CENA 01 / IGREJA / INTERIOR / DIA.
MIGUEL - Meu amor, é mesmo tu?
XICA - Sim, sou eu meu amor, eu voltei.
Mabel interrompe.
MABEL - Não estava morta?
XICA - Não, eu nunca estive morta, tu e Regina bem que tentaram me matar, mais não conseguiram.
MABEL - Esta me acusando?
XICA - Tu e Regina Cabral sabem muito bem do que fizeram.
Regina enfurecida diz.
REGINA - Saia daqui, este é o meu casamento!
MIGUEL - Não. Ela não sai não, ela fica, e agora eu quero saber direitinho o que aconteceu.
XICA - Pois bem, eu irei contar tudo.
REGINA - Meu amor, não se deixe se levar por ela, vamos nos casar.
MIGUEL - Eu não vou me casar Regina, eu não te amo, e agora que Xica voltou, é que eu não vou me casar mesmo. Diga Xica, diga tudo de uma vez!
XICA - Pois bem, agora vou lhe contar tudo! Regina e Mabel planejaram me matar, elas foram até uma feiticeira para conseguir um veneno, sua irmã colocou este veneno em minha taça, e eu cheguei a desmaiar, lembra?
MIGUEL - Sim.
XICA - O veneno era para me matar, mais graças a deus não foi o que aconteceu. Eu fui até enterrada viva, pois tu pensava que eu havia morrido.
MIGUEL - Sim meu amor, me perdoe. Más como fez para sair de lá?
XICA - Eu sei que é difícil de acreditar, más foi o que realmente aconteceu! Eu fui resgatada por um índio, (Ela aponta Ubirajara), ele teve uma visão de tudo o que me ocorreu, então ele foi me socorrer, ele me desenterrou, depois me levou para a sua aldeia, é lá onde eu fiquei me recuperando, até que conseguisse ter condições de voltar.
MIGUEL - (Olha para Ubirajara), Obrigado!
UBIRAJARA - Não precisar agradecer, Ubirajara teve que cumprir missão.
Regina interrompe.
REGINA - (Aplaude), ótimo, que história mais emocionante, é incrível sua capacidade de inventar mentiras.
XICA - Tu sabes que não é mentira!
MABEL - É claro que é, sua negra imunda, prendam esta mulher.
MIGUEL - Ninguém encosta em Xica. Como tu foi capaz de fazer isso com ela minha irmã?
MABEL - Eu não acredito, não acredito que tu vais acreditar nela, eu não fiz isso, se ela diz, então eu quero a prova!
REGINA - Isto, prove negrinha, prove que nós lhe envenenamos.
XICA - Eu não tenho como provar, mais eu vi, Ubirajara me mostrou uma visão, nela vocês me envenenaram.
REGINA - Há, pelo amor de deus, tenha dó, uma visão (risos).
MIGUEL - Se Xica diz eu acredito!
REGINA - O que? Vai acreditar nela?
MIGUEL - Vou!
REGINA - Tu vai se casar comigo! Eu não vou ser abandonada no altar!
MIGUEL - Depois de tudo o que tu fez eu não quero nem olhar na tua cara!
REGINA - Seu desgraçado!
MABEL - Tudo isto é culpa dessa negra.
XICA - A senhora lava esta boca imunda para falar comigo!
MABEL - A, era só o que faltava!
REGINA - Já chega! Agora eu faço questão de dizer. Era tudo verdade, eu e Mabel tentamos matar ela sim! Eu não suportei ser rejeitada, ser trocada por uma negra, e eu não me arrependo de dizer isto.
MABEL - Regina! Fique quieta!
REGINA - Ora Mabel, se imponha logo de uma vez, vai ficar se escondendo?
MIGUEL - Senhor intendente, se ainda lhe resta moral, que prenda a sua filha.
PITÁGORAS - Não irei prender minha filha coisa nenhuma! Quem deveria ser preso era o senhor, de que vale a palavra de uma negra?
MIGUEL - Pois então vá embora daqui!
PITÁGORAS - Iremos sim, fazemos questão de ir embora!
REGINA - Não papai, eu ainda não falei tudo o que tenho para falar!
PITÁGORAS - Já chega minha filha, vamos embora agora.
Regina cospe em Xica, e sai.
MIGUEL - Esta tudo bem meu amor?
XICA - Sim.
MIGUEL - E tu Mabel, pega a tuas coisas e vá embora de minha casa.
MABEL - De lá eu não saio!
MIGUEL - Vai sair sim!
XICA - Vamos meu amor!
Eles saem.
ANOITECE.
CENA 02 / CASA DE MIGUEL / INTERIOR / SALA / NOITE.
XICA - Ubirajara, Thainá. fiquem esta noite aqui.
THAINÁ - Temos que ir!
UBIRAJARA - Ubirajara agradece, mais tem que voltar.
XICA - Esta bem, muito obrigada por tudo.
Eles se abraçam.
MIGUEL - Meu amor, que dia que tivemos hein?
XICA - Pois é, agora tudo que eu quero é dormir em seu peito.
Mabel e Adamastor entram.
MIGUEL - Mais o que é isso? Eu não mandei que fosse embora?
MABEL - Eu não vou embora! Se quiser me tirar vai ter que me matar.
CENA 03 / CASA DO INTENDENTE PITÁGORAS / INTERIOR / NOITE.
LAURIANA - Não foi desta vez que tu desencalhou minha neta.
REGINA - Olha aqui vó vó, a senhora me poupe de sua ironia, eu não estou nada bem.
PITÁGORAS - Mais uma vez tu será motivo de chacota na cidade.
REGINA - Eu vou me vingar papai, eu juro!
PITÁGORAS - Há não, pelo amor de deus minha filha, esqueça isto, essa história só lhe causou mal.
LAURIANA - Deixa a menina se vingar, ela tem todos os motivos para isto.
CENA 04 / CASA DE MIGUEL / INTERIOR / SALA / NOITE.
MABEL - Esta casa era de nossos pais, eu tenho sim direito, tu ficaste com tudo por ser homem, mais eu exijo o meu direito!
Continua...


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