o sorriso perdendo a forma na boca, com os olhos miúdos, desamparada): É tudo o que eu tenho!
Croupier: Bom, então vamos começar!
Os jogadores vão jogando suas cartas, pegando e acrescentando fichas.
Corta (parte final da rodada).
Constance coloca suas cartas fechadas sobre a mesa. Suave e lentamente, fios de lágrimas escorrem de seus olhos.
Outro homem olha para Constance e sorri, puxa toda a aposta da mulher para si.
Corta: Cena 32/Edifício Alabama/Estacionamento/carro de Constance/Int./Dia
Constance (Chora feito uma criança, debruçada no volante do carro, lamenta-se): Eu perdi, eu perdi, eu perdi! É sempre uma vitória e quatro derrotas! (Bate no volante, a buzina é apertada; ela aperta outras vezes com raiva a buzina do automóvel). Eu estou falindo aos poucos! Meu dinheiro... Acabando!
Segurança do prédio (Vem correndo ao carro, da uma leve batida no vidro): Tá tudo bem? Aconteceu algo com a senhora?
Constance (Abaixa o vidro, nervosa): Olha pra minha cara, moço! Você acha que eu posso estar bem? Eu aparento estar bem?... É tão feio assim se eu perder a pose e descer do salto? (Continua chorando profundamente enquanto lamenta-se).
Segurança: A senhora quer uma água, alguma coisa? Não quer entrar de novo, está muito alterada!
Constance: Eu só quero ir embora pra minha casa! Deitar na minha cama e chorar como eu nunca chorei antes! Até porque, agora é só isso que me resta!... Lágrimas!
Ela sobe o vidro, liga o carro e sai. O segurança fica parado, desentendido, apenas olhando o carro sair.
Cena 33/Mansão de Enrique/Sala/Int./Dia
Enrique (Abre a porta, cumprimenta Bruno): Oi Bruno, entra, fica à vontade!
Bruno entra; Enrique fecha a porta.
Dara (Vem em direção a Bruno): Bruno! E aí? Conseguiu?
Bruno: Está tudo certo, Dara! (Entrega um envelope a ela) Aí estão os documentos de vocês duas, identidade, carteira de habilitação... O que vocês precisam pra não serem dadas como suspeitas!... A chave do carro que eu falei que está no galpão também tá aí.
Dara: Ótimo! (Abraça Bruno) Perfeito, perfeito!... E a Alexia, pra onde ela tinha ido?
Bruno (Ri levemente): Ela tinha ido pro morro de Santa Cruz.
Dara: Morro? E foi fazer o que lá?
Bruno: Parece que tinha algumas coisas pra tratar.
Dara: Hum... Bom, preciso falar com ela, pra gente voltar pra fazenda.
Bruno: Ótimo!... Bom, eu também preciso ir. Ainda vou pro hospital.
Enrique: Não quer sentar, Bruno? Tomar alguma coisa?
Bruno: Não, eu realmente preciso ir! (Estende a mão a Enrique) Até logo, Enrique!... Dara, (Beija-a) bom, então tudo certo, por enquanto.
Dara: É, obrigada mais uma vez, Bruno! A gente vai se falando.
Enrique: Bom, eu te acompanho até a porta.
Eles vão até a porta, Bruno vai embora.
Cena 34/Batalhão de Polícia/Ext./Dia
Os policiais estão alinhados em filas. Outro dois delegados e Angélica se posicionam na frente dos policiais.
Fausto (Andando entre as filas): Atenção senhores e senhoras, nós emitimos um mandato para a realização de uma operação no morro de Santa Cruz, localizado na zona norte de Curitiba. São eles dois motivos mais importantes, o primeiro é a busca pelas fugitivas, principalmente Alexia Pretto, que possuía ligação com tal morro e que foi apreendida por tráfico em tal lugar. Há a possibilidade de estarem lá, e além do mais, ela pode voltar a realizar a prática do tráfico, se opondo às leis e à justiça por prática de tal ato. Tivemos carta branca para a entrada no morro, mas não temos nenhuma intenção de semear guerra ou qualquer ato que viole os direitos humanos de moradores da comunidade, por isso é importante cautela! Mas também que possamos apreender qualquer ato suspeito ou explícito que viole as nossas leis! Uma boa sorte a todos nós, um bom dia!
Os policiais começam a sair em filas.
Angélica (Olha para Fausto): Vamos?
Corta: Batalhão de Polícia/Rua/Ext.
Guerra ajeita sua boina.
Fausto e Angélica estão saindo.
Fausto: Guerra! Que bom que já está aqui!
Guerra: Delegado! (Aperta a mão de Fausto) Como vai?
Fausto: Estou ótimo!... Essa é a agente Maria Angélica, que havia dito.
Guerra (Pega na mão de Angélica, beija-a): Como vai a senhorita?
Angélica (Abre um leve sorriso): Ótima!
Cena 35/Morro de Santa Cruz/Barraco/Int./Dia
Alexia ainda está deitada em um colchão jogado no chão. Seu celular começa a tocar.
Alexia (Atende-o, sonolenta): Quem é?
Dara: Alexia sou eu, Dara! O Bruno já me entregou os documentos falsos. Você precisa vir pra casa do Enrique pra gente voltar pra fazenda.
Alexia: Tá certo... E pra quando isso?
Dara (Do outro lado da linha): Como pra quando? Pra hoje! Arruma um jeito de vir, sei lá, se vira! (Desliga).
Enrique: E aí?
Dara: Não sei, acho que vai vir.
Cena 36/Avenida/Ext./Dia
Vários carros de policias estão correndo pelo asfalto da avenida, com as sirenes escandalosas, os policiais passam com olhos de águia, com suas armas pra fora das janelas enquanto os veículos policiais seguem em alta velocidade.
Corta rapidamente para: alto do Morro de Santa Cruz/Lajeado/Ext.
Iraque (Vem correndo a Bira): Aí, Bira, tão vindo pra invadir o morro.
Bira: Já tô ligado no bagulho, Iraque! (Pega seu rádio comunicador) Ai, Zulu, passa a visão pra geral! Prepara o morro pra receber as visita!
