DESTINO - Capítulo 12: Não aceito cheque!









Bárbara vai entrando sem nem pedir licença.
Bárbara: Vânia, minha querida, não vou fazer reverência porque nem sei seu sobrenome. Deve ser Silva, Santos ou Oliveira, estes sobrenomes de pobre.

Vânia: Tudo bem, querida. Se eu sou tão pobre e pra você insignificante, acho que você já pode sair do meu apartamento.
Bárbara: Calma, amiga. Vim aqui em paz. Mas, já que você falou no seu apartamento, nunca entendi porque você se desfez daquela casa que você imobiliou com o dinheiro que a dona Odete praticamente te deu depois da história da Iná.
Vânia: Eu não me desfiz, eu me separei e o meu ex-marido desgraçado levou metade dela e o que sobrou eu comprei este apartamento.
Bárbara solta uma gargalhada estridente e Vânia comenta:
Vânia: Que graça isso tem? E para de gargalhar assim, os vizinhos podem escutar.
Bárbara: Claro, esse apartamento deve ter um isolamento acústico horrível. Se passar um gato miando no vizinho você deve escutar.
Vânia: Bom, a única que tá fazendo som de animal aqui é você que não para de mugir.
Bárbara: Ui, ela ficou brava, ela.
Vânia: Fala logo o que você quer e para de me humilhar.
Bárbara: Tudo bem, vou ser direta: Onde está a filha da Iná e do Manoel?
Vânia: Eu não sei. A dona Odete não te contou?
Bárbara: Você sabe sim. Uma vez você me disse que a menina tinha tido um destino muito mais confortável do que se ela tivesse ficado com os pais. Você sabe sim.
Vânia: Que engraçado, a dona Odete não te tratava como queridinha? Por que ela não te contou?
Bárbara: Ela queria me preservar, com certeza.
Vânia: Ela sabia que você é uma desmiolada, Bárbara. É isso que aconteceu!  Agora sai da minha casa.
Bárbara: Quanto você quer pra me contar?
Vânia: Quer mesmo um valor?
Bárbara: Fale logo!
Vânia: Sete mil reais.
Bárbara: O que?
Vânia: Além de piranha, você é surda?
Bárbara: Sete mil por esta informação?
Vânia: Bom, eu não entendo muito de bolsa de valores, mas acredito que minha informação está valorizada.
Bárbara: Tudo bem, eu vou te dar este dinheiro.
Bárbara pega um talão de cheques e começa a preencher e Vânia a questiona:
Vânia: O que você está fazendo, Bárbara?
Bárbara: Preenchendo o cheque com o valor que você pediu.
Vânia: Pode parar, eu não quero cheque, quero dinheiro vivo.
Bárbara: Mas, isso aqui é dinheiro também!
Vânia: A bonita quer que eu me desloque daqui até o banco que fica lá na avenida Republica Argentina pra retirar esse dinheiro? Negativo! Quando você tiver este dinheiro em espécie a gente continua essa conversa.
Bárbara: Que ódio de você, Vânia!
Vânia: Também te amo, querida. Agora saia que eu tenho que terminar de me arrumar por que tenho faxina daqui a pouco.
Bárbara: Vou sair daqui direto pra um spa, pra me desintoxicar desse ambiente bolsa família!
Vânia praticamente enxota Bárbara do apartamento. A dondoca fica irritada, mas precisa arranjar o dinheiro em espécie para saber o paradeiro da filha de Iná.

Enquanto isso Lívia se despedia de Mateus no aeroporto antes de viajar:
Lívia: Amor, você vai ficar bem, sozinho no hospital?
Mateus: Vou sim, Lívia. Descanse e cuide do nosso filho. O bom é que a barriga ainda não aparece, incomoda menos.
Lívia: Pois é, mas ele já tem três meses. Logo vai estar enorme.
Mateus: Olha, amor. Última chamada para o seu voo. Se divirta muito e me mande notícias.
Lívia: Quando voltar a gente retoma a investigação sobre os meus pais.
Mateus: Claro, amor. Com certeza. Agora vá, para não perder seu voo.
Lívia: Te amo.
Mateus: Eu também.
Lívia embarca para a Europa e Mateus sai do aeroporto falando consigo mesmo:
Mateus (rindo ironicamente): Se ela não estivesse grávida esse avião poderia cair e assim me poupava trabalho de ter que aturar essa chata sem sal!

No restaurante, Vera e Terezinha conversavam sobre Manoel.
Terezinha: E aí? Ele é casado, divorciado?
Vera: Casado no papel, mas não dorme na mesma cama a quatro anos.
Terezinha: Já vi muitos casais assim. Ou melhor, ex-casais.
Vera: Me desanimei com essa conversa.
Terezinha: Calma, comadre. Ele deve estar empenhado em resolver esta situação. E outra: ele é advogado.
Vera: Não sei não. Se tivesse tão empenhado não estaria arrastando isso por quatro anos.
Tiago aparece no restaurante.
Tiago: Oi, tia.
Terezinha: Oi, Tiago.
Tiago: Mãe, você separou aquelas três camisas?
Vera: Separei sim, estão em cima da máquina.
Tiago: Vou pedir a opinião da Tatiana sobre qual é a melhor pra eu usar no jantar de aniversário da Ellen. Se tem uma coisa da qual ela entende é bom gosto pra se vestir.
Vera: Isso é verdade.

