Paraíso Perdido | Capítulo 32 #ParaísoPerdidoNoWebMundi



uma webnovela de JAIR VARGAS
produção de LABIRINTO RADICAL
CENA 1: TEMEDO | EXTERIOR | NOITE
A imagem se descongela.
Aura retira a mala do porta-malas com a ajuda do motorista que a trouxe até ali. Ambos tem o maior cuidado com tudo. O motorista e ela se encaminham para perto do portão da mansão. Munido de um alicate resistente, o homem estoura o cadeado do portão. Eles continuam a caminhada, parando apenas na porta da casa. Aura deixa a mala no chão com bastante cuidado.
AURA: – Agora eles realmente saberão do que sou capaz. – Afirma enquanto se abaixa.
Aura abre a mala devagar, sorrindo, então se mostrando expert no assunto, ativa um pequeno dispositivo. Ela se levanta e segue para perto do motorista. Eles saem o mais depressa que podem. Aura entra no carro logo após o motorista e partem para longe da mansão. O veículo já está a uma certa distância quando a bomba armada por Aura, explode. A imagem escurece devagar enquanto mostra os escombros e algumas chamas.



CENA 2: TEMEDO | CASA DOS VILA | INTERIOR | MANHÃ
A Imagem reaparece, mostrando Bárbara olhando pela janela.
Bárbara abaixa seu olhar de forma lenta, focando em um objeto que tem em mãos, mas que está enrolado em um pano branco.
BÁRBARA: – Eu sou capaz de tudo para defender os que amo, então ela que não pense que vai conseguir o que quer de maneira tão fácil, pois se ela é ruim, então eu sou pior. – Diz de maneira solitária, começando a desembrulhar o que segura.
Bárbara retira o pano de cima do que se revela ser uma arma. Ela olha, parecendo completamente hipnotizada. A imagem se afasta mostrando Catarina que observa a filha sem ser notada. A imagem se desfaz rapidamente.

CENA 3: PARAÍSO AZUL | HOTEL PARAÍSO | HALL – RESTAURANTE | INTERIOR | MANHÃ
A imagem retorna, mostrando toda beleza do interior do hotel Paraíso.
Alguns hóspedes se encaminham para o restaurante do hotel para tomarem o café da manhã. Dentre esses hóspedes está Talles, Manuela e Luis. A família segue para o restaurante enquanto é observada por uma pessoa que não se revela. Eles se acomodam em uma mesa que dá uma visão privilegiada do mar azul.
LUIS: – A gente vai morar aqui agora, mãe? – O menino questiona, olhando para todos os lados.
MANUELA: – A mãe e seu pai aqui nasceram nessa cidade, filho… e quanto a morar aqui, quem sabe!? – Responde olhando para Talles, que por sua vez, sorri.
Luis abaixa a cabeça rapidamente e se lembra de tudo que sua mãe lhe contou aos poucos sobre Carlos, então levanta devagar a cabeça, encarando a mãe.
LUIS: – Eu gostei muito dessa cidade, é muito bonita… e também tem mar como tinha em Portugal. – Revela, sorrindo. – E também gostei daquela senhora simpática. – Diz se referindo à Soraia. – Eu só queria que meu outro pai tivesee aqui também. – Termina, pegando Talles e Manuela de surpresa.
Um sorri para o outro. Talles e Manuela tocam nos braços de Luis e o olham com compreensão.Um dos garçons se aproxima sorrindo e sendo gentil ao oferecer o cardápio. A imagem escurece devagar enquanto se afasta da mesa da família. Atrás de algumas plantas alguém os observa com bastante atenção.