Zulu (Do outro lado da linha): Entendido, chefe. (Comunica-se com outro traficante mais na superfície do morro) Prepara geral aí, Ismael. Hoje a gente vai ter visitinha.
Corta rapidamente para:
Os carros policiais vão subindo rapidamente o morro, um atrás do outro, os policiais estão com todas as armas apontadas pra fora da janela, os cães já começam a latir.
De diversos barracos e altitudes do morro, os traficantes observam escondidos com suas armas os policiais chegarem.
Corta para: Barraco
Alexia ainda permanece deitada, ouve o barulho das sirenes.
Ela e as outras três mulheres se levantam assustadas.
Alexia (Espantada): O que tá acontecendo? Que é isso?
Alzira: Tão invadindo o morro!...Vaza, Alexia! Vaza!
Alexia pega rapidamente suas coisas, coloca na mochila e sai em aflição. Ela pula pela janela do barraco. Cautelosamente vai colocando os pés nos outros telhados dos barracos e vai saindo.
Corta:
Guerra (Vai dispensando os policiais, que vão saindo): Vão, vão, vão!... Cadê os cães? Libera os cães.
Os policiais vão pegando os cachorros e saindo.
Um traficante, do alto de um barraco, mira sua arma nos policiais e começa a atirar.
Angélica se espanta, rapidamente ajeita sua arma e atira para onde está o traficante. Ele se esquiva e se esconde entre as paredes.
Guerra (Se entreolha com Angélica): Boa sorte!
Angélica (Ajeitando a coleira no cão, olha para Guerra, meio sem jeito): Obrigada!
O animal começa a latir, percebendo algum movimento.
Guerra rapidamente aponta sua arma para cima, há um traficante mirando nele. O policial atira.
O traficante é atingido de raspão em seu ombro, que grita pela dor, encosta na parede, senta-se no chão.
Angélica (Vai saindo com o cão): Boa sorte pra você também!
Guerra (Pega-a pelo braço, por alguns segundos se olham fixamente, ele abraça-a): Te cuida!
Angélica apenas sorri e sai com o animal.
Fausto (Vem de outra direção, em adrenalina, com a arma em mira): Vamos?
Guerra: Vamos!... Vocês fiquem aqui nessa área! (Se dirigindo a outros policiais; os dois saem).
Corta rapidamente (a cena exige adrenalina e agilidade):
Alexia corre pelos telhados, algumas fracas e velhas telhas Brasilit desabam.
Em outro ponto do morro:
Angélica (Segue correndo com o cão preso à coleira, para e o solta): Vai lá, garoto! É com você, campeão! (Acaricia o animal, que sai correndo aos latidos).
Corta:
Alexia continua por correr, até que encontra um muro, começa a descer até o chão por ele. O cachorro solto por Angélica corre e vê Alexia descendo o muro. Corre até ela e começa a latir.
Alexia olha para trás e vê o animal vindo em sua direção, assusta-se. Volta a escalar o muro, de pressa. O cachorro salta, tentando alcança-la, sem sucesso.
Angélica chega correndo, vê Alexia em cima do muro.
Alexia arregala os olhos, apavorada. Por alguns segundos as duas se olham fixo, tensas. A foragida termina rapidamente de pular até o outro lado; continua a correr em alta velocidade.
Angélica: Droga!
O cachorro corre para outra direção do morro, ainda atrás de Alexia; Angélica segue-o.
O animal dispara na frente, entra em uma estreita ruela, Angélica diminui a velocidade. Vai andando e olhando o ambiente com cautela, lentamente.
O animal para de correr, da uns passos para trás. Late para um ponto.
Angélica corre até lá e se esconde atrás de um muro, observa o que é. De longe avista dois traficantes conversando, despercebidos.
O cão corre até eles, feroz, que percebem a presença do animal; preparam as armas para atirar. Angélica é rápida, atira em um, acerta o tiro, o homem geme e cai no chão, ferido. O outro se desespera, perde a concentração, o cão pula em cima dele, rosnando.
Angélica (Corre até lá, rapidamente, com a arma preparada): Parado aí! Quietinho! Onde está e sem nenhum movimento, tá ouvindo?... (O homem move devagar a mão até sua arma, tentando puxá-la; Angélica atira próximo ao instrumento, que faz o traficante tirar rapidamente a mão do objeto) Coloca a arma do lado! Mãos no corpo! (Chega até o rapaz, apontando a arma para sua cabeça).
Angélica (Pega seu rádio comunicador): Tenente? Aqui é a agente Angélica. Estou com dois traficantes aqui... Por favor!
Corta:
Bira anda cauteloso entre as escadarias e os barracos do morro, segurando sua metralhadora.
Fausto e outros dois policiais estão passando, atentos.
Bira avista de longe os policiais, entra em um barraco em construção.
Em outro ponto dali, há outro traficante escondido, atento.
Bira averigua o local, prepara a metralhadora e começa a atirar. No mesmo instante um policial começa a mandar balas. O outro traficante escondido começa a atirar também, Fausto faz o mesmo. Inicia-se uma troca de tiros.
Corta:
Alexia corre entre as ruelas do morro, descendo escadarias e pulando pequenos muros, desesperada.
Enquanto corre, há um policial vindo em sua direção, com um cachorro. Alexia freia, volta para trás, correndo como nunca antes. O cão vai atrás dela latindo, seguido do policial.
Alexia corre depressa olhando para trás; o caminho está livre. De uma esquina o animal aparece, veloz, latindo.  Ela rapidamente tenta subir em um barraco, apoiando os pés pelas janelas e em qualquer lugar que possa ter suporte.
O cachorro vem à sua reta, em disparada, da um salto até a altura em que está Alexia, que lhe dá um chute no focinho; o animal recua. Alexia termina de subir depressa o barraco, voltando a andar pelos telhados. O animal se mantém parado, latindo para casa.
O policial chega. Percebe o cachorro latindo para cima e começa a subir também. Ele escala até o telhado, e avista Alexia correndo, já um pouco distante.
Ele mira-a e atira; erra. Alexia olha para trás, vê que continua sendo seguida. O policial vai atrás dela.
Ela corre pisando em pontos mais firmes das telhas da favela, enquanto olha para trás, medindo a distância do policial.
