

Vânia:
Já? Mas por que tão rápido?
Bárbara:
O garotão já entregou a ficha falsa para a Lívia. Precisamos agir logo.
Vânia:
Ai, não sei se estou preparada pra ser mãe. É tanta responsabilidade! (fala Vânia de uma maneira
irônica).
Bárbara:
É, você está um pouco passadinha mesmo pra virar mãe.
Vânia:
Cuidado, Bárbara. As suas rugas estão gritando. Dá pra vê-las do alto de uma
montanha. Você já deveria ser era "bisa" mesmo.
Bárbara:
Que engraçadinha você. Agora pare com isso e comece a se aprontar, pois ainda
esta semana você vai aparecer para a Lívia.
Vânia:
Tudo bem. E cadê o dinheiro?
Bárbara:
Tá aqui! (diz Bárbara tacando um bolo de notas de cem em cima de Vânia)
Vânia:
Você vai me jogar as coisas agora ao invés de entregar na minha mão?
Bárbara:
Eu iria falar pra você investir isso no tesouro direto ou em alguma outra forma
de rendimento, mas como eu sei que você só conhece poupança da Caixa, coloque
esse dinheiro logo em algum lugar antes que você gaste tudo com pastelzinho de
feira ou caldo de cana cheio de cultura de bactérias.
Vânia:
Obrigada pelas dicas. Pra quem veio de uma família que faliu há mais de vinte
anos até que você aprendeu alguma coisa dando golpe do baú no Manoel.
Bárbara:
Bom, ao menos eu aprendi algo, né? E não perdi minha casa pro ex-marido. Bem,
eu vou indo. Se precisar de mim me mande mensagem. Tchau, queridinha.
Vânia:
Tchau, amore.Vai pela sombra porque você é muito branquinha.
Enquanto isso, no outro
lado da cidade Priscila e Ellen conversam pela primeira vez depois do jantar
desastroso de sábado.
Ellen:
Precisamos conversar sobre o que aconteceu no sábado.
Priscila:
Tudo bem, amor. Não foi culpa sua e a sua mãe é uma escrota. Eu já entendi.
Ellen:
Mas, já falou com a sua mãe?
Priscila:
Sobre ela e o seu pai terem tido um caso no passado? Sim.
Ellen:
Que loucura, guria. Mais um motivo pra minha mãe odiar nosso namoro.
Priscila:
Poxa, mas se já faz tanto tempo, ela deveria não se preocupar.
Ellen:
Mas ela desconfia que meu pai anda saindo com alguma mulher. Eu sinto isso.
Priscila:
Posso te garantir que não é com a minha mãe. Minha mãe desistiu de homem depois
que meu pai morreu.
Ellen:
Tomara, porque quando a minha mãe se esforça pra pegar no pé de alguém, ela faz
isso com maestria. Ah e pelo que eu soube meu pai ia na casa de vocês pra se
desculpar pelo que a minha mãe falou pra você.
Enquanto isso na casa de
Iná, Manoel aparecia para se desculpar pelo que Bárbara flou no último final de
semana.
Manoel:
Posso entrar?
Iná:
Claro.
Manoel:
Olha, não sei como pedir perdão pelo que a Bárbara falou.
Iná:
E nem precisa, você e eu sabemos da índole daquela mulher.
Manoel:
É, mas eu descobri tarde demais. Bom, vamos falar do que interessa. Eu vou hoje
ao hospital. Recebi uma ligação daquele tal de Mateus e ele tem informações
sobre crianças nascidas no mesmo dia em que a nossa filha.
Iná:
Tomara que ele tenha alguma novidade. Quero ir atrás desta menina que já é uma
mulher.
Manoel:
Assim que ele me apresentar esta lista eu venho correndo pra você e vamos
atrás. Aliás, vou voltar pro trabalho porque está terminando a minha hora do
almoço e vou sair mais cedo pra passar no hospital.
Iná:
Está certo. Bom trabalho. Até depois.
Manoel vai em direção ao
hospital e encontra Mateus, conforme haviam combinado.
Manoel:
Boa tarde, Mateus. Vim buscar as fichas com registro dos bebês nascidos no
mesmo dia em que a Iná deu a luz à nossa filha.
Mateus:
Certo, senhor Manoel. Está aqui. São quatro crianças. Só que tem um problema,
uma nasceu morta...
Manoel:
Sim, a menina que foi colocada no lugar da nossa filha a pedido da minha mãe.
Mateus:
Sim, mas além disso duas crianças são gêmeos idênticos do sexo masculino,
então, não podem ser a sua filha. A dona Iná tem certeza de que é uma menina?
Manoel:
Tem sim, ela fez os exames durante a gravidez e tinha essa certeza.