CENA 4: PARAÍSO AZUL | BAIRRO COSTEIRO | CASA DE PEDRO | INTERIOR | MANHÃ
A imagem fica clara novamente mostrando a modesta casa do recepcionista do hotel Paraíso. Pedro vem pelo corredor, caminhando devagar.
Ele ainda não conseguiu parar de pensar em tudo que Carlos lhe contou na noite que passou, ficando verdadeiramente admirado dele ainda se manter firme e forte, não demonstrando de forma alguma o que se passa. Pedro segue até perto do sofá maior e só aí quando vê Carlos dormindo ali,,se lembra de que ele pedira aquilo. Pedro observa o outro dormir, não querendo atrapalhar, recolhe as taças de cima da mesa de centro e quando dá um passo atrás acaba por bater o pé no sofá, causando um barulho necessário para fazer com que Carlos desperte.
PEDRO: – Desculpa, desculpa…eu não fiz por mal. – Ele pede emquanto Carlos se remexe no sofá. Carlos então se senta e esboça um breve sorriso.
CARLOS: – Já estava mais do que na hora de eu a acordar. – Ele diz enquanto boceja. – Eu realmente dormi demais. – Afirma enquanto se senta ao lado de Carlos.
Carlos fica cabisbaixo enquanto pensa em tudo que conversou com Pedro e na forma como tudo se deu, como a conversa fluiu, parecendo que os dois já se conhecessem há um bom tempo.
CARLOS: – Eu agradeço muito por você ter me ouvido. – Agradece sendo sincero e levantando o olhar. – Você realmente foi um guerreiro por ter me ouvido. – Completa, brincalhão enquanto sorri.
PEDRO: – Guerreiro nada… é sempre um prazer poder ajudar, nem que a pessoa seja um tanto desconhecida. – Devolve em tom de brincadeira, mas sendo também sincero de coração.
Ambos ficam se olhando por alguns segundos até cairem na risada como se um causasse no outro, tamanho desejo de sorrir. A imagem escurece rapidamente enquanto os dois se levantam do sofá, sorrindo.

CENA 5: PARAÍSO AZUL | TEMEDO
Carlos fica a saber do que aconteceu com a mansão assim que retorna para o hotel, vindo da casa de Pedro. Ele não deixa de avisar o irmão sobre o ocorrido e juntos pensam no que pode ter acontecido em Temedo. Carlos acaba resolvendo seguir para Temedo em busca de explicação sobre o que ocorreu na mansão.
Talles e Manuela aproveitam um pouco mais a tarde. Manuela reencontra com Mirela, ficando realmente admirada com a mudança de sua amiga. As duas conversam bastante sobre o que ocorreu em suas vidas.
Em Temedo, Aura dá uma trégua nos telefomemas para Catarina. Bárbara fica sabendo que Carlos está de volta à cidade, então o procura, contando tudo que sabe sobre Aura. Carlos em um primeiro momento pensa que pode ser mentira, mas com o passar dos dias constata a verdade por meio das investigações policiais.
Em Paraíso Azul, Pedro não vê mais Carlos no hotel e estranha. Ele receia procurar por Rodrigo, pois imagina que estará sendo invasivo demais, então acaba tentando seguir com a vida como era antes de o conhecer.
Os dias passam e Carlos tem mais certeza de que Aura está viva, mas receando o que ela possa fazer, retorna para paraíso Azul, porém não imagina que ela está seguindo os passos dele. Ele conta à Rodrigo o que descobriu, deixando o irmão abismado.
DUAS SEMANAS DEPOIS

CENA 6: TEMEDO | CASA DE MATEUS | INTERIOR | MANHÃ
Mateus vem pelo corredor bocejando por ter acabado de acordar, estranhando não ter achado Larissa do seu lado na cama. Ele para ao ver a noiva parada próxima da janela.
MATEUS: – Está tudo bem, meu amor? – Indaga se aproximando devagar da noiva.
LARISSA: – Está sim (T) Eu só estou preocupada com a operação do meu pai, de como tudo isso irá acontecer, Mateus. – Ela responde cabisbaixa.
Mateus ao ver Larissa assim, se aproxima e abraça fortemente.
MATEUS: – Tenha a certeza de que vai correr tudo bem, Larissa. Tudo vai dar certo, confia! – Ele afirma, tentando acalmar a noiva da melhor forma possível.
Larissa encosta a cabeça no ombro de Mateus e tenta expulsar os pensamentos ruins de sua mente.