Ele atira mais uma vez, porém erra. Alexia se distrai com o tiro, olha para trás e a telha acaba desabando, caindo dentro de uma pequena casa. Há uma mulher saindo do banheiro, que grita quando vê a cena.
Alexia sai e vai até a porta da casa, fugindo.
Policial (Também pula dentro da casa. A mulher grita espantada novamente): Desculpe, minha senhora! (Sai correndo atrás de Alexia).
Quando sai para a parte externa já não a avista mais, porém sobe pela escadaria que há. Com a atenção voltada apenas à mulher, um traficante pega o policial por trás, pelo pescoço, e aponta uma arma em sua cabeça.
Traficante: Mão pra cima, irmão, mão pra cima! Perdeu “rapá”, perdeu!
O policial levanta suas mãos. O cachorro, companheiro do policial aparece. Em velocidade, sobe as escadarias e pula em cima do traficante, que se assusta.
Policial (Reage, aponta a arma para o traficante): Perdeu você!... Mão na cabeça! (Pega seu comunicador). Tenente, mais um foi pego!
Corta:
Todos os policiais já estão reunidos, colocando os traficantes presos nos camburões e os feridos em ambulâncias. Os cachorros ficam todos lado a lado, com a língua de fora.
Angélica e Fausto conversam.
Angélica: Eu vi, eu vi! Fiquei frente a frente, olho a olho com ela!... Desgraçada!
Fausto: De um lado isso é bom, agora temos certeza de que elas estão mais perto do que parece!
Guerra: Vocês acham que a possibilidade das duas estarem juntas é realmente grande?
Angélica: Eu tenho quase certeza! As duas fugiram exatamente juntas. É evidente que tenham alguma relação!... Mas esse garotão me ajudou muito! (Passa a mão no cachorro, brincando com ele). A gente nem se apresentou, garotão! Como é seu nome?... Hein?
Guerra: Esse aí é o Rex!
Angélica: Rex!... Forte igual um dinossauro!... Você me ajudou!... Me ajudou é muito! Já é um amigo que eu vou guardar pra sempre!
O animal pula em cima dela, brincando.
Corta:
Cena 37/Hosp. Munic. de Curitiba/Radiologia/Int./Dia
Enfermeira (Entregando alguns papeis a Bruno): Aqui estão os laudos e os papeis dos pacientes que o senhor pediu, seu Bruno.
Bruno (Confere rapidamente): Ótimo, agradeço!
Bruno sai andando pelos corredores. A situação do hospital é grave. Recursos limitados. Um prédio com a construção desatualizada, grande fila de pessoas pelos lados, dezenas de enfermos pelos corredores aguardando atendimento.
Gustavo (Vem de encontro a Bruno): Bruno, a gente precisa conversar.
Corta: sala de Bruno.
Bruno (Senta-se): Pois bem, diga.
Gustavo: Ora, você sabe porque estou aqui. Não quero deixar uma situação desagradável em dizer novamente (ri).
Bruno: Claro!... Veio pegar sua partilha.
Gustavo (Meio sem jeito): Exatamente.
Bruno (Mexe nas gavetas de sua mesa): Okay, Gustavo... Eu já deixei um cheque feito e falta só mais um. (Entrega o papel, pega outro para fazer um novo cheque).
Gustavo: Excelente, excelente!... Já posso sentir o cheiro de dinheiro pelos ares! (Ri).
Bruno (Assina e entrega): Bom, a última caixinha do mês... Dois de quinhentos mil. Agora mesada é só no próximo.
Gustavo: Outra coisa, Bruno você precisa fazer mais algum investimentozinho, já faz um tempo que esse lugar não recebe muita coisa. Não podem desconfiar de nós! Devemos manter nossa integridade!... Faça qualquer coisa, arrume umas coisas, faça divulgação, qualquer investimento já é ótimo pro povo se satisfazer (Ri).
Bruno (Ri): Gustavo, Gustavo. Está tudo sob meus comandos!... Primeiro os nossos bolsos, o que sobra fica pro povo.
Gustavo (Sorri, vai se levantando): Bem, então minha porcentagem como bom funcionário está certa. Aguardo a próxima! (Ri). Até, meu caro.
Bruno: Gustavo chame o próximo aí da fila pra mim.
Gustavo sai da sala, chama alguém. Uma senhora entra na sala.
Aracy: Boa tarde, Dr.
Bruno: Olá, D. Aracy, como vai?
Aracy: É... Com aquelas dorzinha de sempre. Mas eu não tenho aguentando não, Dr.! Esse meu braço dói demais, demais!
Bruno: Dona Aracy, eu já encaminhei o pedido da senhora, estou fazendo de tudo, mas infelizmente não colaboram!
Aracy: E como é que fica minha situação, Dr.? Eu não consigo passar um pano no chão, uma roupa, esse braço meu dói por demais. O senhor disse que ia marcar logo o raio x.
Bruno: Infelizmente a senhora tem que aguardar pra poder marcar. Esse hospital é mais cheio a cada dia, infelizmente não repassam o dinheiro suficiente pra nós. Nós tentamos, mas sem a ajuda dos governos a gente não consegue fazer nada!... Nada!
Aracy: A gente paga esse tanto de imposto pra nada! Aquele bando de político sem vergonha que só quer roubar e encher o próprio bolso! Tão tudo nesses hospital mais “chiquetoso” e a gente aqui, sem condição de ter um tratamento bom! Eu creio no Nosso Senhor Jesus Cristo que um dia tudo esse bando de ladrão vão preso!
Bruno: É isso que eu peço todos os dias, D. Aracy! Que nós possamos exercer a nossa profissão com dignidade! Dar um tratamento melhor pra vocês! Lutar pela saúde desse país!... Mas a senhora, tá domando os remedinhos que eu receitei?
Aracy: Tô doutor, tô sim.
Bruno: E tá fazendo algum efeito?
Aracy: É... Tem dia que “miora” um pouquinho, tem dia que dói que parece que meu braço vai sair lugar.
Bruno: Bom, espero que a senhora melhore!... De qualquer modo, estou aqui pra tentar ajuda-la!
Aracy: Obrigada, filho, obrigada.
