

Ellen:
Amor da juventude? Explica isso direito, pai.
Manoel:
Se for a Iná que eu estou pensando, nós namoramos por um pequeno tempo no
passado, quando ela trabalhava na minha casa.
Bárbara:
Viu só, seu pai tem vocação para gostar de beneficiário do bolsa família. E
você pelo jeito seguiu o mesmo caminho, mas uma versão piorada, né? Veio
invertida também!
Manoel:
Com licença, filha. Eu preciso ir pedir desculpas à Iná por tudo o que sua mãe
disse. Não sei nem com que cara eu vou olhar pra ela.
Bárbara:
Pedir desculpas pelo que eu disse? Ela entra na minha casa em pleno domingo, me
agride e eu que sou a errada? Ok. Esse mudo tá perdido mesmo.
Manoel:
Não se faça de vítima, Bárbara. Você sabe muito bem que mereceu o que teve. E
eu estou de saída.
Bárbara:
Como você vai encontrar a Iná se você não sabe onde ela mora?
Manoel balbucia e responde:
Manoel:
Eu vou pedir o endereço para a Priscila, que mandará mensagem para a Ellen e
faz o favor de sair da minha frente antes que eu jogue esta caipirinha na sua
cara.
Bárbara:
Aproveita e leva uma cesta básica, a esfomeada deve estar necessitando.
Manoel sai resmungando e ignorando
Bárbara.
Ellen:
Bom, já que a senhora me seguiu e acabou com o meu almoço com o pai, quer pelo
menos tentar almoçar comigo hoje para a gente ter uma conversa civilizada? Uma
conversa de mãe pra filha.
Bárbara:
Sobre o que? A adoração do seu pai pela classe C ou sobre sua safadeza com
aquela guria? Com licença que eu tenho mais o que fazer.
Ellen:
A senhora não dá trégua mesmo!
Bárbara vai embora e deixa Ellen falando
sozinha.
Na casa de Vera no Capão da Imbuia não se
falava de outro assunto.
Tatiana:
Então quer dizer que a dona Vera desceu a mão na piranha de grife? Essa é a
minha mãe!
Tiago:
Tatiana, menos! Violência não é bom em nenhuma circunstância.
Vera:
Concordo com você, Tiago, mas o que ela fez foi horrível. Desde que o pai de
vocês foi assassinado eu jurei não deixar ninguém humilhar a minha família.
Tatiana:
E qual e a relação disso com humilhação?
Vera:
Nada, filha. Esquece. Chega de falar do passado.
Terezinha:
Eu quero ver se esta Bárbara não vai vir atrás de você.
Tiago:
Acho que não. Quer dizer, não sei.
Vera:
Se vier vai levar outra, porque eu não vou levar desaforo pra casa.
Tatiana e Terezinha dão risada. Tiago faz
cara de preocupado.
Vera:
Comadre, já tá na época de fazermos quentão pra vender, né?
Terezinha:
Sim, mas o Mateus levou nossa melhor panela pra casa dele no ano passado e
ainda não devolveu.
Vera:
É verdade. Bom, depois do almoço eu ligo pra ele e peço a panela.
Bárbara sai do restaurante e pega um
celular e faz uma ligação.
Bárbara:
Alô, Mateus?
Mateus:
Sim, sou eu. Bárbara?
Bárbara:
Isso mesmo. Me encontre às 14h no hotel que eu vou te passar por mensagem o
endereço, preciso te contar umas novidades.
Mateus:
Faz o seguinte, me encontre você no endereço que eu vou te passar. Fica na Vila
Izabel.
Bárbara:
Mas é longe da onde estou!
Mateus:
Ou é isso ou é nada. Eu preciso ir neste endereço e não pode passar de hoje.
Bárbara:
Que seja. Estarei lá às 14h.
Mateus:
Combinados.
Após desligar o telefone, Mateus se dirige
ao apartamento de Fernanda, aproveitando os últimos dias em que Lívia estaria
fora de Curitiba. Fernanda aceita o receber Mateus, mas exige que ele aceite
conversar.
Fernanda:
Mateus, seja breve e menos escandaloso do que da última vez.
Mateus:
Vamos fazer um combinado. Eu me afasto de você, te dou um tempo pra pensar e
daqui algumas semanas você me responde o que pensou sobre nós?
Fernanda:
Eu não tenho nada que pensar, eu já decidi: eu quero pular fora!
Mateus:
Você é ingrata pra caramba, heim, guria?
Fernanda:
Ingrata eu? (diz Fernanda rindo de ironia)
Mateus:
É! Ingrata pra cacete! Olha tudo o que eu já fiz pela gente!
Fernanda:
Me tratar como amante há anos não é lá muita coisa. É até bom pra você.
Mateus:
Mas você também se beneficiou, não?
Neste instante o celular de Mateus toca.
Era Bárbara que já havia chegado à frente do apartamento de Fernanda.
Mateus desliga na cara de Bárbara.
Fernanda:
Você está querendo dizer que eu sou interesseira?
Mateus:
Não foi isso que eu quis dizer...
