DESTINO - Capítulo 15: Não mexa com a minha cria!





Bárbara: O que? Que brincadeira é esta?
Ellen: Não tem brincadeira nenhuma! A única que brinca com assunto sério aqui é você, dona Bárbara!
Bárbara: Você e essa garota estão...
Ellen: Sim, nós somos namoradas há mais de um ano. (Ellen pega Priscila pela mão na frente dos pais)
Bárbara: Mas, que pouca vergonha! O que você pensa que está fazendo, Ellen?
Manoel: Ela está sendo quem ela sempre foi. Bárbara, você é tão péssima mãe que nunca percebeu que sua filha gosta de meninas?
Bárbara: Eu criei minha filha muito bem!
Ellen: Como assim, pai, você já sabia?
Manoel: Filha, eu sempre soube. Desde aquela vez em que você ficou um mês inteiro chorando por que a sua amiga Larissa foi embora de Curitiba com a família para o exterior eu já sabia que o que você sentia por meninas era diferente de amizade.
Bárbara: Sempre soube e nunca me contou? E você, sua sapatãozinha (apontando para Priscila)? Gostou, né? Terminou de desviar a minha filha.
Priscila: Olha aqui, dona Bárbara, eu não fiz nada! A sua filha é o que é com ou sem a minha pessoa na vida dela. E agora eu entendo mais ainda o porquê de ela nunca querer ter contado isso antes. Para ter um lixo de mãe que nem você até eu não iria querer.
Bárbara: Lixo, eu? Olha pra você, tua mãe não deve ter te dado o mínimo de educação, sua suburbana. Tem cara de quem deixa de almoçar pra jantar. Aliás, deve ter sonhado o mês inteiro com esse jantar, né? Comida de verdade pra você que deve comer vina no lugar de carne.
Tiago: Priscila, vamos embora daqui. Eu te levo pra casa.
Bárbara: Isso, vão mesmo! A lésbica e o pardo! Olha só, minha filha ama uma inclusão!
Manoel: Bárbara, sai da nossa frente.
Ellen: Você é horrível, mãe! Eu odeio ser sua filha.
Manoel: Eu levo vocês em casa. É o mínimo que eu posso fazer.
Priscila: Por favor, senhor Manoel, não. Eu vou sozinha com o Tiago.

Priscila se despede de Ellen e sai da casa da amada junto com Tiago. Na rua ela, chorando, lamenta com o amigo.
Priscila: Por que as coisas tem que ser tão difíceis? Por que a mãe da Ellen tem que ser este monstro?
Tiago: Ela já tinha alertado isso. Essa mulher é a materialização de tudo de ruim que possamos ter hoje em dia. Mas, veja pelo lado bom, o pai dela pelo jeito vai apoiar vocês. Já é um ótimo começo.
Priscila: É, pensando por este lado, pode ser mesmo.

Enquanto isso o barraco continua na casa da Ellen.
Bárbara: Você sabia disso e nunca comentou comigo, Manoel? Eu sabia que você era um péssimo marido, mas péssimo pai é novidade.
Manoel: Justamente por conhecer o poço de preconceito que você é foi que eu preferi deixar a Ellen decidir quando revelar isso pra gente. E pelo jeito eu fiz bem.
Ellen: Obrigada, pai. E quanto a você, mãe, esquece que tem uma filha por enquanto. O que você fez comigo, com a Pri e com o Ti hoje foi inadmissível!
Bárbara: Vai se tratar garota doente!
Manoel: Ellen, vamos sair pra jantar. Eu não consigo tocar nesta comida com as coisas que a sua mãe falou. Depois eu te trago pra casa, mas eu vou dormir num hotel esta noite!
Ellen: Claro, pai. Vamos embora daqui.

Bárbara fica sozinha em casa e grita de nervoso, sozinha em seu banheiro. Enquanto isso Priscila e Tiago chegam em suas respectivas casas.
Priscila: Boa noite, Mãe e Vitor.
Iná: Eita, menina. Que voz é essa? Você está chorando?
Priscila: Nada não, mãe. Eu vou pro meu quarto.
Iná: Vitor, vai lá ver o que aconteceu com a sua irmã.
Vitor sai da sala e bate na porta do quarto de Priscila que autoriza sua entrada.
Vitor: O que aconteceu, Priscila?
Priscila: O jantar foi horrível! A mãe da Ellen é pior do que eu pensava. Ela me destratou, destratou a Ellen, foi preconceituosa com o Tiago. Olha, não sei se quero ver esta mulher novamente na minha frente.
Vitor: Poxa, Pri. Eu fico mal por você.
Priscila: Pior é que eu não comi. Queria ter comido, a comida parecia estar tão boa.
Vitor: Pois é, mas a digestão seria péssima! Vamos lá na cozinha que a mãe está terminando de fazer a janta.

Enquanto isso, na casa de Tiago...
Vera: Você está me dizendo que além de tudo o que aconteceu com a Ellen e a Priscila essa tal de Bárbara ainda te ofendeu? Mas isso não vai ficar assim!
Tiago: Mãe, eu não quero ver você envolvida nesta história.
Vera: Tarde demais, já estou envolvida. Amanhã mesmo eu vou lá.
Tiago: Mas, amanhã é domingo! Você tem que descansar.
Vera: Justamente por ser domingo vai ser melhor, pois não vou precisar fechar o restaurante.
Tatiana: Tem certeza, mãe? Se indispor assim?
Vera: Tatiana, eu aguento muita coisa na minha vida, mas se mexerem com você, o Tiago ou o Mateus a conversa muda de tom. Eu vou lá, sim!



