DESTINO - Capítulo 18: O plano em prática










Mateus engoliu a vontade de mandar Lívia ir à merda e tirou do rosto um falso sorriso.
Mateus: Claro que senti sua falta, mas por que você voltou com tanta antecedência.
Lívia: Não vou mentir, estou ansiosa com esta história dos meus pais biológicos e também não tinha mais o que ver em Buenos Aires, eu já fui pra lá mais de três vezes.
Mateus: Bom, da próxima vez podemos ver uma cidade inédita então.
Lívia: Da próxima vez o senhor vai comigo, né?
Mateus: Claro, querida. Claro.
Lívia: Eu passei em casa, mas você não estava. Pensei que você poderia estar na casa da sua mãe, mas ela me disse que você só falou com ela por telefone hoje. Então, deduzi que você como um bom administrador do nosso hospital acabou vindo pra cá fazer plantão, mas você não estava aqui.
Mateus: Sim, eu vim trabalhar, mas fui tomar um caldo de cana na esquina de baixo. Você deve ter chegado enquanto eu estava fora.
Lívia: Por isso eu admiro você. Sair no domingo com este calor para vir trabalhar no hospital, mesmo tendo deixado tudo em ordem durante a semana não é pra qualquer um.
Mateus: Obrigado, amor. Estou apenas deixando tudo bem para que quando você voltasse pudesse ver tudo perfeito.
Lívia: E como você está desgastado. Olhos vermelhos e voz seca.
Mateus: Ai, amor. Então... desde que você viajou eu estou mergulhado nos arquivos do hospital do dia em que você nasceu e não encontro nada sobre a sua mãe biológica. Talvez seus pais tenham dado fim da ficha dela quando você nasceu. Virei a noite vendo isso.
Lívia: Bom, eu não vou desistir, mas que bom saber que você avançou na procura. Amanhã eu vou continuar.

Telefone de Mateus toca. É Barbara que a esta altura já havia chegado ao hospital.
Lívia: Não vai atender?
Mateus: Claro. (diz nervoso). Alô?
Bárbara: Sou eu, já cheguei aqui. A defunta foi pra emergência, mas já a deram como morta.
Mateus: Olha, aqui não tem nenhum Eduardo. Deve ter sido engano.
Bárbara: O que você está falando? Entendi. Você deve estar com alguém aí e não pode me atender. Apenas saiba que eu estou aqui e não vou ficar por muito tempo, então, dê um jeito de aparecer ou então a amante cadáver vai ficar sem companhia!
Mateus: Certo. Sem problemas, não foi incomodo. Tchau.
Lívia: Era engano?
Mateus: Sim, operadora de internet. Bom, eu tenho que voltar ao trabalho, amor. Podemos nos falar melhor em casa?
Lívia: Claro. Até depois então. (Ela se despede com um beijo).

Mateus espera Lívia sair do hospital e vai ao encontro de Bárbara.
Bárbara: Em que roubada você se meteu agora?
Mateus: A Lívia voltou da Argentina antes da hora e resolveu fazer surpresa.
Bárbara: Você tem uma sorte com as mulheres. Bom, eu vou embora e você que se vire pra justificar a minha não presença aqui. Dei um nome falso na entrada com um documento falso. Depois te conto o que eu descobri hoje. Tchau.

Mateus fica a sós com o corpo de Fernanda. E se ajoelha e desaba a chorar em cima do corpo da amada.

Dando socos no chão ele começa a culpar Lívia pela morte de Fernanda.
MÚSICA DE AMBIENTAÇÃO: EYE OF THE NEEDLE (SIA)
Mateus: Por que?! Por que?! Bosta de vida! Merda de vida! Que morte estúpida! Por que não foi a Lívia que morreu e tinha que ser a Fernanda?

