Os Anos da Dor: Capítulo 10




CENA 01 - Sala restrita / Estação / Manhã / Int.

Giorgio - Não, eu já estou indo embora, quero conhecer a cidade, procurar algo para fazer.
Segurança - Então tchau, boa sorte e tomara que consiga o que procura
Giorgio - Adeus! Muito obrigado mesmo pela ajuda que você me deu

 

CENA 02 - Coimbra / Centro / Manhã / Ext.

*Giorgio anda pela cidade em busca de lugares pra ficar e acaba esbarrando numa moça*

Giorgio - Opa, desculpe-me!
Ângela - Tudo bem, o que estás procurando? Percebi que estás um pouco avoado...
Giorgio - Eu estou procurando algum trabalho, sou novo nessa cidade, cheguei há um dia e dormi em na estação central.
Ângela - Que coincidência, eu também não conheço muito a cidade, venho de Lisboa.
Giorgio - Desculpe falar com você assim sem me apresentar, me chamo Giorgio, e você?
Ângela - Sou Ângela, prazer em conhecê-lo!
Giorgio - Igualmente.
Ângela - Voltando ao assunto inicial, você está atrás de emprego, certo? Pois bem, meu pai é dono de um comércio em Lisboa, posso falar com ele para que ele consiga um serviço pra você.
Giorgio - Isso seria ótimo!
Ângela - Eu estou hospedada aqui no centro mesmo, logo naquele hotelzinho da esquina, me procure amanhã e nos falamos mais, tudo bem?
Giorgio - Certo, até mais ver.
Ângela - Até!

*Ângela não percebe um bonde vindo em sua direção ao atravessar a rua*

Giorgio (Gritando) - Ângela!

*Giorgio corre e a salva de um atropelamento*

Ângela - Muito obrigada mesmo!
Giorgio - Não há de quê!

*Os dois se olham fixamente*

CENA 03 - Budapeste / Estação / Manhã / Ext.

*O trem de Gus e Olivya chega à Budapeste*

Gus - Enfim chegamos, não aguentava mais aquele trem e os seus berros irritantes!
Anna - Mas o que o senhor vai fazer aqui, papai?
Gus - Procurar um lugar pra gente ficar e para eu cuidar de você melhor!

CENA 04 - Budapeste / Centro / Manhã/ Int.

*Gus vê uma banca de jornais e vai em direção à ela e percebe que há um senhor vigiando*

Gus - Senhor! Deixe-me ver esses jornais por obséquio.
Senhor - Pode olhar à vontade, mas precisa pagar se quiser levar para fora daqui!
Gus - Tudo bem, muito obrigado senhor.

*Gus começa a folhear o periódico e lê uma oferta de emprego*

“Vagas para vendedor de pães na confeitaria da Senhora Sasha, oito horas por dia e salário de 550 florins”

Gus - Mas este parece perfeito para mim!

~ UM DIA SE PASSA ~

CENA 05 - Coimbra / Centro / Manhã/ Ext.

*Giorgio vai em direção ao hotel em que Ângela está hospedada e a encontra na porta*

Giorgio - Já está aqui? Mas tão cedo da manhã?
Ângela - Resolvi sair cedo, estava precisando tomar um ar. Onde você ficou esta noite?
Giorgio - Eu fiquei num hotelzinho perto daqui, só por esta noite mesmo.
Ângela - Quer ficar nesse hotel comigo? Eu estou com muito dinheiro e eu pago pra você.
Giorgio - Muito obrigado, eu aceito!
Ângela - Vamos naquela padaria ali, nós precisamos conversar um pouco e nos conhecer melhor.
Giorgio - Tudo bem

*Os dois caminham em direção à padaria*

CENA 06 - Padaria / Manhã / Int.

*Os dois se sentam nas mesas*

Garçom - Bom dia, senhores! O que desejam?
Giorgio - Vamos tomar só um café mesmo. Nos traga dois cafés com açúcar, por favor.
Garçom - Tudo bem, dois cafés com açúcar.
Giorgio - Obrigado.
Garçom - Disponha, já irei trazê-los.

*Ângela e Giorgio começam a conversar*

Ângela - Então, me conte como chegou aqui.
Giorgio - Bem, é uma história meio longa, mas tentarei contar com detalhes.
Ângela - Tudo bem, estou te ouvindo
Giorgio - Assim, há dois anos e alguns meses, eu fui levado à um campo de concentração junto com minha melhor amiga Anna, nós morávamos em Budapeste e fomos levados à este campo na Polônia. Antes de nos levarem, mataram a senhora que cuidou de mim desde que perdi meus pais e também o pai de Anna, baleados por soldados que arrombaram nossa casa. Fomos levados de trem ao campo, e lá descobrimos que além de amizade havia outro sentimento entre nós dois e a partir disso nos declaramos um para o outro e começamos a namorar, quando chegamos no campo, conhecemos um garoto chamado Gus, que se tornou nosso melhor amigo, nos trancaram em celas separadas, mas fiquei junto de Gus, Anna acabou ficando sozinha, mas uma noite, Anna conseguiu se infiltrar em nossa cela e dormir com a gente, nessa noite eu e ela acabamos fazendo amor enquanto Gus dormia, oito meses depois nós tivemos uma filha chamada Olivya, que nasceu dentro da cela, mas não podíamos ficar com ela, então foi levada por um soldado, dois anos depois, Anna acabou morrendo de uma doença misteriosa e queimaram o seu corpo, logo depois conseguimos fugir daquele inferno, eu fui procurar minha filha e pedi para que Gus fizesse o mesmo, apanhei um trem e vim parar aqui, e não vou descansar nunca enquanto não tiver minha filha nos meus braços.
Ângela - Meu Deus, então você tem um passado bem melancólico pelo visto, não é mesmo.

*A conversa é interrompida pelo garçom*

Garçom - Seus cafés, senhores.
Ângela - Obrigada.

*Os dois retomam o assunto*

Ângela - Bem, como eu ia dizendo, seu passado é bem melancólico.
Giorgio - Exatamente, mas não vou me deixar esmorecer enquanto não tiver minha filha comigo, mesmo que seja a última coisa que eu faça antes de morrer!
Ângela - Fique tranquilo, pois eu sempre estarei com você nessa sua jornada.

• A imagem congela nos dois se olhando e fica em preto e branco •

GANCHO











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