

Percebendo
que a conversa tomaria um rumo mais pesado ela resolveu ir conversar com Manoel
em uma praça perto de casa.
Iná: Venha comigo até a pracinha. Lá
conversaremos melhor.
Manoel: Que seja!
Chegando
lá ela é objetiva:
Iná: Afinal de contas, o que você quer?
Manoel: Eu quero saber por que você não me
falou que estava gravida no passado?
Iná: Por que você me odiava, achava que eu
queria seu dinheiro, me tratou como um lixo algumas vezes.
Manoel: Mas eu tinha direito!
Iná: Eu ia te contar, Manoel! Assim que a
criança nascesse eu ia te contar, até porque ela teria direitos como filha sua.
Eu tinha combinado com a sua mãe.
Manoel: Combinado com a minha mãe? (risos
irônicos)
Iná: Combinado com ela, sim!
Manoel: Você tinha que ter falado era
comigo, Iná!
Iná: Você sempre foi um playboy mimado e
que viveu na barra da saia da dona Odete! Achei mais sensato falar com ela. Ela
me convenceu a falar com você após o nascimento da criança. Não queria que você
achasse que eu queria atrapalhar seu casamento com aquela tal de Bárbara. Mas a
criança não nasceu!
Manoel: Você fez a pior burrada da sua
vida! Das nossas vidas! Você foi idiota!
Iná: Você veio aqui pra me xingar? Você
não casou com a Bárbara? Já deve ter outra família, assim como eu constituí a
minha. A filha que teríamos juntos NÃO NASCEU! (gritando)
Manoel: NASCEU SIM! (Diz Manoel totalmente
alterado, chamando a atenção de pessoas que passavam pelo local)
Iná: O que você está dizendo?
Manoel: Eu conheci a enfermeira que te
auxiliou no parto. Ela me confessou que trocaram a nossa filha por um bebê que
de fato morreu pouco tempo depois. A minha mãe queria o tempo todo era dar um
sumiço nesta criança.
Iná
fica paralisada com o que Manoel lhe conta.
Iná: Não...você não pode estar falando a
verdade.
Tendo
um pouco de tontura ela quase cai e é amparada por Manoel que resolve lhe levar
pra casa.
Manoel: Iná, acorda. Ai, meu deus. Só
falta mais uma morrer também!
Chegando
lá Vitor e Priscila se assustam com a mãe e ficam com raiva do homem que
possivelmente causou tamanho estresse.
Vitor: O que o senhor fez com a minha mãe
pra ela ficar assim? (ríspido)
Manoel: Ela vai contar a vocês depois. Eu
vou embora. Aqui está o meu e-mail e telefone se você quiser falar comigo
depois, Iná.
Priscila
permanece dentro do quarto buscando algo que pudesse reanimar a mãe e não vê o
rosto do homem que estava em sua casa.
Iná: Manoel, uma última pergunta antes de
você ir embora. Você já viu a sua mãe depois que descobriu tudo isso?
Manoel: Minha mãe morreu faz dez anos,
Iná.
Dizendo
isso Manoel deixa a casa de Iná, enquanto ela vai para o quarto chorar. Vitor e
Priscila ficam aflitos, pois não entendem nada do que está acontecendo.
Vera,
Tatiana e Tiago tomavam café da tarde em casa.
Vera: Tatiana, você pode fazer um favor
pra mim?
Tatiana: Claro.
Vera: Vai lá na sua tia Terezinha e veja
algumas panelas que eu deixei lá. Vou fazer um estrogonofe pra gente hoje.
Tatiana: Opa, estrogonofe da dona Vera a
gente não nega. Vou sim, já volto.
Tatiana
sai.
Tiago: Já se acertaram?
Vera: Não consigo ficar muito tempo brava
com vocês.
Tiago: A Tatiana é estranha. Sei lá de
quem ela herdou esse gênio ruim. Eu sei que o pai era explosivo pelo que a tia
Terezinha falava.
Vera: O Marcos? Era igual o Mateus. Colocava
uma ideia na cabeça e nunca tirava.
Tiago: Mãe, nunca deu nada mesmo a
história da morte do pai? Nenhuma investigação?
Vera: Ah, Tiago. Sabe como é neste país. A
justiça é pra todos, mas alguns são mais “todos” do que outros. (Vera faz sinal
de aspas com as mãos).
Tiago: Ele se meteu com gente poderosa,
não é?