Fernanda:
Chega Mateus! Sai da minha casa. Vai embora daqui. Não sei como eu pude me
envolver com alguém tão baixo quanto você.
Mateus:
Fernanda, desculpa. Eu não tive a intenção.
Fernanda:
Maldita hora que eu fui buscar marmita no restaurante da sua mãe e te conheci.
Deveria ter passado fome naquele dia.
Mateus:
Fernanda, vem cá!!!
Mateus tenta puxar Fernanda que já tinha
dado as costas a ele e ido em direção à cozinha e faz a moça se desequilibrar.
Ela cai e bate a cabeça com impacto muito
forte no chão de piso frio já na área da cozinha e começa a ter crises
convulsivas.
Mateus se desespera.
Mateus:
Fernanda! Pelo amor de Deus, meu amor. Fala comigo! Fernandaaaaaaaaaa!
Bárbara liga mais uma vez para Mateus que
desta vez atende.
Bárbara:
Olha aqui, seu moleque, ninguém desliga o telefone na minha cara.
Mateus:
Bárbara, sobe aqui!
Bárbara:
O que? Não foi esse o combinado. Você deveria descer quando eu chegasse.
Mateus:
Sobe logo, por favor.
Bárbara sobe e chega no apartamento de
Fernanda (sem saber quem era a moça).
Bárbara:
O que está acontecendo aqui?
Mateus:
Me ajuda. Chamei uma ambulância, mas não posso ser visto aqui. A Lívia vai
achar estranho.
Bárbara:
Você matou esta moça?
Mateus:
Eu não fiz nada! E ela não morreu!
Bárbara:
Claro que morreu, olha como ela está pálida.
Mateus:
Ela está viva!!! (dizendo isso Mateus grita e prensa Bárbara contra a parede).
Bárbara:
Ok. Pode ser, mas eu não vou me envolver nisso. Isso é problema seu. Pelo jeito
ela era sua amante, né? Você tem cara de que não se aguenta e tem mais de uma.
Mateus:
Você vai me ajudar, sim! Ou então eu cancelo o nosso trato. Nós somos cumplices
em tudo agora e uma coisa está ligada a outra.
Bárbara:
E se eu não ajudar você vai deixar a bastardinha saber quem são os pais e
perder o controle total que você tem sobre ela? Até parece.
Mateus:
E você vai ter a presença irritante da mamãe cafona e suburbana, além da Lívia
pra atrapalhar o seu casamento que já está em ruínas. Você que sabe.
Bárbara:
Tá bom. Eu te ajudo. O que eu faço?
Mateus:
Vá com ela até o hospital onde eu trabalho. Eu chamei a ambulância. Não quero
polícia no meio.
Bárbara:
E o que eu vou falar?
Mateus:
Que ela tropeçou e bateu a cabeça. Esta é a verdade.
Bárbara:
Você está chorando? (pergunta Bárbara ironizando e rindo)
Mateus:
Você nunca amou ninguém de verdade, né? O que você sente pelo Manoel é
possessão. Por isso você não sabe o que eu estou sentindo agora. Eu tinha
planos com ela para depois que eu me livrasse da Lívia.
Bárbara:
Desculpa se fui muito fria. Não estou acostumada a esse tipo de reação.
Mateus:
Eu vou pro hospital. Me encontre lá.
Mateus sai do apartamento de Fernanda
enquanto Bárbara fica lá aguardando a ambulância que chegou em menos de 10
minutos. No caminho para o hospital Mateus começa a chorar copiosamente sem
parar no carro. Vera liga para Mateus.
Vera:
Alô, filho? Você poderia me emprestar aquela panela que eu uso pra fazer
quentão e você levou pra sua casa no ano passado?
Mateus:
Claro. Eu devolvo assim que eu puder.
Vera:
Mateus, você está chorando?
Mateus:
Eu estou resfriado, mãe. Mãe, preciso desligar, tenho muita coisa pra resolver.
Vera:
Tudo bem, me ligue se estiver precisando de algo.
Mateus:
Ok. Beijos.
Mateus desliga e volta a chorar mais
intensamente. Do outro lado da linha Vera não compra a fala do filho.
Vera:
Aquela voz era de choro e não de resfriado. O que o Mateus tá aprontando desta
vez?
Mateus não acreditava que o amor da sua
vida tinha morrido indiretamente por culpa do seu temperamento e ambição.
Chegando ao hospital muito abalado ele é
abordado por Ângela que está com uma cara feliz.
Ângela:
Doutor Mateus, tudo bem?
Mateus:
Fala logo. (com tom ríspido)
Ângela:
Tem uma surpresinha pro senhor na sua sala.
Mateus:
Surpresa? Como assim?
Ângela:
Se eu contar deixa de ser surpresa. Vai lá e veja com seus próprios olhos.
Mateus sobe até o andar onde fica sua sala
e abre a porta da sala e tem um susto.
Mateus: Você aqui?
Lívia:
Olá, meu amor. Não aguentei de saudades e voltei antes. Sentiu minha falta?
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