Ela vai saindo da sala com dificuldade.
Bruno: É por isso que trabalhar em lugar público é esse pé no saco.  Essa gente se chorando toda. Não vão trabalhar pra pagar as coisas que querem e aí vem pra cá se amontoar feito um bando de bicho.
Cena 38/Avenida/Morro de Santa Cruz/Ext./Dia
Alexia está disfarçada (Fala ao celular): Dara?
Dara (Do outro lado da linha): Mas que diabos de demora é essa, Alexia? Estamos quase o dia todo te esperando.
Alexia (Reduz o tom): Dara a polícia invadiu o morro!... Pouco tempo depois que você me ligou!
Dara (Surta): O quê? Como invadiram o morro?... Viram você?
Alexia: Viram!... Mas eu não tava disfarçada.
Dara: Ah, menos mal então!
Alexia: Eles provavelmente invadiram Santa Cruz porque foi aqui que eu fui pega, em outra operação.
Dara: E como você vai vir pra cá, agora?
Alexia: Relaxa, eu vou pegar um taxi aqui, já tô indo. (Desliga o celular e acena para um taxi, que para; ela entra no veículo).
Cena 39/Batalhão de Policia/Ext./Dia
Todos os policiais se alinham em filas, Guerra fala.
Guerra: Bom, hoje efetuamos uma operação no Morro de Santa Cruz, mas não conseguimos realizar nosso objetivo direto. Mas isso não é um sinal de derrota, senhores. Porque agora sabemos que elas estão mais próximas do que imaginamos. De qualquer modo, conseguimos deter alguns traficantes e vamos reforçar sua entrada na prisão!... Bom, eu apenas queria agradecer e parabenizar a todos pelo trabalho! Saímos de nossas casas, deixamos nossas famílias, filhos e esposas, para lidarmos com situações que nos colocam em perigo à vida! Obrigado a todos pelo trabalho! E a polícia não para! Nós vamos até o fim! (Todos aplaudem). Delegado... Acrescenta alguma coisa?... Não?... Bom, eu me esqueci de dizer do trabalho da nossa nova integrante a essa equipe, Angélica! Uma salva de palmas! (Novos aplausos). Muito obrigado por reforçar o nosso time, agente!
Angélica sorri.
Corta:
Guerra está sentado, brincando com Rex.
Angélica (Chega): E aí, garotão. Hora de descansar um pouco, né? Você e seus companheiros ajudaram bastante a gente! São heróis!
Guerra: Esse aqui é o meu parceiro! A gente sempre trabalha juntos, né Rex? Hoje você conheceu mais uma nova companheira de trabalho! (Ri)... (Para Angélica) A gente vai dar uma volta por aí, tá a fim de ir?
Corta:
Cena 40/Avenida/Pista de caminhada/Ext./Tardezinha
Rex sai puxando Guerra, que tenta domar o animal. Angélica e Guerra riem.
Guerra: Calma, rapaz! Calma! A te gente elogia e ai você se comporta assim?
Angélica (Rindo): Parece que você gosta bastante de trabalhar com a polícia. Já atua há quanto tempo?
Guerra: Eu já tô na polícia há doze anos!... Cinco como tenente. Realmente tenho muito gosto pelo que faço! Sempre gostei dessa adrenalina, sabe? De desafios, dessas coisas loucas... Mas e você?
Angélica: Bom, eu tenho já quinze anos como polícia e sete como federal. Já morei em alguns lugares do país pra servir a polícia e agora recebi a proposta de vir pra cá.
Guerra: Espero eu goste!... E quem sabe não fique.
Angélica (Ri): Sabe que eu também gosto dessa força maior da adrenalina, de me aventurar, de conviver com o perigo, de ser desafiada!
Guerra: Tem algo pra fazer hoje à noite?... Tá livre?
Angélica: Sabe que eu ainda não tinha estado em Curitiba antes, ainda não conheço a cidade, e como cheguei recente, então... Sem ideias.
Guerra: Que ótimo!... Então vai ser um prazer convidá-la pra sair!... Aceita?
Angélica: Seria ótimo!
Guerra: Combinado! Eu passo te pegar onde você está! É só me dar o endereço.
Angélica: Certo. (Angélica abre um sorriso para Guerra).
Os dois fixam seus olhos fundo a fundo por alguns instantes.
Rex começa a latir, corre. Guerra é puxado pelo animal. Eles riem. Começam a correr, acompanhando o cão.
Cena 41/Hosp. Munic. de Curitiba/Sala de Bruno/Int./Tardezinha
Bruno termina de arrumar suas coisas, ajeita sua sala, pega suas pastas e papeis. Vai saindo da sala.
Lívia (Entra de repente): Bruno, a gente precisa conversar!
Bruno: Conversar?... Mas o que é isso, você vai entrando assim na minha sala, sem permissão... Deveria ter vindo antes. Minha hora já acabou. Fale com o próximo médico.
Lívia: Não é com médico nenhum! A conversa é com você!
Bruno (Muda sua expressão, fica sério): Sente-se!
Lívia se ajeita na cadeira.
Bruno: Então, qual é o assunto de interesse?
Lívia: Bruno eu vim falar do hospital. Eu cansei de trabalhar assim, calada! Eu quero demissão!... Não posso mais continuar nesse silêncio vendo o hospital nessa situação!
Bruno: Eu achei que esse assunto já estivesse encerrado pra sempre, Lívia!... Você ganha muito melhor que todas as outras enfermeiras aqui! Eu aumentei seu salário pra um ótimo valor, fizemos um acordo, e agora você quer sair porque decidiu se redimir? (Gargalha). Ora, Lívia, não seja hipócrita a ponto de chegar ao ridículo!
Lívia: Eu nunca concordei com nada, Bruno! Eu fui chantageada durante todo o tempo que estive aqui por você! Eu jamais queria receber um salário alto sujo dessa forma!
Bruno: Mas aceitou! E se não tivesse interesse que tivesse ido embora antes! Não agora! Aliás, eu já disse que esse assunto não deveria ser tratado nunca mais! Achei que estivéssemos resolvidos!
Lívia: Resolvidos? Eu trabalho com o peso na minha consciência por tudo que eu fiz de errado pelas suas chantagens, mas não, você achou que estava tudo bem!