Mateus:
Então só resta uma menina cujo nome é Mariana. Aqui está os dados de endereço e
nome dos pais dela. Tem telefone também, mas acredito que tenha mudado depois
de tanto tempo. Espero que você consiga a encontrar, mas, por favor, caso a
encontre haja o mais discretamente possível. Nós não temos nenhum problema em
ajudar, mas também não queríamos que a atual administração do hospital fosse
penalizada por algo feito há tantas administrações atrás. Isso pode acabar com
a nossa instituição e comprometer o emprego de muita gente caso o hospital
venha a fechar.
Manoel:
Não se preocupe, meu rapaz. Sou advogado e vou tratar isso com seriedade. Por
mim a gente não leva isso pra grande mídia, temos que ver se os pais dessa
menina terão esta postura após descobrirem que criaram uma menina que não é
filha deles.
Mateus:
Certo. Bom, preciso ir. Minha esposa está me esperando. Depois me conte o que
conseguiu descobrir.
Manoel:
Até mais.
Manoel sai do hospital e
imediatamente liga para Iná.
Iná:
Manoel?
Manoel:
Sim. Está podendo falar?
Iná:
Estou no meio de uma faxina, mas posso sim.
Manoel:
Estou com os papeis em mãos. Posso ir na sua casa no fim da tarde e levar meu
notebook para fazer a pesquisa?
Iná:
Claro que pode. Eu não estarei lá ainda, mas o Vitor estará e pode te passar a
senha do nosso wi-fi, porque eu mesma esqueci.
Manoel:
Ok. Vou lá então. Estamos mais próximos da nossa menina!
Enquanto isso, Mateus chega
ao consultório onde Lívia estava entrando para fazer o exame onde descobriria o
sexo do bebê.
Lívia:
Demorou, Mateus.
Mateus:
Eu estava me reunindo com fornecedores, como havia te dito.
Lívia:
Tudo bem. Está na minha hora de fazer exame.
Mateus:
Então vamos lá.
Eles ficam alguns minutos e
o médico dá a notícia a eles.
Médico:
Vocês já tem uma ideia do nome para o bebê em caso de sexo masculino ou
feminino?
Lívia:
Ainda não.
Mateus:
Gostaria de colocar o nome de Louise, mas a Lívia disse que ainda não sabe. Se
for menino eu não sei.
Médico:
Então vocês Vão ter que conversar mais, pois é um menino.
Lívia e Mateus se olham e
sorriem. Pela primeira vez Mateus havia ficado animado com a ideia de ter um
filho com Lívia.
- MÚSICA DE AMBIENTAÇÃO:
ODE TO MY FAMILY (THE CRANBERRIES)
Ao saírem do hospital eles
conversam no carro.
Lívia:
Estive pensando em colocar o nome do nosso filho de Eugênio.
Mateus se engasga e fala:
-
Como assim?
Lívia:
É o nome do meu pai. Ele morreu há tão pouco tempo.
Mateus:
Pois eu também estive pensando em colocar o nome do meu pai, Marcos.
Lívia:
Puxa, amor. Desculpa... que tal colocarmos o nome dele de Marcos Eugênio?
Homenageamos os dois ao mesmo tempo.
Mateus:
Bom, podemos conversar isso depois?
Lívia:
Podemos. Você me deixa em casa?
Mateus:
Deixo sim, mas eu não vou voltar pro hospital hoje. Preciso ver se consigo
falar com a minha mãe.
Lívia:
Isso, resolve logo esta situação, pois vai nascer o primeiro neto dela e seria
bom a nossa família unida e sem rancores.
Mateus:
Exatamente nisso que estou pensando, minha querida.
Mateus deixa Lívia em casa
e vai ao encontro da mãe.
Mateus:
Mãe, podemos conversar?
Vera:
Tenho muita marmita pra fazer. Recebi uma encomenda de uma obra aqui perto em
que estão trabalhando noite e dia pra entregar no prazo e não posso perder esse
dinheiro.
Mateus:
Cadê a tia Terezinha?
Vera:
Foi atrás de transporte. Não tem como levar tudo isso na mão. São vinte
marmitas.
Mateus:
Eu posso levar de carro. E aqui na cozinha agora eu te ajudo.
Vera:
Não precisa.
Mateus:
Eu quero.
Vera:
Você é administrador e não cozinheiro.
Mateus:
Eu ajudo a embalar. Por favor, eu fiz isso durante tanto tempo pra senhora.
Vera:
Que seja. Pegue a caixa de isopor pra mim e vai colocando essas que eu e a
Terezinha já embalamos.
Mateus:
Ok... mãe, eu fui no velório da Fernanda.
Vera:
Ah... tá.
Mateus:
Ela estava grávida.
Vera faz cara de surpresa.
Vera:
Grávida?
Mateus:
Sim. Me passei por amigo dela e uma tia dela falou.
Vera:
Que triste fim. Tiago! Vem aqui. (grita Vera)
Mateus:
Pra que você está chamando o Tiago?
