DESTINO - Capítulo 19: Eis que nasce Maria do Socorro










Lívia levanta da cama com muita pressa e pega o papel da mão de Mateus. Se certifica de que o papel é verdadeiro e fala ao marido:
- Maria do Socorro dos Santos?
Mateus: É o nome que está aí. O problema é que é um nome muito genérico, difícil de encontrar. E vai que está falsificado, sei lá, que a sua mãe biológica não quis se identificar.
Lívia: Mas, eu vou procurar mesmo assim. Meu pai tinha amigos influentes na polícia e quem sabe pode me ajudar.
Mateus: Lívia, o que conversamos sobre não envolver polícia nisso? Deixa que eu contrato um detetive particular.
Lívia: Pode ser, mas eu quero acompanhar tudo de perto.
Mateus: Com certeza, minha querida. Vamos fazer tudo juntos, como sempre fizemos desde o começo.
Lívia: Bom, vamos para o hospital então? Preciso distrair minha cabeça e o trabalho vai ajudar.
Mateus: Eu vou mais tarde.
Lívia: Por que?
Mateus: Eu queria conversar com a minha mãe. Tive uma discussão com ela e não vou conseguir trabalhar bem se continuarmos de mau um com o outro.
Lívia: Isso, amor. Vá encontrá-la. Eu não entendo a sua mãe, ela nunca gostou do nosso relacionamento. Até no dia em que meu pai foi assassinado e você também levou um tiro no braço ela não quis vir aqui pra prestar solidariedade à nós. Não sei como você tem paixão por esta mãe.
Mateus: Lívia, entenda, minha mãe sempre foi muito reclusa, na dela. Ela não te odeia, apenas tem dificuldade de se conversar com os outros depois que meu pai morreu.
Lívia: Tudo bem, Mateus. Eu não vou te questionar, acho que você está certo em tentar se dar bem com a dona Vera. Eu vou ao trabalho, me encontre lá antes do almoço, quero te levar para o meu exame hoje. Vamos descobrir juntos o sexo do nosso bebê.
Mateus: Que maravilha, Lívia. Com certeza irei com você, meu amor.
Lívia: Até depois, beijos.

Lívia sai de casa e Mateus antes de sair acaba ligando para Bárbara.
Mateus: Bárbara, está sozinha aí?
Bárbara: Sim, o Manoel ainda não voltou pra casa e a Ellen já foi pra faculdade, por que?
Mateus: Vai preparando a Vânia. A ficha falsa foi entregue nas mãos da Lívia.
Bárbara: Como é que é? Você fez isso já? A gente ia preparar a Vânia ainda, Mateus!
Mateus: Não deu pra segurar, eu quero de uma vez por todas acabar com essa esperança dela reencontrar os pais.
Bárbara: Mas, como eu vou fazer isso pra logo?
Mateus: Se vira, foi sua a ideia. Quero até o fim desta semana a Lívia tendo chego à Vânia se passando por Maria do Socorro.
Bárbara: Você acha que eu sou sua empregada? Você vai mandar e eu fazer?
Mateus: Eu estou mandando sim, já fiz a minha parte inicial no trato e agora é com você. Se não quiser fazer, tudo bem. Uma hora ou outra ela chega no seu marido e na Iná e adeus o seu casamento que já não é lá aquelas coisas. A escolha é sua.
Bárbara: Tá bem, eu vou falar com a Vânia. Não vou dar esse gostinho pro Manoel e pra suburbana de reencontrarem a filha.
Mateus: Ok. Preciso sair agora.
Bárbara: Vai pro hospital fazer a cabeça da Lívia?
Mateus: Isso eu já fiz, vou pra outro lugar agora.
Bárbara: Certo. Depois te ligo pra avisar sobre o que decidimos. Até mais.
Mateus: Até.