CENA 7: PARAÍSO AZUL | EXTERIOR | MANHÃ
Com a vinda do Hotel Paraíso para a pequena cidade costeira, muitas coisas mudaram. As ruas não são mais todas de terra, e sim asfaltadas. A imagem aérea passeia por algumas dessas ruas até entrar em uma estrada que leva para algumas fazendas que ainda resistiram. Um veículo preto segue pela estrada em uma velocidade média. Dentro desse veículo está Manuela e a família. O foco passa a ser a belíssima mata que ainda resiste bravamente nos dois lados da estrada e não demora a imagem aérea, destaca, seguindo na frente do veículo que para próximo de uma porteira de fazenda.

CENA 8: PARAÍSO AZUL | HOTEL PARAÍSO | INTERIOR | MANHÃ
Carlos se encontra pensativo enquanto está debruçado na sacada da varanda. Ele olha para o mar e as ondas que vem e vão de forma constante.
CARLOS: – Essa minha ida e volta de Temedo me fez pensar bastante em minha vida, e realmente parece que parei de vivê-la, Rodrigo. – diz se ajeitando devagar e voltando o seu olhar para Rodrigo que por sua vez está sentado em uma das cadeiras em volta de uma mesa. – Eu também estou me sentindo diferente, entende? Bom, eu não sei explicar, estou com saudades de alguma coisa que vai me deixar bem, que vai fazer com que eu me esqueça de todos os meus problemas que já existem e os que podem vir a existir. – Completa saindo de onde está e seguindo para a cadeira ao lado do irmão.
RODRIGO: – Não vai me dizer que você está com saudade da Bárbara? – indaga, curioso.
CARLOS: – Se fosse dela eu teria ficado por lá, mas não é, nem eu mesmo sei explicar viu? Eu realmente preciso voltar à vida e ser o que sou.
RODRIGO: – Nisso você tem toda razão. Não pode deixar de viver. – Diz, compreensivo. – Eu demorei para entender que é preciso ter alguém ao meu lado e jamais imaginei que seria tão feliz. E sabe quem me deu inspiração para isso? Você mesmo, Carlos. – Confessa, sorrindo. – Vai ser feliz, mas aquela felicidade completa e que não deixam terceiros tristes. Você merece! – Aconselha, batendo levemente no ombro de Carlos.
Carlos se ajeita, sorrindo e sentindo que o irmão realmente mudou, pois há alguns meses não se imaginava ter tal conversa que está tendo com ele. Os dois olham para dentro do quarto ao ouvirem a porta bater, e não demora para que Pedro apareça, parecendo cansado
PEDRO (olhando para Rodrigo): – Ainda bem que eu o achei, senhor. Há um grande problema na recepção e o hóspede pede que o senhor esteja presente. – Diz se acalmando aos poucos. Rodrigo olha para Carlos, e só então Pedro percebe Carlos ali.
RODRIGO: – Hora de trabalhar. – Afirma se levantando e seguindo para a área interna.
Ele faz menção de seguir o patrão, mas Rodrigo pede para que ele fique e faça um pouco de companhia para o irmão.
CARLOS: – Saiba que você não é obrigado a ficar se não quiser, Pedro. – Ele diz, pensando que talvez o rapaz não queira ficar.
Pedro então se ajeita e se senta ao lado de Carlos.
PEDRO: – Não é obrigação nenhuma. – Afirma, sorrindo enquanto encara Carlos. – Então, onde você esteve? – Pergunta, receando. Logo ele desvia o olhar.
CARLOS: – Então alguém sentiu falta de mim aqui. – Diz, brincalhão enquanto esboça um encantador sorriso.
Os dois sorriem de forma espontânea, passando a colocar os assuntos em dia.

