DESTINO - Capítulo 17: A ambição vence o amor










Ellen: Amor da juventude? Explica isso direito, pai.
Manoel: Se for a Iná que eu estou pensando, nós namoramos por um pequeno tempo no passado, quando ela trabalhava na minha casa.
Bárbara: Viu só, seu pai tem vocação para gostar de beneficiário do bolsa família. E você pelo jeito seguiu o mesmo caminho, mas uma versão piorada, né? Veio invertida também!
Manoel: Com licença, filha. Eu preciso ir pedir desculpas à Iná por tudo o que sua mãe disse. Não sei nem com que cara eu vou olhar pra ela.
Bárbara: Pedir desculpas pelo que eu disse? Ela entra na minha casa em pleno domingo, me agride e eu que sou a errada? Ok. Esse mudo tá perdido mesmo.
Manoel: Não se faça de vítima, Bárbara. Você sabe muito bem que mereceu o que teve. E eu estou de saída.
Bárbara: Como você vai encontrar a Iná se você não sabe onde ela mora?
Manoel balbucia e responde:
Manoel: Eu vou pedir o endereço para a Priscila, que mandará mensagem para a Ellen e faz o favor de sair da minha frente antes que eu jogue esta caipirinha na sua cara.
Bárbara: Aproveita e leva uma cesta básica, a esfomeada deve estar necessitando.
Manoel sai resmungando e ignorando Bárbara.
Ellen: Bom, já que a senhora me seguiu e acabou com o meu almoço com o pai, quer pelo menos tentar almoçar comigo hoje para a gente ter uma conversa civilizada? Uma conversa de mãe pra filha.
Bárbara: Sobre o que? A adoração do seu pai pela classe C ou sobre sua safadeza com aquela guria? Com licença que eu tenho mais o que fazer.
Ellen: A senhora não dá trégua mesmo!
Bárbara vai embora e deixa Ellen falando sozinha.

Na casa de Vera no Capão da Imbuia não se falava de outro assunto.
Tatiana: Então quer dizer que a dona Vera desceu a mão na piranha de grife? Essa é a minha mãe!
Tiago: Tatiana, menos! Violência não é bom em nenhuma circunstância.
Vera: Concordo com você, Tiago, mas o que ela fez foi horrível. Desde que o pai de vocês foi assassinado eu jurei não deixar ninguém humilhar a minha família.
Tatiana: E qual e a relação disso com humilhação?
Vera: Nada, filha. Esquece. Chega de falar do passado.
Terezinha: Eu quero ver se esta Bárbara não vai vir atrás de você.
Tiago: Acho que não. Quer dizer, não sei.
Vera: Se vier vai levar outra, porque eu não vou levar desaforo pra casa.
Tatiana e Terezinha dão risada. Tiago faz cara de preocupado.
Vera: Comadre, já tá na época de fazermos quentão pra vender, né?
Terezinha: Sim, mas o Mateus levou nossa melhor panela pra casa dele no ano passado e ainda não devolveu.
Vera: É verdade. Bom, depois do almoço eu ligo pra ele e peço a panela.

Bárbara sai do restaurante e pega um celular e faz uma ligação.
Bárbara: Alô, Mateus?
Mateus: Sim, sou eu. Bárbara?
Bárbara: Isso mesmo. Me encontre às 14h no hotel que eu vou te passar por mensagem o endereço, preciso te contar umas novidades.
Mateus: Faz o seguinte, me encontre você no endereço que eu vou te passar. Fica na Vila Izabel.
Bárbara: Mas é longe da onde estou!
Mateus: Ou é isso ou é nada. Eu preciso ir neste endereço e não pode passar de hoje.
Bárbara: Que seja. Estarei lá às 14h.
Mateus: Combinados.

Após desligar o telefone, Mateus se dirige ao apartamento de Fernanda, aproveitando os últimos dias em que Lívia estaria fora de Curitiba. Fernanda aceita o receber Mateus, mas exige que ele aceite conversar.
Fernanda: Mateus, seja breve e menos escandaloso do que da última vez.
Mateus: Vamos fazer um combinado. Eu me afasto de você, te dou um tempo pra pensar e daqui algumas semanas você me responde o que pensou sobre nós?
Fernanda: Eu não tenho nada que pensar, eu já decidi: eu quero pular fora!
Mateus: Você é ingrata pra caramba, heim, guria?
Fernanda: Ingrata eu? (diz Fernanda rindo de ironia)
Mateus: É! Ingrata pra cacete! Olha tudo o que eu já fiz pela gente!
Fernanda: Me tratar como amante há anos não é lá muita coisa. É até bom pra você.
Mateus: Mas você também se beneficiou, não?
Neste instante o celular de Mateus toca. Era Bárbara que já havia chegado à frente do apartamento de Fernanda.
Mateus desliga na cara de Bárbara.
Fernanda: Você está querendo dizer que eu sou interesseira?
Mateus: Não foi isso que eu quis dizer...
Fernanda: Chega Mateus! Sai da minha casa. Vai embora daqui. Não sei como eu pude me envolver com alguém tão baixo quanto você.
Mateus: Fernanda, desculpa. Eu não tive a intenção.
Fernanda: Maldita hora que eu fui buscar marmita no restaurante da sua mãe e te conheci. Deveria ter passado fome naquele dia.
Mateus: Fernanda, vem cá!!!
Mateus tenta puxar Fernanda que já tinha dado as costas a ele e ido em direção à cozinha e faz a moça se desequilibrar.
Ela cai e bate a cabeça com impacto muito forte no chão de piso frio já na área da cozinha e começa a ter crises convulsivas.