Vera: Um patrão dele. Nunca entendi
direito. Burrada. Não quero falar disso. Quero saber como está a faculdade.
Tiago: Está ótima. Deixa eu te mostrar uns
trabalhos que eu fiz...
Corta
a cena com a música Senhor do Tempo (Charlie Brown Jr.) de fundo enquanto Tiago
mostra seus trabalhos para Vera.
No
dia seguinte, quando Iná finalmente sai do quarto, Vitor resolve perguntar a
mãe o que aconteceu:
Vitor: Mãe, por favor, fala o que está
havendo. O que aquele cara te disse que te deixou tão triste?
Iná: Lembra que eu disse que na juventude
eu tinha ficado grávida, mas o bebê nasceu morto?
Vitor: Sim, isso foi antes de você
conhecer o pai. Lembro sim, você sempre fala desta história, diz que ficou
feliz quando eu nasci e mais ainda quando a Priscila nasceu por ser uma menina.
Mas o que aconteceu?
Iná: Este moço que esteve aqui ontem era o
pai deste bebê.
Vitor: Sério? Mas você disse que ele não
chegou a saber.
Iná: Foi tudo armado, meu filho. A mãe
dele me convenceu a não falar porque no fundo queria era sumir com a criança.
Ela trocou a minha filha por outra que nasceu morta no mesmo hospital.
Vitor: Mãe! Não acredito. Esta guria deve
estar viva então. Deve ter uns vinte e quatro anos!
Iná: Me privaram de criar a minha filha,
Vitor! Irmã de vocês!
Vitor: Vamos procurá-la! Ela talvez nem
saiba disso! Vamos atrás dela!
Iná: Claro, mas eu preciso digerir esta
história melhor.
Vitor: O Manoel deixou contato dele. Acho
que ele também quer encontrar esta criança que agora é uma mulher. Acho que
deveríamos contar com a ajuda dele.
Iná: Não gostaria, mas ele é pai e tem
direito de saber quem é a guria, já que eu fiz a burrada de confiar na mãe dele
no passado. Como eu ‘to’ me sentindo idiota. E ainda tinha a Vânia que me dava
apoio pra isso! Ela com certeza estava ajudando a dona Odete a me convencer!
Vitor: Mãe, esquece estas pessoas agora,
vamos nos focar no principal que é encontrar a sua filha. Vamos procurar no hospital,
ir fazer uma busca ou apelar para a televisão se necessário!
Iná: Tudo bem, filho, mas não agora, eu
ainda preciso descansar mais. Ainda bem que ainda estou de férias esta semana!
Você marcou consulta com o "gastro"?
Vitor: Ainda não. Vou lá no começo do
próximo mês.
Iná: Não deixa pra mais tarde não. Lembra
do seu pai?
Vitor: Vira essa boca pra lá.
Iná: Mas, vocês têm predisposição para
doenças no estômago. Vá ver isso logo.
Vitor: Tudo bem. Agora descanse. Eu vou
pra faculdade.
Iná: Vá bem, filho. Te amo.
Vitor sai do quarto da mãe
e ao encontrar a irmã na faculdade conta toda a história.
Priscila: Então agora a dona Iná vai
procurar a filha sumida? Se eu já não tinha muita relevância para ela é agora
que não vou ter mesmo.
Vitor: Como você é injusta com a mãe! Ela
sempre teve amor por você, sempre te tratou como princesa e você fica aí com
essas idiotices. Não te entendo!
Priscila: Para com isso, é nítido que ela
sempre gostou mais de você.
Vitor: Começou... tava demorando.
Priscila: Só estou falando a verdade
Vitor: Pensei que você ia se animar com a
chegada de uma nova irmã, mas pelo visto vai ficar mais azeda do que já é. Eu vou
pra minha aula que eu ganho mais.
Priscila: Isso, vai embora mesmo,
protegido da mamãe.
Iná resolve sair do estado de inércia em
que se encontrava e liga para Manoel.
Iná: Alô, Manoel. Pode falar? Podemos nos
encontrar de novo? Acho que precisamos conversar muito ainda.
Manoel: Que bom que você me ligou. Vamos nos
encontrar sim! Vou te mandar por mensagem aonde você deve me encontrar. Esta história
está pendente a anos! Abraços e até mais.
Manoel
desliga e é surpreendido por Bárbara.
Bárbara: História pendente a anos? Quem
era no telefone, Manoel?
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