CENA 9: PARAÍSO AZUL | FAZENDA ARCO VERDE | INTERIOR | TARDE
Manuela caminha pela sala, olhando tudo com muita atenção. Ela para diante da janela e fica observando o vento que sopra lá fora. De repente Talles se aproxima na companhia de Luis. Eles se sentam no sofá, chamando a atenção de Manuela.
TALLES: – Quando é que seu pai vem, Manuela? – Pergunta, voltando o olhar para a esposa.
Luis observa calado.
MANUELA: – No final de semana, Talles. Ele só vai resolver algumas coisas na empresa e seguirá para cá. – Responde saindo de perto da janela e se juntando ao filho e também ao marido, no sofá.
TALLES: – Vai ser ótimo ter a família reunida. – Afirma, tocando na mão de Manuela.
Os dois se beijam rapidamente.
MANUELA: – Vai sim. – Ela concorda, mas deixa transparecer uma certa preocupação. – Mas estou preocupada… meu pai pareceu um tanto diferente ao celular, talvez tenha sido impressão minha. – Completa, olhando para Luis.
Manuela esboça um leve sorriso enquanto olha para o filho, tentando não demonstrar as suas desconfianças. Talles aperta um pouco a mão da esposa como modo de dizer que está tudo bem. Para tentar animar a mulher, Talles se levanta e faz a proposta de um pequeno passeio. Luis se anima e Manuela acaba por aceitar, acreditando ser a melhor coisa a fazer no momento para espantar os pensamentos ruins. A família se encaminha para fora da casa.

CENA 10: TEMEDO | CASA DOS VILA | INTERIOR | NOITE
Bárbara saiu para acompanhar a filha Vitória em uma festa comemorativa da escola. Catarina se encontra sozinha em casa, assistindo televisão. Ela apenas olha a notícia de um Jornal local, mas está pensando mesmo é na segurança da filha.
CATARINA: – Que Deus a proteja. – Ela diz, pensando na filha e na neta.
De repente, Catarina se assusta ao ouvir uma forte batida na porta, logo a batida se repete e a porta então é arrombada. Depois que um homem passa, ela vê a figura de Aura, entrando sorrindo.
CATARINA: – O que você quer aqui? – Pergunta, assustada.
AURA (se aproximando): – Vai me dizer que você não sabe?! Aquela sua neta é uma das herdeiras da fortuna que é só minha por direito, então você deve imaginar o que vou fazer com ela. – Responde, esboçando um leve sorriso.
CATARINA: – Você não vai fazer mal para minha neta, não mesmo. – Ela grita, enfrentando Aura.
AURA: – Você não vai me impedir, Catarina, aliás, ninguém vai me impedir de destruir todos que estiverem em meu caminho. – Ela afirma, autoritária.
Aura recebe uma arma do homem que a acompanha. Ela sorri enquanto aponta a arma para Catarina. A mãe de Bárbara fica paralisada diante do que Aura está prestes a fazer.
CATARINA: – Não importa o que você faça, só vai conseguir se afundar mais e mais na sua loucura, na sua falta de amor, Aura. Para você não há Paraíso algum, não depois de tudo que você fez e continua fazendo. – Esbraveja, ficando cabisbaixa logo em seguida.
Aura olha para o homem que a acompanha, então sorri engatilhando a arma devagar. Um tiro é disparado sem a mínima piedade. O corpo já sem vida de Catarina cai. Aura e o outro homem saem da casa.

CENA 11: TEMEDO | CASA DOS VILA | EXTERIOR | NOITE
Assim que se aproxima da casa, Bárbara nota uma movimentação estranha, então ao ver Aura acaba por se esconder com a filha atrás de uma árvore. Ela teme pelo que Aura pode ter feito à sua mãe, e assim que o carro parte, ela segue para dentro da casa, ficando horrorizada com a cena que vê. Ainda sob o choque de ter visto a mãe morta, Bárbara liga para a polícia com bastante dificuldade, saindo da casa em seguida e abraçando Vitória, que nota a tristeza no olhar de sua mãe.
VITÓRIA: – O que houve, mamãe? – Ela pergunta ao ver Bárbara chorar.
BÁRBARA: – Nada filha, nada. – Responde tentando conter o choro e preservar a filha. O abraço fica mais apertado diante do medo que está sentindo.
O medo que resolve abrigar seu corpo não é maior do que a raiva e o ódio que sente por Aura ter feito o que fez. Não conseguindo mais conter o choro, ela deixa as lágrimas caírem enquanto está abraçando a filha.

