CENA 01.
CASA DE AMÉLIA/ INT./ SALA
DETETIVE FERNANDO — Olha Amélia, é melhor não supor nada e nem criar expectativa antes que tudo esteja resolvido. Ok?
AMÉLIA —Na verdade foi um impulso, não sei o que me deu. De repente veio esse moço na minha cabeça e ao lembrar de ouvir ele dizer que veio da Argentina, associei impulsivamente e falei. Me desculpe Fernando.
DETETIVE FERNANDO —Não se preocupe. Quem sabe no fim da história seu filho realmente não esteja perto de você? Quem sabe? —Tenta acender a luz da esperança.
AMÉLIA —Obrigado por se preocupar comigo não só como uma mulher desesperada na procura pelo filho, mas também por me ver sobretudo com um olhar especial de ser humano que tem empatia pelo próximo. Tenho certeza que você segue me ajudando impulsionado não só pela parte profissional, mas também pelo coração.
DETETIVE FERNANDO —Tenha total certeza disso. E nós vamos encontrar esse garoto, nem que seja a última coisa que façamos!
Fernando segura nas mãos de Amélia.
CENA 02.
RUA DA CASA DE PULGA - NOITE
JOÃO —Mas olha se não é o moleque daqui de casa! Onde você tava? —Diz autoritário.
PULGA —Onde eu deveria tá depois de tudo pai? Eu quase morri. Estranho seria eu ta aí. —Retruca.
JOÃO —Ah… você tava na casa dessa mulher, só pode…
PULGA —Essa mulher tem nome e se chamada Dona Laura, pai.
JOÃO —Não perguntei nada, agora passe pra dentro. —Esbraveja ordenando.
Pulga continua onde está, enquanto o pai se aproxima de Laura mesmo que mantendo uma certa distância.
JOÃO —E você escute aqui minha senhora, eu não sei quais seus planos com meu filho e nem o tipo de pessoa que você… —Ele é interrompido por Laura.
LAURA —Escute aqui você meu senhor! Eu não sei quem o senhor é, mas também não me importa conhecer uma pessoa tão monstra a ponto de fazer o que o senhor fez com seu filho. Apenas exijo respeito e que o senhor evite fazer comentários (insinuativos) tão desnecessários como acabou de fazer.
Possesso com as palavras de Laura, João ameaça Pulga com o olhar.
LAURA —E não adianta olhar assim para ele, eu já estou ciente das formas de ameaças que agressores como você fazem. Eu irei vê-lo periodicamente, porque se o senhor não sabe, ele é amigo do meu filho. Mas escute bem, se eu notar alguma nova mancha nele, nem que seja de uma marca de unha, eu volto aqui com a polícia. Entendeu? —Enfrenta.
JOÃO —A senhora não sabe o que ele fez!
LAURA —Não o estou defendendo, apenas estou dizendo que numa dessas o senhor pode acabar matando-o. Ao invés de bater procure conversar e dedicar pelo menos um pouco do seu tempo ao seu filho. E não esqueça, qualquer sinal de agressão presente nele, eu trago a polícia. Já disse!
João fica morrendo de raiva, Pulga entra com medo e Laura ainda nervosa depois de tudo que disse, vai embora.
CENA 03.
Tarde -
PRÉDIO DO AP. DE PRI E ATENA/ INT./PORTARIA
PRISCILA —Oi seu Afonso, boa tarde.
AFONSO —Boa tarde senhorita Priscila. Precisa de algo?
PRISCILA —Vim ver se a chave do apartamento está aqui.
AFONSO —Está sim filha, tome aqui. —Entrega a chave.
PRISCILA —A Atena já veio em casa depois que eu saí? O senhor viu ela?
AFONSO —Não vi ela por aqui não.
PRISCILA —Que estranho… Bom, vou indo. Tenha uma ótima tarde!
AFONSO —Obrigado. Igualmente!
Priscila vai subindo as escadas quando acaba vendo um carro chegando e Atena dentro do automóvel.
PRISCILA —Que carro estranho. Espera aí, aquela é a Atena?
Atena desce do carro.
Felipe fica falando com ela de dentro do carro.
FELIPE —Deixa eu me despedir direito vai…
ATENA —Não, vá embora! Já nos despedimos.
Felipe desce do carro.
FELIPE —Por favor, amor!
Atena dá um beijo nele.
ATENA —Pronto. Para de frescura e vá agora.
FELIPE —Deixa eu te levar até o elevador pelo menos?
ATENA —Não, vá embora!
FELIPE —Prometo que não peço mais nada durante esse semana.
ATENA —Você é surdo ou o quê?
FELIPE —Não vou te deixar em paz, vou insistir a noite toda aqui.
