

Bárbara vai entrando sem nem pedir licença.
Bárbara:
Vânia, minha querida, não vou fazer reverência porque nem sei seu sobrenome.
Deve ser Silva, Santos ou Oliveira, estes sobrenomes de pobre.
Vânia:
Tudo bem, querida. Se eu sou tão pobre e pra você insignificante, acho que você
já pode sair do meu apartamento.
Bárbara:
Calma, amiga. Vim aqui em paz. Mas, já que você falou no seu apartamento, nunca
entendi porque você se desfez daquela casa que você imobiliou com o dinheiro
que a dona Odete praticamente te deu depois da história da Iná.
Vânia:
Eu não me desfiz, eu me separei e o meu ex-marido desgraçado levou metade dela
e o que sobrou eu comprei este apartamento.
Bárbara solta uma
gargalhada estridente e Vânia comenta:
Vânia:
Que graça isso tem? E para de gargalhar assim, os vizinhos podem escutar.
Bárbara:
Claro, esse apartamento deve ter um isolamento acústico horrível. Se passar um
gato miando no vizinho você deve escutar.
Vânia:
Bom, a única que tá fazendo som de animal aqui é você que não para de mugir.
Bárbara:
Ui, ela ficou brava, ela.
Vânia:
Fala logo o que você quer e para de me humilhar.
Bárbara:
Tudo bem, vou ser direta: Onde está a filha da Iná e do Manoel?
Vânia:
Eu não sei. A dona Odete não te contou?
Bárbara:
Você sabe sim. Uma vez você me disse que a menina tinha tido um destino muito
mais confortável do que se ela tivesse ficado com os pais. Você sabe sim.
Vânia:
Que engraçado, a dona Odete não te tratava como queridinha? Por que ela não te
contou?
Bárbara:
Ela queria me preservar, com certeza.
Vânia:
Ela sabia que você é uma desmiolada, Bárbara. É isso que aconteceu! Agora sai da minha casa.
Bárbara:
Quanto você quer pra me contar?
Vânia:
Quer mesmo um valor?
Bárbara:
Fale logo!
Vânia:
Sete mil reais.
Bárbara:
O que?
Vânia:
Além de piranha, você é surda?
Bárbara:
Sete mil por esta informação?
Vânia:
Bom, eu não entendo muito de bolsa de valores, mas acredito que minha
informação está valorizada.
Bárbara:
Tudo bem, eu vou te dar este dinheiro.
Bárbara pega um talão de
cheques e começa a preencher e Vânia a questiona:
Vânia:
O que você está fazendo, Bárbara?
Bárbara:
Preenchendo o cheque com o valor que você pediu.
Vânia:
Pode parar, eu não quero cheque, quero dinheiro vivo.
Bárbara:
Mas, isso aqui é dinheiro também!
Vânia:
A bonita quer que eu me desloque daqui até o banco que fica lá na avenida Republica
Argentina pra retirar esse dinheiro? Negativo! Quando você tiver este dinheiro
em espécie a gente continua essa conversa.
Bárbara:
Que ódio de você, Vânia!
Vânia:
Também te amo, querida. Agora saia que eu tenho que terminar de me arrumar por
que tenho faxina daqui a pouco.
Bárbara:
Vou sair daqui direto pra um spa, pra me desintoxicar desse ambiente bolsa
família!
Vânia praticamente enxota
Bárbara do apartamento. A dondoca fica irritada, mas precisa arranjar o
dinheiro em espécie para saber o paradeiro da filha de Iná.
Enquanto isso Lívia se
despedia de Mateus no aeroporto antes de viajar:
Lívia:
Amor, você vai ficar bem, sozinho no hospital?
Mateus:
Vou sim, Lívia. Descanse e cuide do nosso filho. O bom é que a barriga ainda
não aparece, incomoda menos.
Lívia:
Pois é, mas ele já tem três meses. Logo vai estar enorme.
Mateus:
Olha, amor. Última chamada para o seu voo. Se divirta muito e me mande
notícias.
Lívia:
Quando voltar a gente retoma a investigação sobre os meus pais.
Mateus:
Claro, amor. Com certeza. Agora vá, para não perder seu voo.
Lívia:
Te amo.
Mateus:
Eu também.
Lívia embarca para a Europa
e Mateus sai do aeroporto falando consigo mesmo:
Mateus
(rindo ironicamente): Se ela não estivesse grávida esse avião poderia cair e
assim me poupava trabalho de ter que aturar essa chata sem sal!
No restaurante, Vera e
Terezinha conversavam sobre Manoel.
Terezinha:
E aí? Ele é casado, divorciado?
Vera:
Casado no papel, mas não dorme na mesma cama a quatro anos.
Terezinha:
Já vi muitos casais assim. Ou melhor, ex-casais.
Vera:
Me desanimei com essa conversa.
Terezinha:
Calma, comadre. Ele deve estar empenhado em resolver esta situação. E outra:
ele é advogado.
Vera:
Não sei não. Se tivesse tão empenhado não estaria arrastando isso por quatro
anos.
Tiago aparece no
restaurante.
Tiago:
Oi, tia.
Terezinha:
Oi, Tiago.
Tiago:
Mãe, você separou aquelas três camisas?
Vera:
Separei sim, estão em cima da máquina.
Tiago:
Vou pedir a opinião da Tatiana sobre qual é a melhor pra eu usar no jantar de
aniversário da Ellen. Se tem uma coisa da qual ela entende é bom gosto pra se
vestir.
Vera:
Isso é verdade.
Na semana seguinte Bárbara
consegue fazer uma retirada de dinheiro de uma conta particular e vai ao
apartamento de Vânia que atende a megera perguntando:
Vânia:
E aí? Tem o dinheiro que eu combinei com você ou vai ficar me enrolando?