Bruno: Eu ainda não entendi aonde quer chegar! Se quisesse pedir sua demissão por pedir não me procuraria assim.
Lívia: Eu cansei de ficar calada!
Bruno: Calada? Eu devo subentender que você quer explanar tudo assim que sair daqui?
Lívia: Ou então mude esse sistema nojento e corrupto que você organiza!
Bruno (Gargalha, debochando de Lívia): Lívia, eu juro que não acredito que você veio até minha sala dizer o seu plano contra mim!... Você é mais esperta do que parece! Não é só isso!... Eu sei que se continuar puxando um pouco mais eu chego aonde você quer chegar!... É dinheiro? Quanto você quer?
Lívia: Eu não quero nada de você!... A não ser distância!
Bruno (Se levanta, se aproxima de Lívia, coloca-a contra a parede, aperta suas bochechas, estúpido): Escute, você me conhece o suficiente pra saber com quem você está mexendo, Lívia! Não tente jogar comigo porque eu te faço perder! E se você tentar qualquer coisa que me prejudique, eu acabo com você!... E eu te garanto que você só vai servir de estatísticas pra justiça! Eu vou fazer você feder, apodrecer embaixo da terra e nunca mais ser lembrada! (Bruno continua a apertá-la com mais força).
Lívia fica tensa.
Bruno: Não precisa ficar com medo... É só você ficar do meu lado!... Como sempre foi!(Ele beija a boca dela) Tá liberada! (Solta-a).
Lívia (Com os olhos cheios de lágrimas, aflita): Eu tenho nojo de você! (Sai da sala).
Vista aérea da cidade de Curitiba, noite.
Cena 42/Prédio Res./Avenida/Carro de Guerra/Int./Noite
Angélica entra no carro de Guerra (beijam-se no rosto).
Guerra fixa seu olhar a ela.
Angélica (Ri, envergonhada): Que foi?
Guerra: Nada... Tá linda!
Angélica (Ri): Obrigada!... E pra onde vamos?
Guerra: Isso deixa por minha conta!
Ele sai com o carro.
Corta para: Cena 43/Restaurante/Int./Noite
Guerra e Angélica entram no restaurante.
Garçom: Boa noite!
Guerra: Boa noite! Mesa pra dois.
Garçom: Acompanhem-me, por favor!
O garçom oferece uma mesa. Os dois se sentam.
Garçom: Vão beber algo?
Guerra: Toma vinho?
Angélica: Claro!
Guerra: Uma garrafa de rose, por favor.
Garçom: Certo! (O garçom sai).
Guerra: Mas e aí, você deixou sua família em São Paulo, veio pra cá...
Angélica: Na verdade já faz um bom tempo que eu não moro próximo a minha família. Depois como polícia federal eu prestei serviço no Mato Grosso por quatro anos, e esses últimos três anos eu morei no Rio.
Guerra: E você nunca se relacionou firme com alguém?
Angélica: Quando eu ainda morava em São Paulo eu tinha um namorado, mas depois que eu mudei de estado a gente ainda tentou alguma coisa, ele ia me ver quando podia, mas naturalmente a gente foi se afastando. A distância não ajudava, e eu nunca priorizei relacionamentos acima da minha vida profissional, então a gente separou e depois eu só tive alguns casinhos... E você?
Guerra: Bom, eu tive uma noiva, nos conhecemos na polícia, ficamos juntos por um bom tempo. Mas depois a gente percebeu que a nossa relação na verdade era muito mais como dois amigos. Era outro tipo de amor. Ficamos distantes e então a gente também decidiu terminar. Não muito tempo depois ela se mudou pra Santa Catarina e aos poucos fomos perdendo o contato.
O garçom traz o vinho. Serve aos dois.
Angélica: Um brinde?
Guerra: Um brinde!
Os dois brindam.
Cena 44/Fazenda/Galpão/Int./Noite
Dara coloca algumas coisas na mochila.
Alexia: Que cê tá fazendo?
Dara: Alexia, vai lá pegar o carro e trazer aqui perto pra gente colocar as drogas.
Alexia: Quê?... Pra onde você vai?
Dara: Nós vamos!... Pro Morro da Boa Vista!
Alexia: Quê?... Pra favela?! Você tá louca? Esqueceu que eu quase fui presa hoje? O perrengue que eu passei e você me fala de ir pra favela?... Vá você!
Dara: Escuta, a gente tá junta ou não tá?
Alexia: Isso é arriscado, Dara!... Você pirou!
Dara: Escuta, a gente precisa de dinheiro, não precisa? Você quer dinheiro, não quer? A gente tem um trato, não tem?
Alexia: Tudo bem, mas espera a poeira baixar! Você não pode ir saindo assim agora/
Dara (Corta Alexia): Agora tá só começando! Se você acha que a poeira tá alta, espera pra ver agora que te viram!... A gente entrega essa droga, dorme lá e vem amanhã pela manhã!
Alexia (Suspira):   Tá, eu vou pegar o carro.
Dara: Não se esquece de colocar o disfarce!
Cena 45/Mansão de Bruno/Int./Noite
Bruno chega em casa, coloca suas coisas no sofá, senta-se.
Constance chega logo em seguida, com várias sacolas nas mãos.
Bruno: Mãe?
Constance: Oi Bruno, querido!
Bruno: Mas que monte de sacolas são essas?... Quer dizer, isso não me admira, mas eu já disse que você precisa parar de gastar tanto!
Constance (Despeja as sacolas no sofá): Credo! Bata nessa sua boca, Bruno!... Você fala como se estivéssemos à beira da falência, perdendo tudo!... Sem dinheiro pra comer!
Bruno: Não se faça de desentendida porque a senhora sabe muito bem do que eu tô falando!
Constance: Não sei! Mas se por acaso você estiver insinuando que eu tenho gastado além do que posso e que estou colocando tudo no seu nome, dobre a sua língua!
Bruno: Mãe, quanto você gastou no meu cartão?
Constance: E quem disse que eu gastei no seu cartão?... E mesmo se tivesse, não é mais que a sua obrigação agradar a mamãe! Te carreguei nove meses na barriga, esqueceu? (Constance sai) Ah, e depois traz as sacolas pra mim.
