CENA 1: CIDADE DE TEMEDO | EXTERIOR | NOITE
A cena se descongela devagar.
Aura dá uma última olhadela para a mansão e pisa fundo no carro, acelerando. Ela está com raiva por Carlos ter tirado tudo dela de uma hora para outra. Ela pensa em João e sua raiva cresce mais ainda.
AURA (enquanto dirige): – Era para tudo ser mais que perfeito, muito mais que perfeito, mas parece que aquela barata tonta do João tinha una carta na manga, e o que mais me deixa com raiva é saber que ele a escondia muito bem (T) Mas isso não ficará assim jamais, jamais. – Promete à ela mesma enquanto mantêm velocidade pela avenida quase sem movimento.
A chuva que só parou à noite deixou a pista escorregadia, mas Aura não se atenta à esse detalhe crucial, tamanha a raiva que está sentindo no momento. A imagem escurece devagar mostrando as rodas do carro que fazem espirrar um pouco da água no asfalto.
CENA 2: TEMEDO | MANSÃO DOS TERRAFORTE | INTERIOR | NOITE
A imagem reaparece lentamente.
A imagem reaparece lentamente.
Carlos se afasta da janela ao perceber que o carro que estava parado em frente da mansão, foi embora. Valmir se aproxima de Carlos, vindo dos fundos da casa. Carlos olha para Valmir,
CARLOS: – Era ela, não era? – Questiona, se referindo à Aura.
VALMIR: – Era sim, Carlos. A dona Aura era quem estava lá fora. – Responde, confirmando o que Carlos desconfiava.
Carlos para perto do sofá após ouvir a resposta de Valmir, que se volta para ele.
CARLOS: – Isso só deixa claro uma coisa… se ela chegou a amar meu pai, com certeza foi há muito tempo atrás, pois agora o amor dela é só pelos bens materiais que pode ter se conseguir reaver tudo. – Ele afirma, sentando no sofá. – Mas eu não vou deixar isso acontecer, não deixarei que ela vença dessa vez ou qualquer outra que possa existir. – Continua, olhando rapidamente para Valmir. – Em parte, foi por causa dessa mulher que sempre disse ser minha mãe que eu perdi minha felicidade há quase dez anos atrás, Valmir (T) E foi por culpa dela também que a Manuela não pode viver a infância ou a adolescência com o pai, com a mãe. Eu não posso imaginar que outras atrocidades essa mulher foi capaz de cometer. – Conclui abaixando a cabeça lentamente.
Valmir se senta ao lado de Carlos e coloca a mão no ombro dele.
VALMIR: – Tudo que a Dona Aura fez é imperdoável, e você não tem que se sentir culpado pelo que ela fez no passado distante ou no passado tão próximo de nós, pois você não tinha como saber quem ela era de verdade… até mesmo seu pai se surpreendeu quando ficou a saber de tudo. – Diz tentando deixar Carlos mais calmo. – Ela ainda vai pagar pelo que fez, Carlos, tenha certeza disso. – Finaliza, sorrindo rapidamente.
Valmir dá um pequeno tapinha no ombro de Carlos e se levanta do sofá. Ele vai em direção à cozinha, mas para repentinamente ao ouvir Carlos.
CARLOS: – Obrigado por tudo, Valmir… obrigado mesmo. – Ele diz, esboçando um leve sorriso,
Valmir balança a cabeça de forma positiva, saindo em seguida do campo de visão de Carlos, que por sua vez fica pensando em tudo que aconteceu, no que descobriu em um dia tão intenso. A imagem escurece rapidamente enquanto se afasta de Carlos.
CENA 3: TEMEDO | EXTERIOR | NOITE
A imagem volta, focando no carro em alta velocidade de Aura, que por sua vez continua totalmente desatenta, tendo pensamentos apenas para o que fez durante um bom tempo, como por exemplo, nas vidas que interferiu, apenas pelo fato de outras pessoas de classes mais baixas tentarem entrar em sua família e levar o nome Terraforte. Aura se encontra distraída e não percebe o sinal vermelho, logo também não vê o outro carro vindo pela sua direita. No momento em que Aura se dá conta, tenta impedir o acidente, mas ao frear, capota o carro por várias vezes, parando somente aos pés de uma árvore. O veículo fica totalmente destruído enquanto as luzes traseiras piscam de maneira incessante. É possível ouvir ao longe, sirenes ligadas que se aproximam como se estivessem lentas. Aura está com o rosto todo cortado e sangrando muito. A imagem escurece rapidamente enquanto Aura fecha os olhos devagar.