Vera:
Espera, Mateus.
Tiago:
Diga, mãe. Olá, Mateus. O que você está fazendo? Ajudando a mãe?
Mateus:
Eu vim contar novidades pra vocês sobre o seu sobrinho e o neto da dona Vera. A
Lívia está grávida de um menino.
Tiago:
Meus parabéns. Bom, apesar de tudo, desejo muita felicidade pra esta criança.
Vera:
Tiago, ajuda o Mateus aqui a finalizar enquanto eu vou ver se aquela panelada
de arroz já está pronta. Cadê a Tatiana?
Tiago:
Acabou de chegar da rua. Parece que ela já está até com o exame admissional
marcado pra trabalhar no hospital.
Mateus:
É verdade, a Lívia me contou.
Vera:
Tatiana! (Fala Vera gritando de novo).
Tatiana:
O que é, mãe? Oi, Mateus. Fui lá no hospital hoje e quando fui te ver você já
tinha saído com a Lívia.
Mateus:
Sim, ela se consulta com um obstetra que não trabalha mais lá, mas é de
confiança dela. Por falar nisso, você vai ser titia de um menino.
Tatiana:
Que ótimo! Mas, mãe, por que me chamou?
Vera:
Quero que você prepare as saladas e depois separe sete garrafas de coca cola,
mas as de um litro e de vidro. Vou levar pra obra também.
Tatiana:
Mas eu ia fazer minha unha agora.
Vera:
Faz depois.
Tatiana: Mas, mãe, eu estava dando uma olhadinha na audiência detalhada das novelas da Globo lá no blog do Farac.
Vera: Mas veja isso outra hora, menina. Eu preciso da sua ajuda aqui! E que blog é este?
Tatiana: É um blog atualizado diariamente com a audiência de todas as novelas no ar e de muitas novelas já finalizadas. A senhora ia gostar de ver.
Vera: Depois eu quero ver sim, mas agora pode preparar a salada e pare de me enrolar.
Tatiana:
Tá bom, né. Dona Vera pede e a gente obedece.
Naquele instante tinha se
instalado uma verdadeira força tarefa na cozinha do restaurante de Vera e
Terezinha. Os três irmãos conversavam e trabalhavam juntos e Vera em meio às
panelas de cozinha olhava os seus filhos juntos e começava a sentir uma alegria
no peito. Ela não queria conversar sobre o que havia acontecido recentemente.
Ela queria apenas o filho por perto.
-
MÚSICA DE AMBIENTAÇÃO: MARIA, MARIA (MILTON NASCIMENTO)
Uma hora e meia depois, com
tudo terminado, Mateus e Vera vão até a obra e deixam as marmitas. Quando
Mateus deixa a mãe em casa ele toca novamente no assunto.
Mateus:
Mãe, apesar de estar brava comigo, foi bom passar o fim da tarde com vocês.
Vera:
Eu não te ignorei. Eu apenas queria que você visse da onde você veio e que você
sempre terá um lugar na nossa casa. Espero que você não demore para se dar
conta do quanto você está perdendo tempo com esta vingança e ressentimento.
Mateus abraça Vera e vai
embora para casa.
Enquanto isso em outra
parte da cidade Manoel e Iná descobriam, com a ajuda de Vitor, o telefone dos
pais de Mariana Carvalho Veloso, a menina nascida no mesmo dia em que Iná deu à
luz 24 anos antes.
Vitor:
Fica neste endereço lá no Jardim das Américas.
Manoel:
Vamos pra amanhã mesmo! Certo, Iná?
Iná:
Ok. Vamos lá.
Manoel e Iná combinam de ir
no dia seguinte ao escritório de contabilidade do pai de Mariana para darem
início à conversa sobre a troca dos bebês.
Manoel:
Bom dia, gostaria de falar com o senhor Ricardo Menegatti Veloso.
Secretária:
O senhor tem horário marcado?
Manoel:
Não, mas diga a ele que é assunto do interesse dele. Sou Manoel, advogado.
Ricardo, preocupado com a
visita de gente estranha e ainda por cima da área de advocacia, atende Manoel e
Iná.
Ricardo:
Bom dia, senhor...
Manoel:
Manoel. Manoel Pierini. E esta é a Iná.
Ricardo:
O senhor é advogado, certo?
Manoel:
Sim.
Ricardo:
E qual o motivo que trás o senhor aqui?
Manoel:
O senhor tem uma filha chamada Mariana e que nasceu no hospital Ângela
Veríssimo em junho de 1992?
Ricardo:
Sim, mas qual o interesse na minha filha por parte de vocês dois.
Iná:
A gente suspeita que a sua filha na verdade seja nossa filha.
Ricardo:
Como é que é?
Manoel:
Há fortes indícios de que as nossas filhas tenham sido trocadas na maternidade.
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