Bruno suspira.
Corta: Suíte de Constance.
Constance entra no quarto, tranca a porta. Respira fundo, tira os sapatos e se joga na cama.
Constance: Quatro mil, meu filho... Quatro mil!... Dívidas aumentando, cartões estourados, dinheiro acabando... Mas é só uma questão de azar. É somente uma maré de azares! (Se levanta, abre o guarda roupa, pega um anel, coloca-o) É por isso que só coloco você em situações especiais! Você é o meu anel da sorte! Aliás, no próximo jogo vou unicamente com você! Ajuda a mamãe ganhar!... O Bruno jamais pode saber que eu ando jogando compulsiva/... Quer dizer, jogando um pouco mais que o habitual, só isso... Também não é nenhuma tempestade!... Nada que não se possa resolver. Qual a família que não passa por crises?
Ela pega um uísque, abre-o.
Constance (Pega o celular, liga para Enrico): Enrico? Eu preciso de você hoje! (Desliga). Romero, querido. Agora precisamos marcar a data para o nosso acerto de contas. (Liga para Romero) Romero?... Oi!... Sabe que já estou com saudades de você?... Minha cama está tão vazia. Tão fria!
Romero (Do outro lado da linha): Eu adoraria poder esquentar ela agorinha mesmo!
Constance: Oportunidades é o que não faltarão!... Aliás, eu já arrumei o dinheiro pra pagar você!... Isso é pra nunca mais duvidar de mim!
Romero: Eu sabia que você nunca me decepcionaria, meu amor! Mas eu não vejo a hora de te jogar na cama e te dar um bom trato, sua espertinha!
Constance (Ri): Ótimo!... Nos encontramos amanhã à noite na minha casa de praia em Guaratuba! Eu vou preparar uma noite quente pra nós!
Romero: Ah, é? Você sabe que mulheres impossíveis me deixam louco, né?
Constance: Eu posso transformar o impossível no possível, meu querido! Ninguém me derruba tão fácil!
Romero: Sabe que eu tô gostando dessa conversa?... Mas seria melhor se fosse pessoalmente!... Com você aqui, cochichando no meu ouvido.
Constance: Não fique por esperar, nossa noite será tão quente quanto o inferno!
Romero: Eu adoro fogo!
Constance: Um beijo! (Desliga).
Constance (Abre seu guarda roupas, pega uma arma guardada dentro de um de seus vestidos): Uma pena que vai se arrepender tão tarde de me cobrar!... Eu espero que você goste da noite que eu preparei pra nós, Romero! (Gargalha).
Cena 46/Morro da Boa Vista/Carro/Int./Noite
Dara e Alexia estão disfarçadas. Dara manobra o carro, subindo o morro.
Alexia: Eu odeio ter que vestir essa máscara!
Dara: Te garanto que é muito melhor vestir um uniforme de penitenciária!
Alexia: Por acaso alguém sabe que a gente tá subindo o morro?
Dara: É claro que sim.
Dara estaciona o carro.
Tião e outros dois traficantes já estão à espera de Dara.
Elas descem do veículo.
Tião: E aí, dona! Não é que cumpriu com a palavra mesmo!
Dara: Tião, querido, eu só piso na bola com quem pisa comigo.
Tião: E aí, cadê a encomenda?
Dara: Abre o porta-malas, Alexia.
Alexia obedece.
Dara: Tá aí.
Tião: Aí sim!... (Fala com os traficantes) Qual é, vem pegar as parada aqui.
Os traficantes pegam um cada caixa e sobem com elas.
Tião: A grana o Dr. Bruno já deve ter te passado as “informação” pra tu.
Dara: Tudo em ordem, patrão!... Só queria saber se tem lugar pra gente dormir aqui.
Tião: Lugar é o que não falta aqui, madame... Se tu é do Dr. Bruno é das nossas também.
Corta: Barraco
Tião abre a porta de um barraco do morro. Acende as luzes. É um lugar bem organizado e arrumado, com tudo necessário.
Tião: Tá na mão, patroa! Aqui dá pra tu passar uma boa noite.
Dara (Aperta a mãe de Tião): Valeu aí, Tião.
Tião: Dispõe! Precisar é só chamar que é disposição total!
Tião e os dois traficantes saem.
Dara (Tranca a porta): Eu disse!... Aqui a gente ainda dorme melhor que naquele galpão.
Alexia: Eu só quero tirar esse disfarce e dormir. Tô morta.
Dara (Fuça em sua mochila; tira uma garrafa de champanhe): Olha, olha, olha!
Alexia (Ri): Como você conseguiu isso?
Dara: Peguei no Enrique!... Tá quente. Vou colocar gelar.
Dara leva a garrafa até a pequena geladeira que há no local.
Alexia (Do quarto): Será que o encanamento daqui funciona?
Dara: É claro que sim, essa casa é ótima... Quer dizer... não pros meus agrados, mas da pra servir.
Alexia: Ótimo. Eu vou tomar um bom banho e deitar. (Tira o disfarce, as roupas, máscara, peruca).
Dara (Alexia fica nua; Vai entrando no banheiro): Aí, você se importa se eu entrar no banho contigo?
Alexia: Mas é claro que não. (Entra, deixa a porta aberta).
Dara (Vai ao quarto tirar seu disfarce, as duas conversam entre os dois cômodos): É engraçado, né?
Alexia: Do que cê tá falando?
Dara: Já parou pra pensar que a gente tá vivendo uma adrenalina de pessoas que parece já se conhecerem há tanto tempo, e a gente nunca teve nenhuma ligação.
Alexia: É... Tá aí uma ótima reflexão!
Dara (Entra no banheiro): Eu acho que você deveria falar mais de você.
