

Bárbara: Eu conheço essa voz.
Iná: Bárbara? É você?
Bárbara
se vira e vê quem está falando.
Bárbara: Iná? O que você está fazendo
aqui?
Iná: Então você é a mulher que destratou a
minha filha ontem no jantar?
Vera: Ela também ofendeu sua filha? Então
quer dizer que ela trata todo mundo assim?
Bárbara: Todo mundo não. Só quem merece e
não sabe o seu lugar.
Iná: Eu sei muito bem todos os lugares,
inclusive o lugar da minha mão que é na sua cara (e dizendo isso ela desfere um
tapa em Bárbara que torna a cair no chão).
Bárbara
se recompõe do tapa que levou. Se levanta e insulta Vera e Iná novamente.
Bárbara: Então quer dizer que vai ser duas
contra uma? Pobre é sempre assim, adora se juntar pra fazer uma farofada.
Ellen: Mãe, chega! Você não se cansa de
ofender os outros?
Bárbara: Estas duas entraram na minha
casa, me agrediram e eu que ofendo os outros? Realmente eu devo ter jogado
pedra na cruz pra merecer uma filha ingrata como você.
Vera: Pois eu vou embora. Já disse tudo o
que eu queria e repito: Não mexa mais com o meu filho ou então da próxima vez
eu vou deixar teu rosto marcado de unha, sua piranha de classe média!
Iná: Eu também não aguento ficar mais
aqui. Não fazem cinco minutos que estou olhando pra sua cara, Bárbara e já me
embrulhou o estomago.
Bárbara: Tem certeza que foi a minha cara
ou foi a comida estragada que você deve comer na invasão onde você mora?
Iná
fica furiosa e se apronta pra partir pra cima de Bárbara, quando Vera impede.
Vera: Moça, chega. Esta mulher não tem
respeito algum, ela só quer provocar até a gente perder o pouco de juízo que
nos resta! Vamos embora!
Iná
concorda com Vera e as duas saem da casa de Bárbara, mas antes Iná fala com
Ellen.
Iná: Boa sorte com a sua mãe. Nenhuma
filha merece uma mãe como ela.
Ellen
espera Vera e Iná saírem e pergunta a mãe.
Ellen: Pelo Jeito você já conhecia a mãe da Priscila. Como você conheceu ela?
Ellen: Pelo Jeito você já conhecia a mãe da Priscila. Como você conheceu ela?
Bárbara: Ela foi empregadinha da minha
sogra. Aliás, uma péssima empregada, foi demitida por ser incompetente. Pobre é
assim, ganha um pouco de liberdade do patrão e já acha que manda na casa. Viu o
que essa sua brincadeirinha de lésbica resultou? Duas neandertais me atacaram.
Ellen: Não tem nada de brincadeira e você
pediu por isso, dona Bárbara.
Bárbara: Eu vou tomar um banho pra me
recuperar desse ataque de macacas que eu presenciei aqui. Eu deveria processar
essas duas por invasão à domicílio.
Ellen: Elas não invadiram, eu autorizei. E
você teria mais prejuízo em um processo pelo tanto de preconceito que desferiu
a elas.
Bárbara: Quer saber, Ellen? Se joga na
frente de um biarticulado. Menina que gosta de ficar defendendo gentinha. Vai
lá defender direitos humanos pra bandido também!
Dizendo
isso Bárbara sobe para o quarto enquanto Ellen fica com uma expressão de
indignação pelas palavras ouvidas da boca da mãe.
Já
na rua, no ponto de ônibus Vera e Iná conversam.
Vera: Você é a mãe da Priscila? O Tiago me
contou tudo o que aconteceu. Eu imagino como a senhora deve ter ficado.
Iná: Sim, sou mãe da Priscila. Eu odeio
que ofendam meus filhos, ainda mais por um motivo idiota desses.
Vera: Eu também. Minha vontade era de ter
vindo ontem mesmo, mas o Tiago não me deixou, mas hoje eu tinha que vir de
qualquer maneira.
Iná: Entendo completamente a sua raiva.
Apenas peço para que você tome cuidado com essa mulher. Ela não vale nada!
Conheci ela quando cheguei aqui em Curitiba e posso lhe dizer que ela só piorou
com o tempo. Ela é dessas que acha que ter um pouco de dinheiro a faz melhor
que os outros.
Vera: Obrigada pela dica, eu vou tomar
cuidado sim e vou conversar com meu filho. Olha, meu ônibus chegou. Obrigado
pela conversa e quando quiser, dê uma passada lá em casa e vamos tomar um café.
Meu filho fala muito bem da sua filha.
Iná: Obrigada e vou passar sim, depois eu
vejo com o Tiago o seu contato. Até mais.
---- A transição para a próxima cena com imagens aéreas de Curitiba é ao som de "Fé cega, faca amolada" de Emmerson Nogueira --------------
Ellen
tentava ligar para Manoel que não atendia o celular, mas na sexta tentativa ele
atendeu.
Ellen: Poxa, pai. Até que enfim!
Manoel: Eu estava dormindo, Ellen, tudo
bem que são quase 10 da manhã, mas é domingo.
Ellen: Pois é, mas a sala da sua casa foi
palco de uma edição do UFC.
Manoel: O que? Assaltaram a casa?
Ellen: Antes fosse. A única coisa roubada
aqui foi a dignidade da sua esposa.
