DESTINO - Capítulo 04: Poucas palavras e muitos destinos mudados


Vera é pega pelo braço por Terezinha que chorando diz a amiga:
Terezinha: Você está pensando o que? Que vai resolver algo? O Mateus precisa de você!
Vera: Eu não vou aguentar essa vida! Eu tentei fazer aborto numa clínica clandestina ontem, mas não consegui. Odiei aquele lugar. Fiquei sabendo que uma mulher que frequentava a congregação que eu ia morreu tentando fazer um. Eu não vou conseguir ser uma boa mãe pra essas crianças.
Terezinha: Olha pra mim: VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHA! EU SEMPRE ESTAREI COM VOCÊ! Você foi a irmã que eu ganhei nessa vida. A irmã que eu não tive e nós vamos superar isso juntas! Vamos criar nossos filhos juntas e vamos dar um destino pra eles e pra nós!
Totalmente emocionada as duas se abraçam e voltam para a casa, prometendo que seguirão firmes juntas, uma dando apoio para a outra.

Imagens de transformações na paisagem de Curitiba passam para o público: a construção do Museu Oscar Niemeyer, as reformas na Arena da Baixada, os novos conjuntos habitacionais na Cidade Industrial.

Vinte e quatro anos se passam, saltamos de 1992 para 2016 e outras histórias tomam a vida de nossos personagens. Na passagem de fase Mateus aparece em sucessivos aniversários da infância à fase adulta. A cada nova fase da vida de Mateus um semblante mais triste e com ódio era observado.
Os destinos de Lívia e Mateus se cruzaram e agora eles são marido e esposa.
Lívia e Mateus estão na sala assistindo TV quando o telefone toca. Lívia verifica se tratar do hospital. Ao desligar Mateus pergunta a esposa:
Mateus: O que aconteceu? Ligaram do hospital.
Lívia desabando em choro fala ao marido:
Lívia: Sim. Minha mãe não passa dessa semana, Mateus!
Mateus: Eles disseram isso pelo telefone?
Lívia: Não, mas eu sou médica também, sei como são estas situações. Eu preciso ficar com ela o máximo que eu puder nesse fim de vida dela. Você me leva ao hospital?
Mateus: Claro, amor. Vamos tomar um banho e aí vamos.
Arrumaram-se e seguiram em direção ao hospital, chegando lá Lívia e Mateus ficaram ao lado de Helena até a hora em que ela acordou.
Helena: Minha filha, você por aqui. Que bom que você veio.
Lívia: Minha mãe, te amo tanto.
Mateus: Eu vou deixar vocês duas a sós e vou aproveitar para dar uma passada na casa da minha mãe.
Helena: Bem você faz, Mateus. Mande um abraço a ela. Uma pena eu só ter a conhecido depois do seu casamento com a Lívia.
Lívia: Mas a gente nem fez festa, mãe. Não era necessário.
Helena: Eu sei que a culpa é minha. Eu já estava muito doente e vocês não queriam me desgastar. Me desculpe.
Mateus: Claro que não, dona Helena. Nós apenas não temos essa tradição, somos de outra geração. Bem, eu vou indo.
Mateus se despede com um beijo em Lívia e um beijo na mão de Helena.

Pouco tempo depois Mateus se despediu das duas para ir à casa da sua mãe e deixou Lívia e Helena a sós.
Helena: Lívia eu sei que logo vou partir.
Lívia: Mãe, por favor....
Helena: Me deixa falar. Eu te peço. Eu preciso que você saiba a verdade sobre você.
Lívia: Verdade sobre mim? Como assim?
Helena: Eu te amo mais do que tudo nesta vida. Você é minha filha do coração. A filha que eu não pude trazer ao mundo, mas Deus me deu a chance de criar.
Lívia: Como assim, mãe?
Helena: Lívia, você é adotada.




Mateus Chega à casa de Vera.:
Mateus: Oh de casa, tem janta pronta pra mim?
Vera: Meu filho! Que surpresa boa! (Disse Vera abrindo um sorriso enorme)
Mateus: Tudo bem com a senhora?
Vera: Tudo bem, melhor agora com a sua presença.
Mateus: E a tia Terezinha? Tá na casa dela?
Vera: Ela saiu com o Lucas pra comprar uns ingredientes que estão em falta no nosso restaurante. Ele viaja hoje pra Minas Gerais de novo, acho que só volta quando o ano letivo na faculdade acabar.
Mateus: E a Tatiana e o Tiago, estão aonde?
Vera: Tatiana está no banho e o Tiago está no quarto dele estudando. Vai lá dar um oi pra ele.
Mateus: Se ele não for rude comigo.
Vera: Não custa nada tentar.

Mateus bate na porta do quarto do irmão que ao ver fala:
Tiago: Ah, é você.
Mateus: Posso entrar?
Tiago: Entra.
Mateus: Tá estudando o que?
Tiago: Na verdade estou fazendo um trabalho de topografia no CAD.
Mateus: Tá curtindo a faculdade?
Tiago: Estou.
Mateus: Você vai ficar me dando resposta curta assim ou vai falar comigo direito?
Tiago: Se você não estiver satisfeito pode sair.
Mateus: Você realmente não ajuda mesmo, Tiago.
Tiago: Mateus, eu não sou obrigado a falar com alguém que casa com uma pessoa por interesse financeiro.
Mateus: Para de falar merda, mano.
Tiago: Se é merda, por que você não pediu separação total de bens?
Mateus: Esquece, brother. Você tem uma ideia fixa em relação a mim.
Tiago: Que a cada dia mais se confirma.
Mateus: Só te digo uma coisa: você não conhece metade da história.
Neste momento entra pela porta sem bater a irmã de Tiago e Mateus:
Tatiana: Mateus! Que saudades! Como você está?
Mateus: Estou bem, Tatiana. Vai sair?
Tatiana: Vou sim, mas antes vim te dar um oi. Você está com uma cara de abatido.
Mateus: Estava até agora no hospital. Minha sogra está muito doente e deve morrer em breve.
Tatiana: Puxa, Mateus, meus sentimentos.
Tiago: E até parece que ele liga pra isso. (Tiago fala interrompendo a conversa dos irmãos)
Tatiana: Venha Mateus, o Tiago está muito estressado com a faculdade.
Tiago: A faculdade é o que me acalma, o que me irrita é ver dois irmãos interesseiros e que não honraram a educação que a nossa mãe deu.

