DESTINO - Capítulo 16: A ressaca (moral) de domingo








Bárbara: Eu conheço essa voz.
Iná: Bárbara? É você?
Bárbara se vira e vê quem está falando.
Bárbara: Iná? O que você está fazendo aqui?
Iná: Então você é a mulher que destratou a minha filha ontem no jantar?
Vera: Ela também ofendeu sua filha? Então quer dizer que ela trata todo mundo assim?
Bárbara: Todo mundo não. Só quem merece e não sabe o seu lugar.
Iná: Eu sei muito bem todos os lugares, inclusive o lugar da minha mão que é na sua cara (e dizendo isso ela desfere um tapa em Bárbara que torna a cair no chão).



Bárbara se recompõe do tapa que levou. Se levanta e insulta Vera e Iná novamente.
Bárbara: Então quer dizer que vai ser duas contra uma? Pobre é sempre assim, adora se juntar pra fazer uma farofada.
Ellen: Mãe, chega! Você não se cansa de ofender os outros?
Bárbara: Estas duas entraram na minha casa, me agrediram e eu que ofendo os outros? Realmente eu devo ter jogado pedra na cruz pra merecer uma filha ingrata como você.
Vera: Pois eu vou embora. Já disse tudo o que eu queria e repito: Não mexa mais com o meu filho ou então da próxima vez eu vou deixar teu rosto marcado de unha, sua piranha de classe média!
Iná: Eu também não aguento ficar mais aqui. Não fazem cinco minutos que estou olhando pra sua cara, Bárbara e já me embrulhou o estomago.
Bárbara: Tem certeza que foi a minha cara ou foi a comida estragada que você deve comer na invasão onde você mora?
Iná fica furiosa e se apronta pra partir pra cima de Bárbara, quando Vera impede.
Vera: Moça, chega. Esta mulher não tem respeito algum, ela só quer provocar até a gente perder o pouco de juízo que nos resta! Vamos embora!
Iná concorda com Vera e as duas saem da casa de Bárbara, mas antes Iná fala com Ellen.
Iná: Boa sorte com a sua mãe. Nenhuma filha merece uma mãe como ela.

Ellen espera Vera e Iná saírem e pergunta a mãe.
Ellen: Pelo Jeito você já conhecia a mãe da Priscila. Como você conheceu ela?
Bárbara: Ela foi empregadinha da minha sogra. Aliás, uma péssima empregada, foi demitida por ser incompetente. Pobre é assim, ganha um pouco de liberdade do patrão e já acha que manda na casa. Viu o que essa sua brincadeirinha de lésbica resultou? Duas neandertais me atacaram.
Ellen: Não tem nada de brincadeira e você pediu por isso, dona Bárbara.
Bárbara: Eu vou tomar um banho pra me recuperar desse ataque de macacas que eu presenciei aqui. Eu deveria processar essas duas por invasão à domicílio.
Ellen: Elas não invadiram, eu autorizei. E você teria mais prejuízo em um processo pelo tanto de preconceito que desferiu a elas.
Bárbara: Quer saber, Ellen? Se joga na frente de um biarticulado. Menina que gosta de ficar defendendo gentinha. Vai lá defender direitos humanos pra bandido também!
Dizendo isso Bárbara sobe para o quarto enquanto Ellen fica com uma expressão de indignação pelas palavras ouvidas da boca da mãe.

Já na rua, no ponto de ônibus Vera e Iná conversam.
Vera: Você é a mãe da Priscila? O Tiago me contou tudo o que aconteceu. Eu imagino como a senhora deve ter ficado.
Iná: Sim, sou mãe da Priscila. Eu odeio que ofendam meus filhos, ainda mais por um motivo idiota desses.
Vera: Eu também. Minha vontade era de ter vindo ontem mesmo, mas o Tiago não me deixou, mas hoje eu tinha que vir de qualquer maneira.
Iná: Entendo completamente a sua raiva. Apenas peço para que você tome cuidado com essa mulher. Ela não vale nada! Conheci ela quando cheguei aqui em Curitiba e posso lhe dizer que ela só piorou com o tempo. Ela é dessas que acha que ter um pouco de dinheiro a faz melhor que os outros.
Vera: Obrigada pela dica, eu vou tomar cuidado sim e vou conversar com meu filho. Olha, meu ônibus chegou. Obrigado pela conversa e quando quiser, dê uma passada lá em casa e vamos tomar um café. Meu filho fala muito bem da sua filha.
Iná: Obrigada e vou passar sim, depois eu vejo com o Tiago o seu contato. Até mais.

