Castelo de Areia - Capítulo 43 (Última Semana).




CENA 01 / PRESIDIO FEMININO / INTERIOR / CELA / DIA
Os policiais vão até a cela para levar Branca ao tribunal.
ZÉLIA - Já vai?
BRANCA - Espero nunca mais ter que pisar nessa cela infecta.
ZÉLIA - Ah mais vai. Eu tenho certeza que vamos ter que conviver por muito tempo ainda.
CENA 02 / TRIBUNAL DE JUSTIÇA / INTERIOR / DIA.
Todos os conhecidos de Estela e Branca se fazem presente no local.
JUÍZA - Vamos abrir a sessão! O Advogado de acusação Aguinaldo pode contar brevemente a história de sua testemunha.
AGUINALDO - A Minha cliente Estela Bitencourt foi vítima de uma armação de sua irmã e de comparsas dela. Uma armação para tirar ela da empresa e também para separam ela de seu noivo Rodrigo, do qual Branca tinha interesse. Branca planejou matar sua irmã em uma explosão em um barco, de modo que não deixasse rastros. O plano foi executado, todos acreditaram que Estela havia morrido na explosão. A verdade só foi descoberta quando Augusto decidiu procuram sua filha. Desde que Estela chegou à São Paulo Branca tenta tira-lá de seu caminho. A mais recente tentativa foi o atentado que Estela sofreu no estacionamento de um shopping, aliás atentado esse que foi filmado pelas câmeras do local. E também há uma gravação onde Branca confessa os crimes que cometeu.
JUÍZA - Obrigada doutor! Agora a defesa pode contar a sua versão.
MOISÉS - Meritíssima, minha cliente Branca Bitencourt é a maior vítima nessa história! É vítima de uma irmã mal intencionada e cruel que faz acusações sem fundamento algum. O acidente do qual a dona Estela foi vítima de fato aconteceu, mais não foi provocado por minha cliente, foi apenas um acidente. Dona Estela motivada por desentendimentos e ciúmes por sua irmã ter se casado com o homem do qual era seu noivo se aproveitou dessa história para incriminar a irmã.
ESTELA - Isso é mentira!
JUÍZA - Silêncio no tribunal! Prosiga!
MOISÉS - Como a senhora pode ver, dona Estela é descontrolada. Como acreditar em uma mulher que ficou vinte anos desmemoriada? Quem garante que o que ela diz agora não é mera ilusão da mente dela?
AGUINALDO - Meritíssima, o advogado está distorcendo a história. Foi feita uma avaliação na minha cliente, e essa avaliação diz que ela está em pleno uso de suas faculdades mentais. Eu peço que desconsidere as afirmações inverídicas do meu colega.
JUÍZA - Senhores jurados, desconsideres todas as afirmações do senhor Moisés em relação a sanidade mental da senhora Estela. Vamos agora para a interrogação das testemunhas. Senhor Aguinaldo, comece!
AGUINALDO - Irei interrogar o senhor Ramiro, esposo da vítima.
JUÍZA - Sim.
AGUINALDO - Senhora Ramiro, é do conhecimento de todos que durante vinte anos a vítima ficou em seu cuidados. Como o senhor a encontrou?
RAMIRO - Sim, eu a encontrei em uma noite quando eu estava pescando. Eu vi na areia da praia um corpo, quando cheguei mais perto vi que era o corpo de uma mulher. Ela estava fraca, quase falecendo. Então eu decidi levar para a minha casa, e lá cuidar dela. Nós cuidamos dela até ela reacordar do coma, o que não demorou para acontecer. Mas quando ela acordou para a nossa surpresa ela não recordava de nada do seu passado, sequer sabia o seu nome e sua origem.
AGUINALDO - Eu dispenso a testemunha.
JUÍZA - O Advogado de defesa pode interroga-lá.
MOISÉS - Senhor Ramiro, porque o senhor não procurou imediatamente a polícia quando encontrou o corpo de Estela?