Enquanto isso no hospital.
Lívia: Como isso, mãe? Vocês nunca me falaram isso.
Helena: Eu sei, minha filha! Eu já tinha perdido três crianças e não iria mais poder engravidar e então surgiu você e...
Lívia: Surgi? Como?
Helena: Tua mãe biológica te teve aqui mesmo no hospital, mas foi embora dando documentação falsa. Ela queria te abandonar e eu te vi e tive certeza que era meu destino...e...
Lívia: Mãe?
Helena: Eu te amo, Lívia.
Lívia: Eu também te amo, mãe... mãe, não vai agora não...mãe, por favor...mããããããe..
Helena morre nos braços de Lívia.

Mateus e Tatiana saem do quarto de Tiago e vão conversar na sala. Lá, Tatiana cobra uma antiga promessa do irmão:
Tatiana: Mateus, você disse que conseguiria um emprego pra mim no hospital. Me ajuda, as coisas estão difíceis hoje no país e eu não arranjo nada nas entrevistas em que participo.
Mateus: Eu ainda tenho que ver, não abriu nenhuma vaga, mas assim que abrir eu já te encaixo. Lembre-se, eu sou marido da futura dona e não dono do hospital. Não ainda.
Neste momento o celular de Mateus toca:
Mateus: Lívia? Tudo bem?
Lívia: Não. Não está tudo bem. Você pode vir ao hospital?
Mateus: Claro, meu amor.

Mateus se despede da família de maneira rápida e vai ao encontro de Lívia. Vera aproveita que o filho foi embora e repreende Tatiana:
Vera: Pare de ficar enchendo a cabeça do seu irmão com essa história de emprego no hospital!
Tatiana: Por que? Se ele vai ser dono de lá qual é o problema de eu ter alguma vantagem?
Vera: Por mim ele não teria se casado com a Lívia.
Tatiana: Por que você não gosta da Lívia?
Vera: Eu nunca disse que não gosto da Lívia! Eu disse que não gosto desse casamento.
Tatiana: Por que? Só por que ela é de família rica e o Mateus não? Que besteira, mãe. Sabe qual é o problema da senhora e do Tiago? É que vocês tem espírito de pobre mesmo, nasceram assim e quando chegam perto de gente como a Lívia se sentem inferiores.
Vera: O que você está dizendo, garota?
Tatiana: É isso mesmo! Vocês não tem ambição. Quando fazendo algo tem que ser com muito sacrifício, suor e trabalho. O Mateus está certo, estudou, lutou pra ter uma graduação, mas aproveitou também as oportunidades. Palmas para ele que não se acomodou! Sabe o que a senhora deveria ter feito? Dado um golpe do baú! Engravidado de algum milionário. Sei lá, feito algo pra não terminar como está terminando!
Neste momento, enfurecida, Vera dá dois tapas na cara de Tatiana e a joga contra o sofá da sala e inicia uma surra que só acaba quando Tiago separa.
Tatiana: Mãe, para. Você tá me machucando!
Vera: Você nunca mais repita o que você disse sua ingrata! Eu batalhei muito pra dar um teto e comida pra vocês!
Tiago: Mãe, se acalme, você está muito estressada. (disse Tiago)
Vera: Saia da minha frente, Tatiana! Saia!
Tatiana vai para o quarto e Vera desaba a chorar no colo do filho. E fica se perguntando:
Vera: Vocês nasceram no mesmo dia, foram criados igualmente por mim e pela tia de vocês. Onde foi que eu errei com a Tatiana, meu filho?
Tiago: A Tatiana é daquelas pessoas que só aprendem com a vida, mãe. Você foi e é uma ótima mãe.

Mateus chega ao hospital
Mateus: Cheguei o mais rápido que pude, Lívia. Por que você está chorando?
Lívia: Vamos sair daqui, Mateus. Preciso ficar num lugar a sós com você.
Mateus: Você não vai me adiantar o que aconteceu?
Lívia: A minha mãe morreu! Será que não é visível isso? (gritando)
Mateus: Desculpa, amor. Eu pensei que você estivesse preparada para o pior, como você mesma havia me dito. Desculpa se fui frio. Achei você mais desesperada do que o imaginado.
Lívia: Você tem razão. Não é apenas a morte da minha mãe. Vamos sair do hospital. Vamos pra casa. Lá eu te conto tudo.

Mateus e Lívia saem do hospital e vão para casa. Demorando 15 minutos entre choros, soluços e copos d’água Lívia finalmente se sentiu um pouco melhor pra falar:
Lívia: Eu vou te contar o que aconteceu.
Mateus: Sua mãe morreu na sua frente, eu já entendi tudo. Não é fácil pra você. Não precisa me contar nada, Lívia.
Lívia: Não foi só isso. Ela conversou comigo antes de morrer. Eles não tinham o direito de me esconder o que me esconderam!
Mateus: E qual é o segredo que ela contou?
Lívia: Eu não sou filha deles!
Mateus: Como?!
Lívia: Eu não sou filha do Eugênio e da Helena! Eu fui adotada assim que nasci!
Mateus fica visivelmente incomodado com a notícia.

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