---- A transição para a próxima cena com imagens aéreas de Curitiba é ao som de "Fé cega, faca amolada" de Emmerson Nogueira --------------

Ellen tentava ligar para Manoel que não atendia o celular, mas na sexta tentativa ele atendeu.
Ellen: Poxa, pai. Até que enfim!
Manoel: Eu estava dormindo, Ellen, tudo bem que são quase 10 da manhã, mas é domingo.
Ellen: Pois é, mas a sala da sua casa foi palco de uma edição do UFC.
Manoel: O que? Assaltaram a casa?
Ellen: Antes fosse. A única coisa roubada aqui foi a dignidade da sua esposa.
Manoel: Não se rouba o que não existe, filha.
Ellen: Enfim, a mãe do Tiago e a mãe da Priscila vieram quase que na mesma hora tirar satisfação com a mãe. O resto você já imagina: um barraco daqueles.
Manoel: Vai me dizer que saíram no tapa e sua mãe apanhou?
Ellen: Sim, das duas, uma cena deprimente.
Manoel: E eu não estava aí pra ver? Poxa! Deveria ter acordado mais cedo e feito pipoca!
Ellen: Pai, para de piadinha. O negócio é sério! A minha mãe saiu no tapa com a mãe do meu melhor amigo e da minha namorada.
Manoel: Você está certa, filha. Me desculpa. Eu acho que devo ir na casa delas e me desculpar pelas atitudes da Bárbara.
Ellen: Não, pai. Chega. Eu vou resolver isso sozinha. Amanhã eu vou na casa da Priscila e converso com a mãe dela e depois eu converso com a mãe do Tiago. Tá na hora de eu ter atitude de alguém da minha idade.
Manoel: Tudo bem, filha. Qualquer coisa conte comigo. Aliás, venha almoçar comigo hoje. E te passo o endereço.
Ellen: Tudo bem. Manda pelo whats para eu ver certinho. Beijos, pai. Te amo.
Manoel: Beijo, filha. Se cuida e até depois.

Vera chega em casa e Tiago corre para falar com a mãe.
Tiago: Você foi mesmo falar com aquela mulher?
Vera: Tiago, quantos anos você tem mesmo?
Tiago: O que? Por que esta pergunta?
Vera: Apenas me responda.
Tiago: 23 anos, mãe.
Vera: Você me conhece há 23 anos e não sabe que quando eu prometo eu cumpro? Escute uma coisa, eu posso ter tido todas as dificuldades para criar vocês e justamente por isso não admito que uma qualquer destrate você, a Tatiana ou o Mateus. Agora vamos preparar o almoço antes que eu perca a fome lembrando da cara daquela mulher.

Enquanto Tiago e Vera conversavam na sala de casa, em outro canto da cidade Iná e Priscila também comentavam o ocorrido logo cedo.
Priscila: Eu não acredito que você já conhecia a mãe da Ellen.
Iná: Sim, ela é a esposa do Manoel, o pai da minha filha trocada na maternidade.
Priscila: E você já contou pro Manoel?
Iná: A esta hora a Ellen deve ter contado.
Priscila: Se ela já está com raiva de você pelo tapa que você deu nela hoje, imagina quando ela souber que você e o marido dela tiveram uma filha. Sem contar no choque em saber que eu e a Ellen temos uma irmã em comum.
Iná: Sim, pensei nisso. Ela vai fazer de tudo pra atrapalhar nossa busca por esta menina. Mas, agora eu não quero pensar nisso, eu quero deitar um pouco antes de o Vitor trazer o almoço da padaria.
Iná se retira dando um beijo da testa de Priscila, mas antes de entrar no quarto a filha fala.
Priscila: Mãe...
Iná: O que foi, Priscila?
Priscila: Me desculpa por as vezes eu ser meio injusta com você. Você já sofreu tanto na vida e mesmo eu te dando patadas as vezes você sempre faz tudo por mim.
Iná: Bom, só de eu ouvir isso agora já valeu de todo meu esforço. Te amo filha.
Priscila: Eu também te amo, mãe.
Iná entra no quarto com um sorriso tímido e lágrimas no olhar. Apesar do estresse pela manhã, a conversa com a filha a deixou com a alma leve por perceber que a filha reconheceu seus esforços para proteger ela e o Vitor todos estes anos.

Já na casa de Bárbara as coisas estavam longe de estarem normais, a ponto de Ellen se aprontar o mais rápido para ir ao encontro do pai.
Bárbara: Aonde você vai, Ellen?
Ellen: Vou almoçar com o pai?
Bárbara: Então espera que eu vou com você.
Ellen: O Uber já chegou e eu estou com pressa.
Bárbara: Por que não vai com o carro que te demos?
Ellen: Não estou com cabeça pra dirigir. Tchau, mãe. Até depois
Bárbara: Ellen!?
Ellen fecha a porta e deixa Bárbara falando sozinha, que irritada retira o carro o mais rápido da garagem e segue a filha para saber onde Manoel está hospedado.

Quando Ellen chega, inicia o relato do que aconteceu.
Ellen: Pois é, pai. A mãe do Tiago e a mãe da Priscila foram de manhã tirar satisfação com a mãe. Eu não sabia o que fazer. E parece que você conhece uma delas.
Manoel: Conheço? Quem, disse?
Ellen: A mãe. Disse que ela foi empregada da vó no passado.
Manoel: Qual o nome dela?
Ellen: Iná, mãe da Priscila.
Neste momento Manoel se engasga com a caipirinha que estava tomando e pergunta para sua filha.
Manoel: O nome dela é Iná?
Neste momento Bárbara aparece no restaurante e dirige a palavra a Manoel.
Bárbara: Isso mesmo, Manoel, a empregada da dona Odete está de volta. Está feliz em rever o seu amor da juventude?

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