RAMIRO - Porque nós tínhamos medo. Se ela foi encontrada naquele estado era porque alguém estava atrás dela, querendo fazer algum mal. Nós preferimos a proteger.
MOISÉS - Sabe meritíssima. Essa história me cheira muito mal.
ESTELA - Isso é uma absurdo! Ele está duvidando de mim?
JUÍZA - Calma! Vamos ouvir outras testemunhas. O advogado de defesa pode chamar alguém.
MOISÉS - Irei chamar o senhor Laerte Bitencourt, irmão das duas.
LAERTE - Sim.
MOISÉS - Senhor Laerte, como já é do conhecimento de todos do júri, o senhor foi quem gravou aquele audio onde supostamente a minha cliente confessou os crimes que querem atribuir a ela. Mais minha pergunta é: Se o senhor gravou aquele áudio, porque veio testemunhar em defesa de Branca? Tem algo que nós não sabemos? Aquele áudio é de fato veridico?
LAERTE - Bom, no dia em que Estela colocou Branca contra a parede ela estava confusa e nervosa. Não dizia coisa com coisas, a pedido da Estela eu gravei a conversa, mais não posso afirmar que Branca estava completamente sã e sabia o que dizia.
MOISÉS - Senhores, creio que muita das acusações atribuídas a minha cliente logo se mostram frágeis e infundamentadas. Eu dispenso a testemunha.
JUÍZA - A acusação pode interrogá-lo.
AGUINALDO - Senhor Laerte, o senhor sempre me pareceu bem convicto de que Branca era culpada. A que se deve essa sua mudança de pensamento?
LAERTE - Eu enxerguei que havia algo de errado e que as coisas não batiam. A Branca estava muito fora de si para fazer aquelas acusações.
AGUINALDO - Obrigado!
JUÍZA - Segundo o laudo enviado pela delegacia, a senhora Branca estava em suas plenas faculdades mentais, e nem mesmo embriagada ela estava. E aqui também diz que a perícia feita nos áudios e nas imagens apontam Branca como culpada!
Todos vibram.
JUÍZA - Diante dos fatos, eu quero ouvir a senhora Branca Bitencourt.
Branca fica  frente a Juíza.
JUÍZA - Dona Branca, a senhora se considera culpada ou inocente dos crimes atribuídos a senhora? E porque?
BRANCA - Eu sou inocente meritíssima!
Todos vaiam!
JUÍZA - Silêncio!
BRANCA - Eu nunca pensei em fazer mal algum a minha irmã.
JUÍZA - E o áudio onde a senhora confessa seus crimes?
BRANCA - Como já foi dito aqui, eu estava fora de mim. Nem sequer me lembro do que disse!
JUÍZA - E em relação às imagens da câmera de segurança do shopping?
BRANCA - A câmera me mostra junto a minha irmã, só isso. Eu nem conheço aquele moço que atirou em nós.
JUÍZA - Dona Branca, eu vou lhe dar uma última chance. A senhora se considera inocente ou culpada?
BRANCA - Inocente!
JUÍZA - Está dispensada! Senhora Estela venha até aqui!
Estela fica frente à Juíza.
JUÍZA - A senhora foi ou não vítima de Branca?
ESTELA - Fui. Infelizmente tudo o que foi dito aqui é verdade! Eu queria que tudo fosse diferente, mais minha irmã sempre me odiou, eu nunca entendi isso…
JUÍZA - Tá bem, já ouvi o que precisava. Está dispensada! Após o recesso eu volto com a sentença!
Algum tempo de passa. Branca e Estela se encaram. Até que a Juíza volta.
JUÍZA - Voltamos. Antes das sentença eu queria anunciar que algumas testemunhas visivelmente mentiram perante a justiça. O senhor Laerte Bitencourt mais precisamente. Será aberto uma investigação para apurar tudo e brevemente ele também será julgado nessa mesma corte! Agora vamos a sentença!
Todos ficam atentos.
JUÍZA - Este tribunal por unanimidade condenou a senhora Branca Bitencort a trinta e dois anos de prisão, em regime fechado!
Close no rosto de Branca assustada.
CONTINUA...

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