Alexia: Bom... Eu sou um livro aberto. Sempre deixei a vida me levar pra onde ela queria. Nunca conheci meu pai, e morava com a minha mãe e irmã na periferia. Minha mãe teve um AVC quando eu ainda era criança, e acabou morrendo. Minha irmã, na época, tinha dezessete, e acabou puta!... Eu aprendi a viver com a vida, aos poucos perdi o contato com a minha irmã, ela nunca fez muita questão, então eu aprendi a lidar com isso. Cresci na rua, já dormi muito embaixo de ponte, em praça, e acredito que como qualquer um que tenha o mesmo destino que o meu, comecei a vender drogas. Acho que o resto da história você já sabe... Minha história pra muitos é um lixo, e até pra mim, alguém que não conseguiu realizar nenhum sonho de infância; que prendeu a lidar com a realidade da vida. Eu amadureci muito, aprendi e hoje eu não faço questão de mais nada. Deixo a vida ir e aprendo com ela, do jeito que ela quiser;... E você?
Dara (Ri): Eu sou o tipo de mulher que andei sempre na grife, mesmo pobre, sem família, sem estrutura. Aprendi a lidar sozinha com as coisas. Que se dane família!... Fui criada por um tio, irmão do meu pai, um bêbado miserável que enchia a cara o dia todo e depois batia na mulher. Ele morava em um lugarzinho qualquer no fim do mundo, era dono de um bar. Eu trabalhava no bar, era cantada por macho o dia todo. A mulher dele, uma vagabunda. Transava com homens no nariz dele, e roubava o pouco dinheiro que ele tinha... Aquilo pra mim nunca foi vida. Pra mim era o próprio inferno. Não via a hora de sair daquele lugar. Um dia eu fugi, tinha os meus dezesseis e perdi a virgindade com um caminhoneiro que me trouxe daquele fim de mundo pra Curitiba. Aqui eu virei puta, me envolvia com caras, sempre roubando eles como podia... Até que eu virei prostituta de luxo, subi o patamar e me envolvi com gente que tinha mais grana... Então eu casei com um velho milionário. Logo ele morreu e eu roubei parte da grana que ele tinha. Foi assim que enriqueci... Mais tarde conheci o Bruno, a gente fazia alguns programas, e depois ele me apresentou o Enrique. Foi assim que me dei bem na vida, sempre pelas costas dos outros. Eu fui ganhando alguma moral entre médicos, delegados, pessoas de naipe em troca de alguns programas extra... Essa gente me ajudava a me acobertar. Era uma troca de favores... Bom, meu último caso já não deu tão certo quando eu pensei. O velho era podre de rico. Tinha grana demais. Mesmo roubando ele, eu queria mais, todo o dinheiro que eu conseguisse. Mas aí, fui pega e acabei numa cela. (Ri) Dr. Natanael Stewart... Sabe que eu até gostava dele? Fazia um sexo gostoso. Adorava ir pra cama comigo. (Ri, se recordando).
Alexia: Parece que temos algo em comum. Tivemos a mesma escola: a vida! (Se aproxima de Dara, passando as mãos pelo corpo da mulher). E você já se envolveu com mulheres?
Dara (Também começa a passar suas mãos pelo corpo de Alexia, suavemente): Sabe que foram poucas vezes?... A mãe do Bruno adorava a minha pegada! Ela me pagava pra transar com ela e um michê... Mas eu nunca fiz por diversão, ou porque queria experimentar. Só pensei em dinheiro (Coloca uma mão no pescoço de Alexia, a outra desce para as nádegas)... Talvez porque eu nunca tivesse encontrado uma mulher que me fizesse ter vontade.
Alexia: Ah é?... Uma pena que você só está me conhecendo agora.
Dara: Pena?... Eu não usaria esse termo! (Coloca o dedo nos lábios de Alexia, fazendo silêncio)... Não diga mais nada!
Dara se vira de costas, Alexia agarra-a, sob a água que molha os dois corpos colados, Alexia beija lentamente o pescoço de Dara, esta, já caindo no prazer da sedução.
Corta: Quarto
Dara está deitada na cama, aberta, nua. Alexia vem até ela; sobe em cima da mulher. As duas se beijam. Alexia pega um dos seios de Dara, desce sua língua sobre o corpo da mulher, ambas cheias de excitação, envolvidas nas relações de prazer e sedução. Têm uma tórrida noite de amor.
Vista aérea de Curitiba na transição da madrugada para o amanhecer, belas paisagens da cidade.
Cena 47/Polícia/Sala/Int./Manhã
Guerra, Fausto e Angélica discutem a operação no morro, com um mapa na mesa.
Fausto: Bom, se ela foi detectada na Santa Cruz, zona norte, é provável que ainda estejam circulando por essa região. As únicas comunidades que há nessa área é Santa Cruz e o morro da Boa Vista, que é onde devemos invadir hoje... Não podemos sair fazendo operações em lugares que aparentemente não têm nenhum vínculo com elas, principalmente agora que sabemos que elas podem estar por essas redondezas.
Guerra: Entendido. Operação de hoje: morro da Boa Vista.
Corta:
Cena 48/Batalhão de Polícia/Ext./Manhã
Os policiais se organizam em filas.
Fausto: Senhores, essas operações que informamos que estão sendo realizadas são claras! E muito bem explicadas! Nós agora não temos dúvidas que elas possam estar frequentando periferias que já tinham contato, mas ainda é muito recente voltar à Santa Cruz. Mantendo as nossas investigações, hoje, a nossa próxima operação será o morro da Boa Vista, que se localiza na mesma região e é a primeira hipótese de operação que devemos ir pós-Santa Cruz. Lembrando que o uso de armas deve ser usado somente em casos adequados, respeitando a comunidade, as pessoas que lá habitam. Desejo a todos, segurança e um bom trabalho, atenção e muito cuidado, que possamos voltar todos bem, sãos e salvos para os nossos lares!
Os policiais começam a sair. Angélica e Guerra saem também.
Corta para:
Cena 49/Passarela de acesso ao Morro da Boa Vista/Ext./Manhã.
As viaturas andam pela pista com as sirenes alertas, os cães estão com as cabeças pra fora, policiais se preparam. Os carros começam a subir o morro, em alta velocidade.
Corta para: Barraco de Alexia e Dara
Alexia e Dara ainda estão dormindo, enroladas nos lençóis.
Acordam assustadas com o barulho das sirenes.
Alexia: Como assim?... De novo?... Dara, descobriram onde estamos, vão pegar a gente!
Dara: Não vão pegar a gente! Relaxa!