A imagem volta, focando no carro em alta velocidade de Aura, que por sua vez continua totalmente desatenta, tendo pensamentos apenas para o que fez durante um bom tempo, como por exemplo, nas vidas que interferiu, apenas pelo fato de outras pessoas de classes mais baixas tentarem entrar em sua família e levar o nome Terraforte. Aura se encontra distraída e não percebe o sinal vermelho, logo também não vê o outro carro vindo pela sua direita. No momento em que Aura se dá conta, tenta impedir o acidente, mas ao frear, capota o carro por várias vezes, parando somente aos pés de uma árvore. O veículo fica totalmente destruído enquanto as luzes traseiras piscam de maneira incessante. É possível ouvir ao longe, sirenes ligadas que se aproximam como se estivessem lentas. Aura está com o rosto todo cortado e sangrando muito. A imagem escurece rapidamente enquanto Aura fecha os olhos devagar.
CENA 4: TEMEDO | MANHÃ
A imagem volta a ficar nítida, mostrando a cidade que desperta.
A imagem volta a ficar nítida, mostrando a cidade que desperta.
O sol nasce, iluminando boa parte dos cantos escuros da cidade. As luzes dos postes se apagam rapidamente, assim que a caridade do sol se torna suficiente. O carro de Carlos segue pela avenida, tomando o rumo do hospital. Ele olha para o banco do carona e oberva um embrulho, então sorri. A imagem escurece devagar enquanto Carlos acelera o veículo, está cheio de vontade de ver Luís novamente.
CENA 5: CASA DE LARISSA | EXTERIOR | MANHÃ
A imagem fica nítida lentamente, focando em Mateus.
A imagem fica nítida lentamente, focando em Mateus.
Ele está parado no degrau de acesso à casa de sua namorada. Larissa se aproxima após sair do ônibus uma quadra de distância da sua casa. Ela segue distraída, procurando algo em sua bolsa e quando encontra, levanta o olhar. Larissa parece ficar em choque diante de Mateus, que a vê vestindo um sobretudo. Ela nada consegue dizer diante de seu namorado, então nervosa, chora. Mateus se aproxima e abraça a namorada.
MATEUS: – Não precisa ter vergonha ou qualquer coisa do tipo, meu amor. – Ele pede enquanto a envolve em um abraço caloroso e extremamente aconchegante. – Eu não vou deixar de amar você só pelo fato de estar correndo atrás do que acredita, que é uma causa nobre. – Completa, afagando os cabelos dela.
Larissa só se faz chorar diante do que achou que pudesse acontecer. Ela só quer estar nos braços de Mateus por mais algum tempo e esquecer que escondeu uma parte de sua vida de seu namorado. Mateus toca o queixo de Larissa, que por sua vez olha para ele com uma certa vergonha. Ele somente tem a atitude de beijá-la como forma de afirmar para ela que nada mudou no relacionamento que ambos tem. A imagem escurece rapidamente enquanto os dois saem do beijo e renovam o abraço apertado.
CENA 6: TEMEDO| CASA DOS ASSUNÇÃO | INTERIOR | MANHÃ
A imagem se refaz rapidamente.
A imagem se refaz rapidamente.
Manuela após descer a escada, olha para a sala de jantar, vendo o pai e Silvia tomando o café da manhã. Ela então se aproxima dos dois ao não ver Talles em nenhum lugar da casa. Manuela fica em pé na frente do pai e de Sílvia.
MANUELA: – Vocês viram o Talles? – Questiona, preocupada.
SÍLVIA: – Ele saiu bem cedo, dizendo que ia ao hospital. – Responde enquanto é encarado por Diógenes e Manuela.
Manuela estranha. Ela não ouviu nada de Talles quanto à isso, então se preocupa com sua relação com o marido. Diógenes percebe que a filha se encontra muito pensativa.
Manuela estranha. Ela não ouviu nada de Talles quanto à isso, então se preocupa com sua relação com o marido. Diógenes percebe que a filha se encontra muito pensativa.
DIÓGENES: – Está acontecendo alguma coisa? – Indaga, curioso e nitidamente preocupado.
MANUELA: – Eu espero que não pai. – Responde meio cabisbaixa. – Eu vou ao hospital, tenho de saber direito o que está acontecendo. – Diz, olhando diretamente para o pai e logo depois para Sílvia.
