Parasita: O filme Que Conquistou o Mundo
Por Patrick Lima Prade
Há tempos o mundo do cinema não era surpreendido por um filme independente que chamasse tanta atenção, tanto do público como da crítica especializada. E essa atenção se intensificou quando Parasita conquistou dois feitos no Óscar: o primeiro filme falado em língua estrangeira á ganhar o prêmio de Melhor Filme, e o primeiro filme á conquistar o prêmio de Melhor Filme Internacional e Melhor Filme na mesma noite. Poucos filmes foram indicados nessas duas categorias em anos anteriores, entre eles A Vida é Bela (1997) e Roma (2018), mas todos só levaram o de Filme Estrangeiro pra casa. Sim, o nome da categoria mudou esse ano de Filme Estrangeiro para Filme Internacional. Mais um feito para Parasita, ganhar o primeiro troféu de Filme Internacional.
Sociedade
Mas o que levou esse filme á encantar ás pessoas? Cada um tem uma resposta diferente. Muitos dizem que o elenco ajudou (e realmente, o elenco maravilhoso foi premiado com o SAG de Melhor Elenco). Mas as várias interpretações são o que chamam a atenção no filme. Uma delas, e a mais evidente pelo próprio nome do filme, é de que pessoas da classe baixa seriam os parasitas da sociedade. Até aí tudo bem, muito filmes já falaram disso, mas Parasita nos leva á uma montanha russa de acontecimentos. Assim como as baratas, consideradas parasitas naturais, a família miserável do filme mora em um porão, se alimenta de restos e faz o que pode para sobreviver. Até encontrar uma brecha em uma bela mansão. E uma brecha é tudo o que um parasita precisa para tomar conta do lugar e se instalar.
Ricos e Pobres
Aos poucos os membros da família pobre conseguem se infiltrar na casa, de maneiras nada honestas. E como o poder e dinheiro podem corromper, ou no caso do filme, maravilhar as pessoas, isso não demora para acontecer. Aos poucos eles querem mais: sonhar em casar com a filha da família milionária é uma delas. Daqui pra frente não dá pra falar muito. O filme muda á cada cinco minutos e falar entregaria boa parte das surpresas que o filme reserva.
Uma dessas surpresas é que é impossível terminar o filme sem refletir sobre o nosso papel na sociedade. Somos parasitas no mundo? Eram os ‘pobres’ os verdadeiros parasitas do filme ou a família que tem dinheiro e consome e usa os serviços dos outros com o dinheiro que tudo compra são os parasitas reais, aqueles que tiram dos outros para acumularem mais e mais?
A diferença de classe é gritante, mas mesmo assim é difícil ficar indiferente com os ‘vilões’ do filme. Mas afinal, quem são os vilões? Aqueles que lutam por uma vida melhor, mesmo que de maneiras duvidosas, ou aqueles que têm tudo e ainda sentem necessidade de humilhar indiretamente os que menos têm? Falar do cheiro, dos modos, da moradia dos outros é um exemplo de que os vilões podem usar o melhor terno ou o perfume mais caro.
Reflexão
Parasita é um filme reflexivo sim, e conquistou o mundo porque todo mundo se viu na tela em algum personagem. Seja nos pobre ou nos ricos, o filme mostrou o pior que existe dentro de nós e que fazemos questão de esconder. Só os ricos falam mal do cheiro de alguém? Só os pobres usam meios escusos para se darem bem?
Parasita é dirigido por Bong Joon Ho, que já presenteou o mundo com obras como O Hospedeiro (2006), O Expresso do Amanhã (2013), Memória De Um Assassino (2003), Mother: A Busca Pela Verdade (2009) e o emocionante Okja (2017). Suspense e finais surpreendentes são a marca registrada do diretor que esperamos que nos traga ainda muito mais surpresas, entre elas uma série derivada de Parasita, que já está sendo planejada pela Netflix.
Enfim, são tantas perguntas sobre nós mesmos que Parasita acaba ficando na mente por semanas, e até algum tempo mais se você estiver disposto á por a mão na consciência e ver o Parasita que existe dentro de cada um de nós.
Texto originalmente publicado no Jornal Do Povo no link: https://www.jornaldopovo.com.br/site/blogs/488/302690/Filme_coreano_surpreende_no_Oscar_e_conquista_o_Mundo.html
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