ATENA —Ai ta, ta. Parece carrapato, Deus me livre. Só até o elevador e pronto, ouviu?
Priscila vendo tudo fica chocada, mesmo sem ver o rosto de Felipe e saber que é com ele que Atena está saindo.
Rapidamente Pri se esconde atrás de uma planta que fica próximo as escadas.
Atena e Felipe sobem juntos.
Priscila segue eles.
PRISCILA —Atena! —Grita.
Ao Atena virar de costas com Felipe, Priscila fica ainda mais chocada ao ver que sua melhor amiga está com seu ex-namorado. Ela fica tão nervosa a ponto de já não conseguir se mover dali.
Atena corre com Felipe.
CENA 04.
Tarde -
MANSÃO VIELAS/ EXT./ PORTA.
Alexandre incansavelmente aperta na campainha.
—O que deseja? —Pergunta a empregada.
ALEXANDRE —O Charles está aí?
—Olha não gosto de fofoca e não sou dessas que fica observando a vida dos patrões, mas eu andei observando e o menino Charles foi o único que não saiu hoje para lugar algum. Aliás, ele não sai do quarto para nada desde ontem.
ALEXANDRE —Meu Deus! Eu posso vê-lo?
—Ai, eu não sei… mas tô com dó de ver ele trancado naquele quarto, sozinho… eu vou deixar você ir. Mas é só porque não tem ninguém em casa, você parece um bom menino e eu estou preocupada com o patrãozinho.
ALEXANDRE —Obrigado! —Diz já entrando.
Alexandre sobe as escadas e fica na frente da porta do quarto de Charles.
ALEXANDRE —Charles! Abra, por favor. Olha, não importa o que tenha acontecido. Nada vai mudar! Podemos juntos reverter toda essa situação, só precisamos conversar. Abra essa porta, por favor! —Grita alto na porta do quarto de Charles.
Alexandre insiste por quase 30 minutos.
ALEXANDRE —A senhora trouxe a chave reserva? —Diz vendo a empregada voltando.
—Sim, estava no molho de chaves do senhor Armando e da senhora Stella.
A empregada dá o molho de chaves a Alexandre.
Ele abre a porta.
Alexandre encontra Charles numa situação horrível.
Alexandre retira o cobertor de Charles.
ALEXANDRE —Meu Deus, olha como você está… cheio de olheiras, demprimido, sem tomar banho e com um quarto completamente sem luz alguma.
Alexandre tenta tirar o cobertor por completo de Charles, mas ele não reage.
ALEXANDRE —Você está praticamente um morto vivo. Está respirando mas não reage. O que está acontecendo?
CHARLES —Eu perdi tudo! Tudo! Não foi só porque eu fui expulso daquele maldito time, que aliás eu nunca quis participar… também me tiraram a garota que eu gosto! —Se lamenta.
ALEXANDRE —Eu sabia que tinha mais alguma coisa…
CHARLES —Eu e ela estavamos praticamente namorando sabe? Fazia quase 2 anos que a gente saia, mas eu nunca fui falar com os pais dela… talvez ela nunca quis me apresentar a familia dela porque ela não sentia por mim, o mesmo que eu sentia por ela.
ALEXANDRE —Não, talvez fosse por outro motivo. Talvez ela quisesse te conhecer bem, até ter certeza que queria te apresentar a família dela. Pense dessa forma, algo deve ter acontecido e afastado vocês dois.
CHARLES —O pior é que você pode ter razão. Na verdade ela se afastou de mim no começo desse ano letivo, e sabe o que eu descobri? Ela beijou outro cara recentemente. E é esse infeliz que deve ter mexido com ela e separado nós dois.
ALEXANDRE —Calma Charles, mantenha sua calma. Você não está bem!
Charles respira.
ALEXANDRE —Você confia em mim o suficiente para me dizer quem é essa garota?
CHARLES —Ária, ela é a menina que eu amo! Dispara sem dó.
ALEXANDRE —Meu Deus! —Fica completamente nervoso e se dando conta de que Charles ama a mesma menina que ele.
CHARLES —O que houve?
ALEXANDRE —Não foi nada, não se preocupe. E você sabe quem é esse tal garoto? —Preocupa-se.
CHARLES —Não. E na verdade o que realmente me importaria era só recuperar o amor dela. É pedir muito?
ALEXANDRE —Claro que não! —Se emociona se sentindo culpado.
CHARLES —Promete que vai ficar do meu lado e tentar me ajudar com ela? Por favor! —Implora.
ALEXANDRE —Eu… é que… claro que sim. —Responde sem saída.
CHARLES —Muito obrigado meu amigo-irmão.