Sílvia e Diógenes balançam a cabeça de forma positiva. Manuela dá meia volta e segue na direção da porta da sala. A imagem escurece lentamente.
CENA 7: PARAÍSO AZUL | EXTERIOR | MANHÃ
A imagem fica nítida devagar enquanto mostra a praia, logo depois o hotel Paraíso e o grande movimento de carros que há em frente. O foco segue para um carro de luxo que estaciona bem em frente ao hotel, logo quem sai do veículo é Leopoldo, que por sua vez esboça um breve sorriso enquanto joga a chave para o manobrista. Ele entra no hotel. A imagem torna a ficar escura de forma lenta.
A imagem fica nítida devagar enquanto mostra a praia, logo depois o hotel Paraíso e o grande movimento de carros que há em frente. O foco segue para um carro de luxo que estaciona bem em frente ao hotel, logo quem sai do veículo é Leopoldo, que por sua vez esboça um breve sorriso enquanto joga a chave para o manobrista. Ele entra no hotel. A imagem torna a ficar escura de forma lenta.
CENA 8: TEMEDO | HOSPITAL SOUZA MARTINS | INTERIOR | MANHÃ
A imagem se restabelece mostrando Carlos saindo do carro, carregando o embrulho que se encontrava ao seu lado.
A imagem se restabelece mostrando Carlos saindo do carro, carregando o embrulho que se encontrava ao seu lado.
Carlos entra no hospital, fala rapidamente com uma jovem BA recepção e é autorizado a seguir para o quarto no qual Luis está internado. Ele passa pela porta da sala de espera e não repara que Rodrigo está ali, mas de costas para a porta. Carlos continua a seguir pelo corredor e assim que se aproxima da porta do quarto, percebe que ela está entreaberta, então vê Talles sentado na beirada da cama. Carlos fica observando sem nada dizer. A imagem escurece rapidamente.
CENA 9: TEMEDO | CASA DOS VILA | INTERIOR | MANHÃ
A imagem se refaz devagar mostrando a sala da casa dos Vila.
A imagem se refaz devagar mostrando a sala da casa dos Vila.
Bárbara caminha de um lado para o outro na sala da casa. Catarina oberva a ansiedade da filha, mas se cala. Bárbara percebe a presença da mãe e então se vira para ela.
BÁRBARA: – Viu no que deu, eu seguir seus conselhos, mãe? Agora estou aqui sozinha, com uma filha para criar e sem nenhum pai presente (T) Eu realmente não sei o que vou fazer da minha vida, não sei. – Ela diz, parecendo um tanto revoltada. – Mas o que eu sei mesmo é que essa indecisão toda não vai durar para sempre, por isso vou ter o que eu quero, custe o que custar. – Afirma, demostrando estar certa de que não quer continuar como está.
CATARINA: – Você pensa muito bem no que quer fazer, minha filha, pois se você iniciar algo, tem que terminar, ainda mais se tratando de Aura Terraforte, pois sei que é dela que você está falando, mesmo que não queira dizer. – Ela se aproxima. – E lembre-se que a Vitória não tem culpa de nada, de absolutamente nada (T) Eu assumo a minha culpa… fui eu quem te empurrei para tudo isso, mas também sou eu agora que estou tentando fazer com que você saia disso enquanto há tempo. – Finaliza, encarando a filha.
Bárbara se volta para a janela e caminha, pensando em tudo que sua mãe disse. A imagem fica escura rapidamente.
CENA 10: PARAÍSO AZUL | HOTEL PARAÍSO | QUARTO DE VALENTINA | INTERIOR | MANHÃ
A imagem se torna clara novamente enquanto mostra Leopoldo parado perto da janela.
A imagem se torna clara novamente enquanto mostra Leopoldo parado perto da janela.
Leopoldo se vira devagar e olha para Valentina que se encontra próximo da porta.
LEOPOLDO: – Você tem que entender que eu só fiz aquilo para que ela acreditasse em mim, para que pensasse que eu estava do lado dela, dona Valentina. – Ele afirma, caminhando lentamente até perto da cama da senhora.
VALENTINA: – Você me deu um imenso susto, Leopoldo. Eu cheguei mesmo a acreditar que você tivesse me traído, que tivesse me enganado de um jeito imperdoável. – Ela comenta, enquanto caminha pelo quarto.
Valentina segue para perto da janela, observando o mar de águas azuis.
Valentina segue para perto da janela, observando o mar de águas azuis.
