

Manoel
não entendeu nada daquela situação, mas como o e-mail acabou lhe deixando muito
intrigado resolveu ir pessoalmente ao encontro de Joana.
Mnaoel: Do que esta mulher está falando.
Isso pode ser uma cilada. Mas e se não for? Preciso ir atrás disso!
Chegando
ao local indicado se apresentou na recepção:
Manoel: Boa tarde, eu preciso falar com a
dona Joana. Ela me disse que estava hospedada aqui.
Atendente: De fato está, mas ela está
muito doente e não pode receber visitas. O senhor é da família?
Manoel
pensou rápido e resolveu mentir, para ver se conseguia ver Joana ainda naquele
dia:
Manoel: Sim, sou sobrinho dela. Por favor,
moça, viajei mais de 6 horas para ver a minha tia. Queria me despedir dela
antes de sua partida.
Atendente: Ela está muito doente e passa a
maior parte do tempo dormindo, pois os remédios para a dor são muito fortes.
Manoel: Eu gostaria de vê-la uma última
vez. Não vou me perdoar se não a ver antes.
A
atendente meio a contra gosto conversa com o administrador da casa de repouso
que autoriza a entrada de Manoel.
Atendente: Só alguns minutos. Não
deveríamos abrir esta exceção, mas como o senhor é o primeiro parente em anos
que vem aqui nada mais humano do que deixá-lo.
Manoel: Muito obrigado, minha querida tia
vai poder partir em paz.
Quando
ele adentra o quarto de Joana percebe que se tratava de uma senhora de quase 70
anos, mas muito debilitada. Ele tenta a acordar, mas ela está profundamente
dormindo. Passado trinta minutos o tempo da visita cessa e ele se prepara pra
ir embora, quando Joana acorda:
Joana: Manoel? É você, meu filho?
Manoel: Você acordou! Que bom.
Joana: Desculpa por tudo.
Manoel: Desculpa pelo que? Quem é a
senhora?
Joana: Eu participei daquilo. Da troca do
bebê morto pela sua filha.
Manoel: Filha? Impossível! A Ellen é muito
parecida comigo. A senhora tem certeza do que está falando?
Joana: Estou falando da filha que o senhor
pode ter achado que morreu, mas não morreu. A sua mãe arquitetou tudo. A dona
Odete é responsável por isso. Ela e aquele monstro.
Manoel: Filha falecida?
Joana: Sim. A filha que o senhor teve com
aquela jovem que era sua empregada.
Manoel fica pasmo.
Manoel: A Iná?
Joana: Este mesmo o nome dela.
Manoel: A Iná teve uma filha minha? Onde
esta menina está agora.
Joana: Ela foi... ela foi...
Manoel: Joana? Joana, por favor, me fala
onde esta menina está! Joana, por favor!
Joana
começa a passar mal e desesperadamente Manoel chama os enfermeiros da casa de
repouso.
Manoel: Pelo amor de Deus, alguém venha
acudir minha tia!
Joana
é levada as pressas para o hospital, mas não resiste e falece dentro da
ambulância.
Manoel
não estava entendendo nada. Em menos de um dia ficara sabendo que o caso que
teve com Iná no passado resultou em uma filha que ele nunca conheceu, pois sua
mãe havia dado um jeito de sumir com a criança.
Manoel: O que a minha mãe fez com a minha
vida? O que ela fez com a Iná?
Sua
vida que se resumia em trabalhar como advogado e aguentar um casamento falido
com Bárbara agora foi recheada com uma nova família, entretanto, ele não sabia
por onde começar a buscar mais informações.
Bárbara: Onde você estava?
Manoel: Cuidando dos negócios da
imobiliária, já que nem nisso você me ajuda. E me dá licença que eu não estou
bom!
Bárbara: Cavalo!
Resolveu
omitir de Bárbara tudo o que havia descoberto e para começar essa busca por
esta filha ele resolveu procurar a mãe dela.
Iná
está voltando do supermercado com a sua filha, Priscila, quando resolve ligar
para seu filho Vitor e perguntar sobre um favor que ela deveria ter pedido a
ele antes de sair de casa:
Iná: Oi, filho. To saindo aqui do mercado
com a sua irmã. Olha, esqueci de pedir pra você colocar água pra ferver, porque
ontem eu fiz fritura e queria derreter o óleo que está na panela antes de eu
lavá-la. Faz este favor pra mãe?
Vitor: Claro, mãe. Vou colocar já a panela
com água no fogo. Mãe, a senhora está esperando visita pra hoje?
Iná: Não, por que?
Vitor: Tem um moço te esperando aqui na
frente de casa. Disse que precisa falar com a senhora.
Iná: Qual é o nome dele.
Vitor: Esqueci de perguntar.
Iná: Assim fica difícil, né, Vitor? Deve
ser o pai da Bia da rua de baixo que precisa de uma faxina pra este final de
semana. Bom, estou pegando o ônibus com a sua irmã e em breve eu chego aí.
Beijos.
Vitor: Beijos.
Enquanto
isso na casa de Vera, Tatiana tentava se reaproximar da mãe.
Tatiana: Mãe.
Vera: O que é.
Tatiana: Desculpa.
Vera: Tá.
Tatiana: Poxa, mãe. To sendo sincera.
Vera: Tatiana, você é assim desde criança.
Faz um monte de coisa que machuca a mim e seus irmãos e depois sai pedindo
desculpas. Eu já me acostumei e não consigo ficar brava com você por tanto
tempo, mas saiba que cada vez que você menospreza o que eu e sua tia batalhamos
para conseguir pra nossa família eu me arrependo de não ter me jogado na frente
dos carros em 1992.
Tatiana: Mãe, não fala isso.
Vera: Você não foi sincera? Eu também
estou sendo. Eu sou mãe, mas não sou de ferro. Tome mais cuidado. O dia em que
eu não estiver mais aqui você não vai ter a chance de me pedir perdão. Agora
limpe estas lágrimas e vá na panificadora comprar pão e leite pra tomarmos um
café.
Já Iná
fica ansiosa para saber quem estava esperando para falar com ela.
Iná: Priscila, leve as sacolas pra dentro
e peça pro seu irmão guardar as coisas na geladeira. Eu preciso conversar com
este senhor.
O homem está de costas para ela e em frente a porta,
quando ela pergunta:
Iná: Boa tarde. O senhor gostaria de falar
comigo?
Manoel
se vira e Iná não acredita na presença dele:
Manoel: Sim, Iná. Precisamos conversar.
Iná: Manoel? O que você está fazendo aqui?
Não temos o que conversar. Nem lembrava que você existia.
Manoel: Ah, mas lembrava sim! Tenho
certeza que sim.
Manoel: Posso entrar na sua casa?
Iná: Opa, claro que não. Na minha casa só
gente que eu confio e não estranhos como você.
Manoel: Estranho? Eu? Você está brincando
com a minha cara, não é, Iná?
Iná: Estranho, sim! Não te vejo há mais de
vinte anos, talvez eu nunca tenha te conhecido de verdade, então, é estranho
sim!
Manoel: E por acaso você sai engravidando
de estranhos por aí?
Neste
momento Iná ficou sem reação com as palavras de Manoel.
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