ALEXANDRE —Se você quer minha ajuda, comece tomando um banho, trocando de roupas e se alimentando heim? Não quero você em clima depressivo.
Charles fica olhando para Alexandre com um olhar aparentemente inocente, porém de ódio.
ALEXANDRE —Vai! —Ordena.
Alexandre deixa Charles em se quarto e sai dali se sentindo completamente mal e culpado.
CENA 05.
Noite -
CASA DE MAURÍCIO/ INT./ QUARTO
Deitado na cama, Maurício relembra o que Charles o mandou fazer:
FLASHBACK
MANSÃO CAMARGO - TARDE| INT/
QUARTO DE CHARLES
CHARLES —Escuta aqui, tá vendo esse frasquinho?
MAURÍCIO —Sim, felizmente eu enxergo bem. Por quê?
CHARLES —Eu falei pro Alexandre que eu “achei” que tinha visto um frasco idêntico ao frasco da droga que apareceu na roupa dele, nas coisas do Julian…
MAURÍCIO —Olha, você é bem pior do que eu pensei. Mas caramba, tu é inteligente heim. O que eu tenho que fazer?
CHARLES —Joga isso aí dentro da mochila dele amanhã quando ele estiver distraído na sala e se possível deixe quase bem próximo do fleche para que caia assim que ele mexer nela.
MAURÍCIO —Entendi. O plano é que o Alexandre que sempre senta perto dele veja o frasco caindo da bolsa dele e confirme o que você falou… e de quebra ele ainda sairia como drogadinho ou comercializador frente a todos…
CHARLES —Exatamente! O que tá acontecendo com você para estar tão inteligente hoje? —Debocha.
Charles entrega o frasco a Maurício.
VOLTANDO
Maurício abre a porta de seu guarda roupas.
MAURÍCIO —Ué, cadê meus relógios?
Maurício revira o quarto de cabeça para baixo procurando sua coisas.
MAURÍCIO —Está faltando relógios, pulseiras e até anéis. —Diz ficando completamente fora de si. —Mãaaaaaaae! —Grita.
Patricia entra junto com Fábio.
FÁBIO —Você está procurando isso? —Fala mostrando a caixa com os objetos. —Recebemos hoje aqui um colega de trabalho meu. Você foi filmado por uma câmera de segurança roubando. Justamente o que faz parte do que eu trabalho combatendo.
MAURÍCIO —Vocês não quiseram me dar dinheiro, eu queria muito. Eu tive que pegar…
PATRÍCIA —Pelo amor… Cale-se! O que acabamos descobrindo é que você não anda furtando apenas objetos de valor. Até mais de duas dezenas de canetas e objetos sem valor você anda furtando.
FÁBIO —O que está acontecendo meu filho? Fale com a gente. Antes de usar o autoritarismo eu quero ouvir a sua versão.
MAURÍCIO —Eu não sei, as vezes eu pego coisas sem me dar conta. É algo impulsivo. Na primeira vez eu fiz isso porque eu queria muito um relógio que vocês não queriam me dar dinheiro quando pedi.
PATRÍCIA —A gente havia te dado dinheiro demais nesse mês e você já havia comprado uma coleção completa. Isso estava saindo do controle!
FÁBIO —Eu disse que te levaria pra delegacia e você pagaria pelos seus crimes, mas ao vir ver suas coisas e perceber que tem coisas aí que não tem valor nenhum, paguei as lojas e chamamos um psicólogo para conversar. E acredite, foi a pedido do próprio delegado ao se dar conta do seu desequilíbrio.
MAURÍCIO —O que vai acontecer comigo?
FÁBIO —Você vai pagar pelo que você fez, como qualquer outro criminoso que rouba. E assim que você sair, veremos o que faremos com você.
PATRÍCIA —Esse não era o combinado. Ele seria colocado num local especializado para pessoas com clepitomania e cuidaria dessa doença.
FÁBIO —E ele vai, assim que cumprir sua pena.
PATRÍCIA —Por favor Fábio!
FÁBIO —Já está decidido Patrícia!
Maurício revoltado e jogando tudo de seu quarto no chão, acaba derrubando o frasco que Charles lhe deu.
FÁBIO —Você anda se drogando também?
MAURÍCIO —Você quer saber? Sim, eu estou. O Charles me deu pra eu colocar nas coisas do drogadinho pra ele ser culpado pelo mal estar do Alexandre outro dia, mas eu tomei mesmo. E daí? —Fala extremamente fora de si sem se dar conta do que disse.
Maurício depois de ingerir diversos comprimidos de droga começa a se sentir mal.
PATRÍCIA —Maurício, você está bem?
Mauricio lentamente cai no chão ao desfalecer.
FÁBIO —Meu filho! Meu filho!
…Continua…

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