LEOPOLDO: – Eu espero que a senhora me perdoe por esse susto, dona Valentina, mas eu menti por acreditar que esse seria o melhor jeito de eu conseguir o que ambos queríamos há tanto tempo. Agora certamente a toda poderosa Aura Terraforte não vai mais atormentar a vida de quem quer que seja. – Afirma, olhando nos olhos da senhora.
VALENTINA: – O que te dá toda essa certeza, Leopoldo? – Questiona, intrigada.
LEOPOLDO: – Simplesmente o fato do seu neto ter descoberto toda verdade, mas infelizmente precisou que o João morresse para se chegar até aí (T) Eu realmente também me vi vingado quando o Carlos tomou as rédeas da situação. – Responde, se aproximando de Valentina.
Valentina olha de soslaio para Leopoldo.
Valentina olha de soslaio para Leopoldo.
VALENTINA: – Você está subestimando aquela mulher assim como eu fiz tempos atrás, Leopoldo. Ela é capaz de se reerguer de qualquer buraco que a escondam, portanto, devemos ficar mais atentos ainda e não deixar que ela se sinta novamente capaz de passar por cima da lei, e dos outros que ela julgar menor. – Adverte, voltando seu olhar por completo para Leopoldo.
Leopoldo concorda com Valentina. Ambos ficam observando o mar em silêncio enquanto pensam no próximo passo que devem dar para neutralizar Aura de uma vez por todas. A imagem então escurece lentamente enquanto os dois voltam a conversar de forma inaudível.
CENA 11: TEMEDO | HOSPITAL SOUZA MARTINS | QUARTO | INTERIOR | MANHÃ
A imagem retorna mostrando Talles conversando com Luis, que demonstra estar feliz em ver o homem que ele considera ser seu pai, pois convive com Talles desde sempre.
A imagem retorna mostrando Talles conversando com Luis, que demonstra estar feliz em ver o homem que ele considera ser seu pai, pois convive com Talles desde sempre.
Talles percebe que há alguém observando a conversa dele com Luis, então se vira lentamente, olhando para Carlos. Talles olha para Carlos com cara de poucos amigos, então volta seu olhar rapidamente para Luis, que por sua vez também vê tal homem na porta. O garoto logo se lembra do rosto dele, mas fica sem saber o nome. Talles se levanta e caminha até onde Carlos se encontra, Luis então fica sem entender nada.
TALLES: – Eu já imaginava que você viria até aqui, mas não pensei que fosse ser tão cedo. – Ele comenta, olhando diretamente para Carlos.
CARLOS: – Eu não acho tão cedo, muito pelo contrário, Talles, não é?! Bom, eu perdi quase dez anos da vida do meu filho, por isso estou tentando me redimir, tentarei recuperar o tempo perdido. – Diz, encarando o marido de Manuela.
Talles esboça um leve sorriso, parecendo debochar do que Carlos diz. Ele se movimenta um pouco mais, ficando mais perto do pai biológico de Luis.
TALLES: – Primeiro, você deveria tentar se redimir é com a mãe dele, depois de tudo que a fez sofrer, depois de tudo que sua família aprontou. – Diz já com o sangue fervendo. – Segundo, você quer recuperar o tempo só com o seu filho ou também com a Manuela? – Indaga, provocando o outro.
Diante de tal indagação, Carlos se mostra irritado. Talles também está bastante irritado por Carlos estar ali na sua frente. Ambos se encaram como se a qualquer momento fossem partir para as vias de fato. Manuela, que chegara há pouco tempo, se apressa e se coloca entre os dois.
Diante de tal indagação, Carlos se mostra irritado. Talles também está bastante irritado por Carlos estar ali na sua frente. Ambos se encaram como se a qualquer momento fossem partir para as vias de fato. Manuela, que chegara há pouco tempo, se apressa e se coloca entre os dois.
MANUELA: – Vamos parar com isso os dois?! – Diz, percebendo os olhares nada amistosos que se cruzam. – Vocês imaginam o que deve estar passando na cabeça do Luis agora? Pensaram nele primeiramente?! – Indaga, incomodada. – Pelo visto não, pois estavam pensando em vocês mesmos. – Afirma alternando em olhar para os dois.
Os três então tem a mesma atitude, a de olhar para a cama do quarto em que Luis está internado e não veem o garoto. Manuela se desespera ao não ver o filho.
A imagem se congela no olhar perdido de Manuela.
A imagem se congela no olhar perdido de Manuela.
CONTINUA…


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