Manoel: Não se rouba o que não existe,
filha.
Ellen: Enfim, a mãe do Tiago e a mãe da
Priscila vieram quase que na mesma hora tirar satisfação com a mãe. O resto
você já imagina: um barraco daqueles.
Manoel: Vai me dizer que saíram no tapa e
sua mãe apanhou?
Ellen: Sim, das duas, uma cena deprimente.
Manoel: E eu não estava aí pra ver? Poxa!
Deveria ter acordado mais cedo e feito pipoca!
Ellen: Pai, para de piadinha. O negócio é
sério! A minha mãe saiu no tapa com a mãe do meu melhor amigo e da minha
namorada.
Manoel: Você está certa, filha. Me
desculpa. Eu acho que devo ir na casa delas e me desculpar pelas atitudes da
Bárbara.
Ellen: Não, pai. Chega. Eu vou resolver
isso sozinha. Amanhã eu vou na casa da Priscila e converso com a mãe dela e
depois eu converso com a mãe do Tiago. Tá na hora de eu ter atitude de alguém
da minha idade.
Manoel: Tudo bem, filha. Qualquer coisa
conte comigo. Aliás, venha almoçar comigo hoje. E te passo o endereço.
Ellen: Tudo bem. Manda pelo whats para eu
ver certinho. Beijos, pai. Te amo.
Manoel: Beijo, filha. Se cuida e até
depois.
Vera
chega em casa e Tiago corre para falar com a mãe.
Tiago: Você foi mesmo falar com aquela
mulher?
Vera: Tiago, quantos anos você tem mesmo?
Tiago: O que? Por que esta pergunta?
Vera: Apenas me responda.
Tiago: 23 anos, mãe.
Vera: Você me conhece há 23 anos e não
sabe que quando eu prometo eu cumpro? Escute uma coisa, eu posso ter tido todas
as dificuldades para criar vocês e justamente por isso não admito que uma
qualquer destrate você, a Tatiana ou o Mateus. Agora vamos preparar o almoço
antes que eu perca a fome lembrando da cara daquela mulher.
Enquanto
Tiago e Vera conversavam na sala de casa, em outro canto da cidade Iná e
Priscila também comentavam o ocorrido logo cedo.
Priscila: Eu não acredito que você já
conhecia a mãe da Ellen.
Iná: Sim, ela é a esposa do Manoel, o pai
da minha filha trocada na maternidade.
Priscila: E você já contou pro Manoel?
Iná: A esta hora a Ellen deve ter contado.
Priscila: Se ela já está com raiva de você
pelo tapa que você deu nela hoje, imagina quando ela souber que você e o marido
dela tiveram uma filha. Sem contar no choque em saber que eu e a Ellen temos
uma irmã em comum.
Iná: Sim, pensei nisso. Ela vai fazer de
tudo pra atrapalhar nossa busca por esta menina. Mas, agora eu não quero pensar
nisso, eu quero deitar um pouco antes de o Vitor trazer o almoço da padaria.
Iná
se retira dando um beijo da testa de Priscila, mas antes de entrar no quarto a
filha fala.
Priscila: Mãe...
Iná: O que foi, Priscila?
Priscila: Me desculpa por as vezes eu ser
meio injusta com você. Você já sofreu tanto na vida e mesmo eu te dando patadas
as vezes você sempre faz tudo por mim.
Iná: Bom, só de eu ouvir isso agora já
valeu de todo meu esforço. Te amo filha.
Priscila: Eu também te amo, mãe.
Iná
entra no quarto com um sorriso tímido e lágrimas no olhar. Apesar do estresse
pela manhã, a conversa com a filha a deixou com a alma leve por perceber que a
filha reconheceu seus esforços para proteger ela e o Vitor todos estes anos.
Já
na casa de Bárbara as coisas estavam longe de estarem normais, a ponto de Ellen
se aprontar o mais rápido para ir ao encontro do pai.
Bárbara: Aonde você vai, Ellen?
Ellen: Vou almoçar com o pai?
Bárbara: Então espera que eu vou com você.
Ellen: O Uber já chegou e eu estou com
pressa.
Bárbara: Por que não vai com o carro que
te demos?
Ellen: Não estou com cabeça pra dirigir.
Tchau, mãe. Até depois
Bárbara: Ellen!?
Ellen
fecha a porta e deixa Bárbara falando sozinha, que irritada retira o carro o
mais rápido da garagem e segue a filha para saber onde Manoel está hospedado.
Quando
Ellen chega, inicia o relato do que aconteceu.
Ellen: Pois é, pai. A mãe do Tiago e a mãe
da Priscila foram de manhã tirar satisfação com a mãe. Eu não sabia o que
fazer. E parece que você conhece uma delas.
Manoel: Conheço? Quem, disse?
Ellen: A mãe. Disse que ela foi empregada
da vó no passado.
Manoel: Qual o nome dela?
Ellen: Iná, mãe da Priscila.
Neste
momento Manoel se engasga com a caipirinha que estava tomando e pergunta para
sua filha.
Manoel: O nome dela é Iná?
Neste
momento Bárbara aparece no restaurante e dirige a palavra a Manoel.
Bárbara: Isso mesmo, Manoel, a empregada da dona Odete está de volta. Está feliz em rever o seu amor da juventude?
Bárbara: Isso mesmo, Manoel, a empregada da dona Odete está de volta. Está feliz em rever o seu amor da juventude?
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