Alexia (Se altera): Relaxa? Você tá louca? Eu disse que a gente não podia vir nessa merda de morro, eles estavam atrás da gente! Olha só... Tá vendo?... Tá vendo?
Dara: Se controla! Eles iam fazer isso de qualquer jeito!... Ou você acha que ia entrar em um buraco e se esconder pro resto da vida?... Esqueceu que você é fugitiva? Só vão parar de seguir a gente no inferno!... Arruma tuas coisas! A gente precisa sair daqui.
Alexia (Arruma suas coisas depressa): Droga, droga!
Dara (Pega o celular, liga pra Bruno; ele atende): Bruno? Eu vim fazer a entrega das drogas que você tinha deixado. A polícia tá invadindo o morro, a gente vai precisar arrumar um jeito de sair daqui. Eu te ligo mais tarde, vai pra fazenda e leva a grana.
Bruno: Como assim?... Vocês estão bem? Qualquer coisa me liga, o que precisar!
Dara: Fica tranquilo, a gente vai escapar. (Ela desliga o telefone)... Vamos, bora!
Alexia termina de guardar todas as coisas nas mochilas. As duas se vestem, sem seus disfarces.
Alexia: E a chave do carro?
Dara: Tá com o Tião. Ele ficou de guardar o carro e ficou com as chaves... A gente não vai poder sair daqui agora. Isso seria um tiro no pé na certa.
Alexia soca a parede, nervosa.
Corta rapidamente para:
Os policiais se organizam no morro, pegam os cães, vão saindo.
Angélica (Guerra coloca a coleira em Rex, que late para a policial): Ei garoto, ei! Hoje você fica com o Guerra, tá? A gente ainda vai trabalhar muito juntos!
Ele continua latindo, tentando ir para Alexia.
Guerra: Ei rapaz!... (Para Angélica) Eu acho que ele quer você!... Vamos juntos!
Angélica: Juntos?
Guerra: É, depois a gente se separa. (Guerra vai saindo).
De um barraco, escondido, um traficante alerta Tião com seu comunicador.
Isaias: Aí, chefe. Eles tão saindo com os cachorros.
Tião (Do outro lado da linha): Pode meter bala, parceiro. Faz o favor de avisar ‘os outro’ aí. (Desliga).
Tião (Segurando sua metralhadora): A gente vai meter bala, ninguém mexe com a gente não, maluco! (Tião começa a atirar para cima, nervoso).
Dara e Alexia chegam.
Dara: Tião, eles estão atrás de nós!... A invasão é a gente.
Tião: Calma aí, patroa. Fica de boa que desse morro tu só sai se for livre. É a minha palavra, pô.
Dara: Eu preciso das chaves do carro!... E de armas!
Tião (Gargalha): É assim que eu gosto!... Perigosa! (Coloca a mão no bolso, pega a chave, joga para ela). Iraque, pega dois brinquedinhos aí. Hoje a gente vai ter ajudinha! (Ele tira um cigarro do bolso, acende; começa a tragar).
Iraque (Traz duas armas): Aqui, chefe.
Tião: Tá na mão. Uma pra cada! Dona Dandara é fogo no olho, parceiro!
Alexia (Carrega a arma): Vamos?
Dara (Também carrega a sua; Pega o cigarro de Tião, traga; devolve): Vamos!
Elas saem.
Corta rapidamente:
Fausto e outros dois policiais trocam tiros com dois traficantes.
Um dos policiais é baleado no ombro.
Fausto olha-o rapidamente, assustado. O outro policial acerta um dos traficantes, que cai. Outro policial chega. Os três apontam para o traficante ativo, que se rende.
Fausto (Vai à direção dele, com a arma apontada): Parado aí! Sem movimento! Afasta a arma, afasta a arma!... Braço pra cima!... (Dirige-se a um dos policiais) Saulo, socorre o Cabo!
O outro policial também vai ao traficante, com a arma apontada.
Saulo (Socorrendo o policial ferido, faz comunicação): Cabo Saulo... Policial ferido, policial ferido!
Corta:
Guerra e Angélica trotam atentos, com as armas sempre apontadas para todas as direções.
Rex está fora da coleira, vai cheirando o ambiente. Ele para, começa a cheirar um ponto; rosna. Corre para uma direção.
Angélica e Guerra se olham, seguem o animal. Em velocidade, o cão sobe escadarias do morro, latindo. Dispara na frente.
Angélica e Guerra sobem a escadaria, atentos. De repente, em uma esquina, Guerra é pego por trás por um traficante, que agarra seu pescoço e aponta a arma em sua cabeça.
Angélica (Se assusta, aponta a arma para o traficante): Calma, calma!
Traficante: Calma nada, dona! Entrou aqui vai morrer sem dó e piedade!... E tu fica quietinho aí, parceiro. Hoje tu não sai daqui não.
Corta:
Alexia e Dara correm, em adrenalina.
Dara: A gente tem que procurar um lugar pra se esconder!... Entrar em qualquer barraco e esperar acabar, a gente não pode ser vista aqui.
De um lado, um policial vem em direção delas, acompanhado de um cão ainda na coleira.
Alexia e Dara rapidamente apontam suas armas.
Policial: Paradas aí e ninguém se machuca! Silêncio! (O policial se aproxima lentamente).
O animal late e rosna.
Dara e Alexia se entreolham, fazem um sinal com a cabeça.
Dara atira no policial, que acerta seu peito. O homem cai no chão. Larga a coleira. O cão sai em disparada às duas.
No próximo domingo: Parte II
Não perca as emoções finais de Os Inocentes! Um suspense policial que te deixará sem fôlego!
  • Confira o que estará rolando:
  •  
Guerra é baleado em uma das operações.
Angélica e Guerra se aproximam mais.
Constance assassina Romero.
Bruno é denunciado por corrupção.
Constance enterra o corpo de Romero.
Alexia pensa em roubar Dara.
Bruno é esfaqueado.
Enrique é encontrado morto em seu carro.
...Gostou?... Tem muito mais por vir!
Próximo domingo, as emoções finais de Os Inocentes.
Um mundo de relações perigosas. O que pode provar a sua inocência? Não se torne um prisioneiro de suas próprias ilusões.



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