Mateus sai do hospital transtornado e vai até a casa de Vera.
Mateus: Mãe, abre a porta.
Vera: Mateus?
Mateus: Sim, abre a porta. (diz tocando a campainha de novo)
Vera: Espera que eu vou pegar a chave... filho, você está chorando?
Mateus: Me abraça, mãe! Por favor, eu preciso de um abraço.
Vera: O que aconteceu? Algo com a Lívia?
Mateus: Eu quero que aquela cadela se exploda!
Vera: Ela é sua esposa, mesmo você tendo casado com outros interesses, então, mais respeito! Mas, o que aconteceu?
Mateus: A Fernanda, mãe...
Vera: Mateus, eu já disse que entendo o lado dela de te deixar e você deveria...
Mateus: A Fernanda morreu, mãe!
Vera fica impactada.
Vera: Morreu? Como assim? (expressão de chocada)
Mateus: A gente estava discutindo, ela virou as costas pra mim e eu fui pegá-la pelo braço. Ela se desequilibrou e bateu a cabeça, começou a ter uma crise convulsiva e chegou morta ao hospital.
Vera: Eu não acredito! O que você fez com a vida dessa moça, Mateus?
Mateus: A culpa não é minha! A culpa é da Lívia?
Vera: Da Lívia? Como assim?
Mateus: Estávamos discutindo por causa da Lívia. Eu disse que não ia durar muito tempo esta história.
Vera: Mateus, cala a boca! (diz Vera, gritando e dando um tapa na cara de Mateus).
Mateus fica impressionado com a atitude da mãe.



Mateus: Por que isso, mãe? Eu to sofrendo e a senhora me bate? (diz Mateus gritando e chorando)
Vera: Você fala tanto no mal que o Eugênio nos fez, mas você está começando a usar as pessoas a sua volta igual ele fazia!
Mateus: Eu vou acabar com o que resta do patrimônio do Eugênio e acabar com aquela patricinha chamada Lívia. E vou começar isso amanhã mesmo! Ela não vai ver nada dessa fortuna em breve, ela nem tem direito a nada mesmo!
Vera: Vá em frente, meu filho. Mas, saiba que você está cavando sua própria cova. O seu destino é você quem está traçando. E agora saia da minha frente, eu não aguento olhar pra sua cara e ver um novo Eugênio. Parece até que você que é filho daquele desgraçado!
Mateus: Não fala isso!

Neste momento Tatiana e Tiago que estavam em seus respectivos quartos saem em direção à sala, assustados com a gritaria.
Tiago: Vocês estão brigando?
Tatiana: Você por aqui, Mateus? Geralmente você avisa. Se eu soubesse teria feito aquele pavê de sonho de valsa que você gosta.
Mateus: Eu já estou de saída. A mãe pelo jeito não está disposta a me ouvir.
Tiago: O que ele quer dizer com isso, mãe?
Vera: Nada, meu filho. E vocês não precisam se preocupar, voltem para o que vocês estavam fazendo.
Tatiana: Você tem alguma informação daquela vaga de emprego no hospital?
Vera: Você não sabe a hora de deixar de ser irritante, guria? Para de querer se enfiar naquele hospital!
Mateus: Eu vou passar seu contato por whatsapp para o Bruno, que está com a vaga aberta. Você vai lá e conversa com ele.
Tiago: Mãe, qual é o problema da Tatiana querer trabalhar lá? Não concordo com o Mateus enrolar a Lívia, mas a Tatiana está querendo trabalhar, você deveria ficar feliz.
Vera: Quer saber? Façam o que vocês quiserem. Eu não sei porque ainda insisto em proteger vocês.
Vera sai irritada em direção ao quarto, enquanto Mateus vai embora e Tiago e Tatiana ficam com cara de paisagem na sala, sem entender a indignação de Vera e a fala de Mateus.
Tatiana: Tiago, o que foi essa cena? Você entendeu algo? Se entendeu me traduz, porque eu fiquei boiando.
Tiago: As vezes eu acho que a mãe e o Mateus escondem alguma coisa da gente. E isso é desde criança.
Tatiana: Será?
Tiago: Quem sabe...

No dia seguinte, Mateus levantou mais cedo do que a Lívia e já estava esperando por ela na mesa de café da manhã.
Mateus: Tudo bem, Lívia.
Lívia: O que foi, amor? Por que essa cara de surpresa?
Mateus: Eu fiquei até tarde ontem no hospital. Eu encontrei essa ficha. É sobre uma mulher que deu entrada no mesmo dia em que você nasceu. Ela não declarou o nome do pai e não tem registro da saída do bebê dela do hospital.
Lívia: Você está querendo me dizer...
Mateus: Estou te dizendo que esta moça pode ser sua mãe biológica!


GANCHO AO SOM DE DON’T LOOK BACK IN ANGER (OASIS)

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