Na cozinha de Iná o assunto principal da noite continuava.
Iná: Pelo jeito o jantar na casa da Ellen não foi muito bom.
Priscila: Foi horrível, mãe! A mãe da Ellen insultou o Tiago por causa da cor do menino e por ele ser bolsista. Quando ficou sabendo que eu e a Ellen éramos namoradas foi pior ainda, aí que o jantar não vingou.
Iná: Ela te destratou?
Priscila: Muito, me chamou de sapatona, suburbana, me acusou de ter desviado a filha dela.
Iná: Ela fez isso? Quem ela pensa que é pra destratar filha minha? Eu vou dar na cara dessa vadia de grife.
Priscila: Mãe, por favor, não se mete na história. Só vai piorar.
Iná: Me passa o endereço que eu vou lá amanhã.
Priscila: Mãe, por favor...
Iná: Priscila, eu já decidi eu quero o endereço dessa vaca!
Priscila: Mas, mãe...
Iná: Se você não me passar eu vou até a universidade e falo diretamente com a Ellen e ela vai ter que me passar.
Priscila: Não, isso não, a Ellen também ficou traumatizada. Toma, aqui está o endereço (Priscila escreve no papel e entrega à Iná).

Antes de Vera sair de casa no dia seguinte, Terezinha abordou a comadre.
Terezinha: Você tem certeza de que vai na casa da mãe da amiga do Tiago?
Vera: E você tem dúvidas? Não é porque o pai dos meus filhos morreu e eu não tenho marido que eles não tem quem os proteja. Ninguém mexe com a minha cria!
Terezinha: Não sei, minha comadre. Essa mulher pelo jeito tem grana, deve ter contatos. Me lembrou o caso da morte do Marcos.
Vera: Estou decidida!
Terezinha: Ai, minha irmã, cuidado! Estas pessoas são perigosas!
Vera: Perigosa sou eu! E ninguém vai me segurar não!

Determinada, Iná e Vera acordaram cedo no domingo e vão em direção à casa de Bárbara. Vera chega primeiro e toca a campainha.
Vera: Bom dia, gostaria de falar com a Ellen. Aqui é a Vera, mãe do Tiago.
Ellen: Oi, Vera? Sou eu mesma. Vou liberar o portão pra você entrar.
Vera entra na casa e Ellen a recepciona.
Ellen: Oi, Vera. Desculpa estar assim, mas é que no domingo eu acordo mais tarde e como meu pai me deixou tarde aqui em casa eu ainda estava dormindo.
Vera: Cadê a sua mãe?
Ellen: A minha mãe?
Vera: Sim. Eu quero que ela faça comigo o que ela fez com o meu filho ontem! Eu vou mostrar pra ela como uma suburbana se comporta quando mexem com seus filhos.
Bárbara desce as escadas ouvindo a conversa.
Bárbara: Ellen, quem está aí? São 9 da manhã! Se for Testemunha de Jeová diz que todos nós já nos conformamos com o inferno.
Vera: A senhora deve ser a dona Bárbara.
Bárbara: Sim, sou eu e quem é vo...
Antes de terminar a frase Vera desfere um tapa na cara de Bárbara.
Vera: Eu sou a mãe do “moreninho” que você humilhou ontem!
Ellen começa a ficar desesperada, pois não tem Manoel em casa para apartar uma possível briga.

Enquanto Ellen corria desesperada pro celular telefonar para o pai outra vez o interfone tocava.
Ellen: Oi, quem seria?
Iná: É a mãe da Priscila.
Ellen: Dona Iná?
Iná: Sim. Eu vim conversar com a sua mãe.
Ellen: Bom... ela está ocupada.
Iná: Eu espero. Não tem problemas.
Ellen: Mas é que...
Iná: Você vai me deixar entrar ou não?
Ellen libera a entrada de Iná.

Enquanto isso Vera e Bárbara continuam.
Bárbara: Você me bateu dentro da minha casa? Eu vou te colocar na cadeia sua macaca selvagem!
Vera: Pode me colocar onde você quiser, mas antes eu vou colocar mais ainda minha mão na sua cara e te mostrar o que uma moreninha e suburbana é capaz de fazer pelos filhos.
E nisso Vera desfere outro tapa na cara de Bárbara que desta vez revida e também dá um tapa em Vera e ali mesmo no chão da sala as duas começam a brigar.
Ellen: Meu Deus do céu! Isso não pode estar acontecendo!
Neste momento Iná entrava pela porta e ouvia uma série de desculpas de Ellen, mas o que realmente chamava a atenção era a briga que acontecia na sala ao lado.
Ellen: Olha, dona Iná, eu nem sei por onde começar. Queria te pedir desculpas e...
Iná: O que está acontecendo na sala ao lado?
Ellen: Então. Assim como a senhora...
Iná: Espera, eu conheço esta voz!
Sem acreditar no que estava vendo, Iná fala em alto e bom som.
Iná: Bárbara?!

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