Oito longos anos se passaram desde a ultima vez que Joaquim virá Isabel pela ultima vez, assim como prometido toda noite de luar ele tocava uma musica para a lua enquanto pensava em sua morena. Quase todos os dias lembrava de sua amada, ao olhar a serra, ao ver um pássaro cantar, quando via uma bela flor, ou quando simplesmente olhava as estrelas, suas musicas sempre era lamentos apaixonados, ousou escrever algumas canções e compor melodias se inspirando nos cabelos negros de Isabel e em sua pele branca e sedosa.
Ainda estava fresco em sua memoria o cheiro embriagador de rosas que ela tinha, o som de sua risada, os doces suspiros que ela soltava quando o via. Joaquim se tornou o melhor boiadeiro da região, sempre havia trabalho, os fazendeiros disputavam seus serviços, se aventurou por terras distantes em busca de emoção, atravessou o rio Araguaia cheio de piranhas, arrumou algumas encrencas pelas estradas do sertão, aprendeu a lutar como homem, se tornou bravo e valente, não temia nada, mas respeitava a morte, por vezes Joaquim ficou de cara com a morte, mas ele não se permitia morrer, prometeu que esperaria por ela.
Se enrabichou com algumas mulheres, mas nunca permitiu que elas tocasse seu coração, elas apenas esquentava sua cama em noites solitárias e frias, seu coração pertence a apenas uma mulher, um morena delicada que dominava sua mente e sua alma.
Joaquim estava em uma comitiva, tocando um rebanho vindo de uma fazenda as margens do rio Araguaia, os boiadeiros tomavam cachaça em volta do fogo para rebater a friagem, a noite era fria devido a forte ventania. Ernesto preparava um caldo de mandioca com carne seca, todos estão famintos e com frio, vida boiadeiro não é fácil, Joaquim se sentia entorpecido por seus sentimentos que nem se importou com a fome ou com frio, o moço esfregou as mãos para esquentar os dedos, pegou o viola e começou a tocar uma melodia triste, enquanto o fogo crepitava, os boiadeiros da comitiva já se acostumaram com sua melancolia, já fazia parte dele.
No outro dia cedo, Joaquim montou em seu cavalo cor de brasa filho do primeiro potro que ele domou, batizou o cavalo de Ventania, seu alazão era muito esperto não aceitava outro em sua guia. Joaquim tocou o berrante para acordar a boiada, estavam quase chegando em casa, mais um dia de viagem até Santa Luzia, Joaquim já estava com saudades de casa, á três meses não via sua tia.
No final do dia quando o sol se escondia atrás da serra chegaram em casa, Joaquim sorriu amargurado, as lembranças de Isabel o dominaram, não poderia deixar de se sentir animado por estar em casa, mas quando estava em casa a saudade batia forte, para qualquer lado que olhasse se lembrava dela.
Se perguntou por vezes como um homem pode viver assim e não enlouquecer de saudades, mas matinhas esperanças de que um dia ela iria voltar.
Se perguntou por vezes como um homem pode viver assim e não enlouquecer de saudades, mas matinhas esperanças de que um dia ela iria voltar.
Sua tia Angelina veio recebe-los alegre com um sorriso no rosto como sempre fazia, depois da recepção Joaquim tomou um banho, fizeram uma boa refeição que a muito não faziam, antes de se deitar mais uma vez Joaquim contemplou as estrelas. No outo dia montou no cavalo e foi para a venda no vilarejo comprar algumas provisões que sua tia encomendou.
Quando chegou, viu a cidade toda decorada, a festa de São João seria no final de semana, faltavam apenas dois dias. Chegando na Mercearia Martins, do Sr. Francisco, a filha dele Inês veio alegremente atender Joaquim.
Inês é uma moça bonita com cabelos cor de mel encaracolados e olhos da mesma cor, o rosto formoso, lábios carnudos e curvas generosas, ela deveria ter 18 anos, estava a procura de um marido, Inês sorriu para Joaquim e se debruçou no balcão para que ele tivesse uma vista privilegiada de seus seios.
– Olá Joaquim, em que posso ajuda-lo? – Perguntou a moça, com a voz sedutora, mas Joaquim a ignorava, sabia que Inês é moça de família ele não se envolve com moças, somente com mulheres que pode dormir apenas por uma noite. Joaquim passou a lista para Inês, ela o atendeu prontamente.
Ele se apoiou no balcão e ficou olhando a rua, então passou um carro barulhento, viu dois homens e uma mulher dentro do carro, passou muito rápido e não pode distinguir quem eram, poucas pessoas tem carro na região, os meios de transportes são cavalos, carroças e carros de boi, Joaquim ficou intrigado
– De quem é esse carro ? – Perguntou para Inês que sempre sabe tudo que acontece na cidade.
– O carro é do filho do Sr. Jacinto de Andrade, dizem que os filhos voltaram de São Paulo vão passar as férias, ouvi falar que o filho mais velho vai ficar por aqui, agora que terminou os estudos. – O sangue de Joaquim congelou nas veias, será que enfim Isabel estaria de volta depois de tanto tempo?

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