Na semana seguinte Bárbara consegue fazer uma retirada de dinheiro de uma conta particular e vai ao apartamento de Vânia que atende a megera perguntando:
Vânia: E aí? Tem o dinheiro que eu combinei com você ou vai ficar me enrolando?
Bárbara: Está aqui, suburbana. Dá pra comprar muitas blusinhas no lojão do dez com esse dinheiro.
Vânia: Olha só. Até que você é mais eficiente. Pena que você não é assim na sua profissão, né? Já derrubou quantas casas com seus projetos de arquiteta?
Bárbara: Poderia derrubar a sua com você dentro, não é?
Vânia: Que amável!
Bárbara: Vamos ao que interessa. Onde está essa menina?
Vânia: Ela foi adotada pelos donos do hospital onde nasceu.



Bárbara: Como é que você sabe disso? Duvido que a dona Odete tenha te contado.
Vânia: Ela me contou sim.
Bárbara: Quando isso? Você não trabalha pra nossa família desde 1995.
Vânia: Em 2006, quando a “véia” tava pra bater as botas ela me ligou e me pediu um favor.
Bárbara: Qual?
Vânia: Que caso ela não conseguisse contar toda a verdade para o Manoel e a Iná antes de morrer eu deveria fazer isso.
Bárbara: Velha safada! Então quer dizer que além do bilhete que ela queria deixar pro Manoel ela também tinha te deixado de alerta! E por que você não contou?
Vânia: Eu não! Ela não ia me dar nada de dinheiro. Parece que o Manoel é que movimentava o dinheiro dela porque ela já estava debilitada demais e ela não poderia me dar nada por isso.
Bárbara: Sim, eu quem tive a ideia de fazer isso, mas nunca imaginei que isso ia me salvar. Sim, porque se a dona Odete te desse uma marmita com feijoada você já ia correndo contar pro meu marido e pro espanador ambulante, não é?
Vânia: Olha, só se fosse uma marmita de um restaurante caríssimo e fora do país. Mas é só isso que você queria saber?
Bárbara: Você lembra o nome desse hospital?
Vânia: Hospital alguma coisa Veríssimo.
Bárbara: Ângela Veríssimo?
Vânia: Isso mesmo. Conhece?
Bárbara: Sim, eu tirei uma pedra do rim lá. Se duvidar eu já devo ter visto essa menina. A família dona deste hospital é riquíssima, estão sempre nas colunas sociais, já saíram várias vezes na Gazeta do Povo.
Vânia: Bom, então você vai conseguir encontrar esta menina fácil.
Bárbara: E eu vou fazer isso agora. A esta altura Iná e Manoel já devem ter planejado irem lá.
Vânia: Eles sabem dessa história?
Bárbara: O Manoel descobriu. Não sei como, mas descobriu. Enfim, preciso evitar esse reencontro.
Vânia: Por que? Você já não está rica e tem direito a 50% do que é dele?
Bárbara: Sim, sua tonta, mas você acha que eu vou perder meu status para aquela Iná? E você acha que eu vou deixar o Manoel se derreter de amores pela bastarda enquanto ele deixa a minha filha de escanteio? Jamais!
Vânia: Que insegura você, mulher. A Iná não gostava do Manoel antes de dar a luz a esta criança.
Bárbara: Por precaução eu vou agir.  E preciso antes de tudo me aproximar desta garota. Eu lutei muito pra ter tudo o que eu tive.
Vânia: É verdade, se dependesse da sua família você estava sendo subordinada em algum escritório qualquer de arquitetura da cidade.

Bárbara rapidamente sai da casa de Vânia e vai até o hospital Ângela Veríssimo.
Bárbara: Cheguei! Nossa, eles reformaram este hospital, está mais luxuoso do que quando eu vim a última vez!

Aquela altura do dia Manoel e Iná já estavam no hospital e se apresentaram na recepção:
Manoel: Boa tarde, meu nome é Manoel e esta é a Iná. Nós precisamos falar com os diretores responsáveis pelo hospital.
Ângela: Tudo bem, mas qual seria o assunto?
Manoel: É um assunto muito delicado e de interesse da instituição. Diga a ele que sou advogado.
Ângela: Tudo bem.
Ângela, a secretária, informa a Mateus da presença de Manoel e Iná:
Ângela: Senhor Mateus, há um homem e uma mulher querendo falar com alguém da diretoria. O Bruno está em um atendimento, a Lívia viajou, só tem o senhor pra atendê-los.
Mateus: E o que eles querem?
Ângela: Não falaram nada, mas disseram que é algo do interesse do hospital. Inclusive o senhor que está aqui é advogado.
Mateus: Tudo bem, peça pra eles entrarem.
Ângela: Ok.
Ângela autoriza a entrada e orienta-os até a sala de Mateus. Quando Iná e Manoel veem Mateus os três ficam paralisados, pois se reconhecem do dia em que Mateus e Manoel discutiram. Tentando fingir que não se lembra dos dois, Mateus é direto:
Mateus: Olá, sou Mateus, diretor geral do hospital. No que posso ajudá-los?
Manoel: Bem... eu sou Manoel e esta é a Iná, uma amiga minha. Nós viemos conversar um negócio muito sério com o senhor.
Mateus por um instante achou que se tratava do episódio com Fernanda e interrompeu Manoel:
Mateus: Olha, meus senhores, se foi por conta daquele dia no restaurante eu já conversei com a moça e me desculpei, então...
Iná: Não tem nada a ver com a moça (interrompe Iná)
Manoel: Estamos aqui pra tratar do caso de uma troca de bebês.
Mateus fica com uma cara de desespero.

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