Mateus sai de casa e vai ao velório de Fernanda. Ele chega no local e sem conhecer ninguém da família da amada ele se aproxima do caixão e começa a chorar sem parar. Num momento ele beija o rosto gélido de Fernanda e diz em voz baixa:
- Eu prometo pela gente que agora eu vou até o fim desta história! Eu vou deixar a Lívia na miséria!
Mateus não chega a ficar nem dez minutos no local e se retira. Quando estava saindo, uma mulher o aborda. Se trata da tia de Fernanda, Águida, que não reconheceu o moço:
- O senhor, quem é?
Mateus: Eu? Meu nome é Mateus. Sou um amigo da Fernanda. Fazia um tempo que não a encontrava, mas gostava muito dela.
Águida: Obrigada pela presença. A Fernanda era uma menina muito especial pra gente.
Mateus: A senhora poderia me contar o que realmente aconteceu com ela? Fiquei sabendo por amigos no facebook que ela havia morrido.
Águida: Parece que ela teve traumatismo craniano, deve ter caído no apartamento. Uma moradora ainda tentou levá-la ao hospital, mas os médicos não conseguiram salvá-la e pra piorar ela teve convulsões. Difícil acreditar que uma moça de 26 anos teve um fim tão triste, mesmo cheia de vida pela frente. Ainda mais agora que ela seria mãe.


Mateus: Mãe? Como assim?
Águida: Você não deve saber porque faz tempo que não falava com ela, mas ela descobriu no início da semana passada que estava grávida, só que ninguém sabe quem era o pai da criança, porque ela mesma nunca assumiu namoro com ninguém. Você não saberia me dizer quem é? Se algum amigo de vocês?
Mateus: Desculpe, dona...
Águida: Águida. Sou tia dela.
Mateus: Então, dona Águida. Não saberia dizer mesmo. Enfim, eu preciso ir trabalhar, já estou atrasado.
Águida: Obrigada pela presença, meu rapaz. Vá com Deus.

Mateus fica consternado ao saber que Fernanda estava esperando um filho dele, o que aumenta a raiva em relação à Lívia, por culpá-la pela morte da amada em virtude de ela ser a causa da discussão no momento da morte de Fernanda.

Chegando ao hospital ele encontra Lívia que o aborda.
Lívia: Mateus, uma coisa bem ruim aconteceu. Fiquei sabendo que uma moça que deu entrada ontem no hospital e acabou falecendo estava grávida.
Mateus: Sim, eu já sei disso. (Diz Mateus de maneira fria)
Lívia: Por que essa grosseria, Mateus?
Mateus: Desculpa, não consegui conversar com a minha mãe. Ela tinha saído pra comprar coisas pro restaurante.
Lívia: Tudo bem, mas eu não tenho nada a ver com isso.
Mateus: Ok, meu amor, me perdoe. Eu me excedi. Além disso, tem a dona Carmem, copeira do hospital, que não está reagindo ao tratamento contra a infecção generalizada que ela contraiu num hospital público e eu estou bem chocado. Você ficou abalada com a morte dessa moça, Lívia?
Lívia: Sim, eu me coloquei no lugar dela. Imagina se acontece algo comigo agora e além de mim a gente perde o nosso filho?
Mateus: Ainda bem que está tudo bem com você. Eu vou para a minha sala.
Lívia: Ah, sua irmã está aí. Está na sala do Bruno.
Mateus: Deve ter vindo ver a vaga de assistente que o Bruno precisa preencher pra ontem.

Bruno: Então você é a Tatiana, irmã do Mateus?
Tatiana: Sim. Você deve ser o Bruno, que está precisando de uma assistente aqui?
Bruno: Sim. Eu já tinha até contratado gente, mas deram pra trás por propostas melhores. O Mateus te passou os horários e salário?
Tatiana: Passou sim e eu estou de acordo.
Bruno: Bom, se é assim e você concorda, vou preparar os papéis pra você levar ao RH e retirar a guia pro exame admissional. Seja bem vinda ao nosso hospital.
Tatiana: Muito obrigada, acredito que vamos nos aproximar muito ainda. (diz Tatiana fixando olhar nos olhos do novo patrão).
Tatiana se despede, sai da sala de Bruno e ele comenta consigo mesmo:
- Que gostosa esta irmã do Mateus!


Bárbara vai à casa de Vânia e a surpreende.
Vânia: O que você faz aqui? Não me avisou que viria.
Bárbara: Aqui virou Salão Marly ou Lady & Lord pra eu ter que marcar hora?
Vânia: Bem que você está precisando de uma progressiva e retocar sua raiz que tá gritando.
Bárbara: Falou o cabelo de vassoura de piaçaba.
Vânia: Diga logo o que você quer.
Bárbara: Toma! (Ela joga uma pasta com papéis em cima de Vânia)
Vânia: O que é isso?
Bárbara: Seus novos documentos, Maria do Socorro.

GANCHO AO SOM DE HIGHWAY TO HELL (AC/DC)

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