Mateus se desespera.
Mateus: Fernanda! Pelo amor de Deus, meu amor. Fala comigo! Fernandaaaaaaaaaa!
Bárbara liga mais uma vez para Mateus que desta vez atende.

Bárbara: Olha aqui, seu moleque, ninguém desliga o telefone na minha cara.
Mateus: Bárbara, sobe aqui!
Bárbara: O que? Não foi esse o combinado. Você deveria descer quando eu chegasse.
Mateus: Sobe logo, por favor.
Bárbara sobe e chega no apartamento de Fernanda (sem saber quem era a moça).
Bárbara: O que está acontecendo aqui?
Mateus: Me ajuda. Chamei uma ambulância, mas não posso ser visto aqui. A Lívia vai achar estranho.
Bárbara: Você matou esta moça?
Mateus: Eu não fiz nada! E ela não morreu!
Bárbara: Claro que morreu, olha como ela está pálida.
Mateus: Ela está viva!!! (dizendo isso Mateus grita e prensa Bárbara contra a parede).
Bárbara: Ok. Pode ser, mas eu não vou me envolver nisso. Isso é problema seu. Pelo jeito ela era sua amante, né? Você tem cara de que não se aguenta e tem mais de uma.
Mateus: Você vai me ajudar, sim! Ou então eu cancelo o nosso trato. Nós somos cumplices em tudo agora e uma coisa está ligada a outra.
Bárbara: E se eu não ajudar você vai deixar a bastardinha saber quem são os pais e perder o controle total que você tem sobre ela? Até parece.
Mateus: E você vai ter a presença irritante da mamãe cafona e suburbana, além da Lívia pra atrapalhar o seu casamento que já está em ruínas. Você que sabe.
Bárbara: Tá bom. Eu te ajudo. O que eu faço?
Mateus: Vá com ela até o hospital onde eu trabalho. Eu chamei a ambulância. Não quero polícia no meio.
Bárbara: E o que eu vou falar?
Mateus: Que ela tropeçou e bateu a cabeça. Esta é a verdade.
Bárbara: Você está chorando? (pergunta Bárbara ironizando e rindo)
Mateus: Você nunca amou ninguém de verdade, né? O que você sente pelo Manoel é possessão. Por isso você não sabe o que eu estou sentindo agora. Eu tinha planos com ela para depois que eu me livrasse da Lívia.
Bárbara: Desculpa se fui muito fria. Não estou acostumada a esse tipo de reação.
Mateus: Eu vou pro hospital. Me encontre lá.
Mateus sai do apartamento de Fernanda enquanto Bárbara fica lá aguardando a ambulância que chegou em menos de 10 minutos. No caminho para o hospital Mateus começa a chorar copiosamente sem parar no carro. Vera liga para Mateus.
Vera: Alô, filho? Você poderia me emprestar aquela panela que eu uso pra fazer quentão e você levou pra sua casa no ano passado?
Mateus: Claro. Eu devolvo assim que eu puder.
Vera: Mateus, você está chorando?
Mateus: Eu estou resfriado, mãe. Mãe, preciso desligar, tenho muita coisa pra resolver.
Vera: Tudo bem, me ligue se estiver precisando de algo.
Mateus: Ok. Beijos.
Mateus desliga e volta a chorar mais intensamente. Do outro lado da linha Vera não compra a fala do filho.
Vera: Aquela voz era de choro e não de resfriado. O que o Mateus tá aprontando desta vez?

Mateus não acreditava que o amor da sua vida tinha morrido indiretamente por culpa do seu temperamento e ambição.
Chegando ao hospital muito abalado ele é abordado por Ângela que está com uma cara feliz.
Ângela: Doutor Mateus, tudo bem?
Mateus: Fala logo. (com tom ríspido)
Ângela: Tem uma surpresinha pro senhor na sua sala.
Mateus: Surpresa? Como assim?
Ângela: Se eu contar deixa de ser surpresa. Vai lá e veja com seus próprios olhos.
Mateus sobe até o andar onde fica sua sala e abre a porta da sala e tem um susto.
Mateus: Você aqui?
Lívia: Olá, meu amor. Não aguentei de saudades e voltei antes. Sentiu minha falta?

Postar um comentário

0 Comentários