Bárbara:
Está aqui, suburbana. Dá pra comprar muitas blusinhas no lojão do dez com esse
dinheiro.
Vânia:
Olha só. Até que você é mais eficiente. Pena que você não é assim na sua
profissão, né? Já derrubou quantas casas com seus projetos de arquiteta?
Bárbara:
Poderia derrubar a sua com você dentro, não é?
Vânia:
Que amável!
Bárbara:
Vamos ao que interessa. Onde está essa menina?
Vânia:
Ela foi adotada pelos donos do hospital onde nasceu.
Bárbara:
Como é que você sabe disso? Duvido que a dona Odete tenha te contado.
Vânia:
Ela me contou sim.
Bárbara:
Quando isso? Você não trabalha pra nossa família desde 1995.
Vânia:
Em 2006, quando a “véia” tava pra bater as botas ela me ligou e me pediu um
favor.
Bárbara:
Qual?
Vânia:
Que caso ela não conseguisse contar toda a verdade para o Manoel e a Iná antes
de morrer eu deveria fazer isso.
Bárbara:
Velha safada! Então quer dizer que além do bilhete que ela queria deixar pro
Manoel ela também tinha te deixado de alerta! E por que você não contou?
Vânia:
Eu não! Ela não ia me dar nada de dinheiro. Parece que o Manoel é que
movimentava o dinheiro dela porque ela já estava debilitada demais e ela não
poderia me dar nada por isso.
Bárbara:
Sim, eu quem tive a ideia de fazer isso, mas nunca imaginei que isso ia me
salvar. Sim, porque se a dona Odete te desse uma marmita com feijoada você já
ia correndo contar pro meu marido e pro espanador ambulante, não é?
Vânia:
Olha, só se fosse uma marmita de um restaurante caríssimo e fora do país. Mas é
só isso que você queria saber?
Bárbara:
Você lembra o nome desse hospital?
Vânia:
Hospital alguma coisa Veríssimo.
Bárbara:
Ângela Veríssimo?
Vânia:
Isso mesmo. Conhece?
Bárbara:
Sim, eu tirei uma pedra do rim lá. Se duvidar eu já devo ter visto essa menina.
A família dona deste hospital é riquíssima, estão sempre nas colunas sociais,
já saíram várias vezes na Gazeta do Povo.
Vânia:
Bom, então você vai conseguir encontrar esta menina fácil.
Bárbara:
E eu vou fazer isso agora. A esta altura Iná e Manoel já devem ter planejado
irem lá.
Vânia:
Eles sabem dessa história?
Bárbara:
O Manoel descobriu. Não sei como, mas descobriu. Enfim, preciso evitar esse
reencontro.
Vânia:
Por que? Você já não está rica e tem direito a 50% do que é dele?
Bárbara:
Sim, sua tonta, mas você acha que eu vou perder meu status para aquela Iná? E
você acha que eu vou deixar o Manoel se derreter de amores pela bastarda
enquanto ele deixa a minha filha de escanteio? Jamais!
Vânia:
Que insegura você, mulher. A Iná não gostava do Manoel antes de dar a luz a
esta criança.
Bárbara:
Por precaução eu vou agir. E preciso
antes de tudo me aproximar desta garota. Eu lutei muito pra ter tudo o que eu
tive.
Vânia:
É verdade, se dependesse da sua família você estava sendo subordinada em algum
escritório qualquer de arquitetura da cidade.
Bárbara rapidamente sai da
casa de Vânia e vai até o hospital Ângela Veríssimo.
Bárbara:
Cheguei! Nossa, eles reformaram este hospital, está mais luxuoso do que quando
eu vim a última vez!
Aquela altura do dia Manoel
e Iná já estavam no hospital e se apresentaram na recepção:
Manoel:
Boa tarde, meu nome é Manoel e esta é a Iná. Nós precisamos falar com os
diretores responsáveis pelo hospital.
Ângela:
Tudo bem, mas qual seria o assunto?
Manoel:
É um assunto muito delicado e de interesse da instituição. Diga a ele que sou
advogado.
Ângela:
Tudo bem.
Ângela, a secretária,
informa a Mateus da presença de Manoel e Iná:
Ângela:
Senhor Mateus, há um homem e uma mulher querendo falar com alguém da diretoria.
O Bruno está em um atendimento, a Lívia viajou, só tem o senhor pra atendê-los.
Mateus:
E o que eles querem?
Ângela:
Não falaram nada, mas disseram que é algo do interesse do hospital. Inclusive o
senhor que está aqui é advogado.
Mateus:
Tudo bem, peça pra eles entrarem.
Ângela:
Ok.
Ângela autoriza a entrada e
orienta-os até a sala de Mateus. Quando Iná e Manoel veem Mateus os três ficam
paralisados, pois se reconhecem do dia em que Mateus e Manoel discutiram.
Tentando fingir que não se lembra dos dois, Mateus é direto:
Mateus:
Olá, sou Mateus, diretor geral do hospital. No que posso ajudá-los?
Manoel:
Bem... eu sou Manoel e esta é a Iná, uma amiga minha. Nós viemos conversar um
negócio muito sério com o senhor.
Mateus por um instante
achou que se tratava do episódio com Fernanda e interrompeu Manoel:
Mateus:
Olha, meus senhores, se foi por conta daquele dia no restaurante eu já
conversei com a moça e me desculpei, então...
Iná:
Não tem nada a ver com a moça (interrompe Iná)
Manoel:
Estamos aqui pra tratar do caso de uma troca de bebês.
Mateus fica com uma cara de desespero.
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