CENA 12: TEMEDO | CASA DOS ASSUNÇÃO | ESCRITÓRIO | INTERIOR | NOITE
Diógenes caminha de um lado para o outro enquanto pensa no que descobriu. Ele para repentinamente e olha para um belo quadro que tem na parede adjacente à janela. Diógenes caminha na direção do quadro com uma expressão enigmática.
DIÓGENES: – Se eu tiver que chegar a fazer isso para proteger os que eu amo, então vou fazer. – Ele afirma enquanto retira o quadro da parede.
Assim que o pai de Manuela retira o quadro, um cofre é revelado, logo Diógenes digita a senha necessária para fazer com que tal cofre abra. O cofre se abre e Diógenes retira uma arma de dentro dele. Ele empunha tal arma, pensando no que Carlos lhe contou na última vez que teve em Temedo.

CENA 13: PARAÍSO AZUL | BAIRRO COSTEIRO | INTERIOR | NOITE
Pedro sai de trás do balcão com algumas travessas. Carlos termina de organizar a mesa, às vezes olhando rapidamente para o que Pedro termina de fazer. O recepcionista se aproxima da mesa, colocando duas travessas com comida que ele mesmo preparou. Carlos e Pedro se olham rapidamente. Pedro desvia o olhar, não conseguindo encarar Carlos.
CARLOS: – Eu realmente agradeço todos os dias por ter encontrado uma pessoa como você (T) Um amigo que realmente me faz sentir bem, me faz sentir vivo. – Diz com toda sinceridade, deixando o anfitrião meio desconcertado. – E obrigado por ter aceitado meu convite… bem, um pedido. Ficar entre quatro paredes naquele hotel me deixa quase maluco. – Completa, sorrindo.
PEDRO: – Se você me agradecer mais uma vez, eu coloco você para fora. – Afirma, brincalhão. – É muito bom estar com você, Carlos. Você também é um ótimo… amigo. – Titubeia um pouco.
Os dois se sentam à mesa e começam a comer a comida preparada por Pedro. Entre uma garfada e outra, a conversa flui normalmente e a garrafa de vinho começa a secar. Os minutos correm depressa enquanto o papo se mantêm aceso.
PEDRO: – Eu nunca fui de beber tanto… – Ele diz levando a mão à cabeça, parecendo meio alto com a bebida que tomou. – Eu realmente não estou bem, completa se levantando.
Carlos também não está diferente do amigo. Ele fica vendo tudo rodando e nem se arrisca a sair da mesa. Pedro segue para o quarto dele, deitando na cama na esperança de que a tontura que sente, passe. O tempo passa e avança pela madrugada.
Carlos, que cochilara ainda na mesa, desperta parecendo totalmente desorientado. Ele segue pelo corredor, apalpando as paredes e então acaba por entrar no quarto em que Pedro dorme, e assim que se aproxima da cama, se desequilibra ao passar o pé em algo e cai na cama, bem ao lado de Pedro. Movido pelo ‘instinto’, Carlos se ajeita na cama.

CENA 14: TEMEDO | EXTERIOR | MANHÃ
O dia amanhece com uma garoa fina. As pessoas se movimentam pelas calçadas, levando guarda-chuva e capas para se protegerem. O movimento de veículos aumenta à cada novo minuto. A avenida que liga à Rodovia está começando a ficar congestionada. Um veículo luxuoso segue em uma velocidade reduzida e dentro dele está Aura, que por sua vez tenta esconder a cicatriz com um pouco de maquiagem.
AURA (p/motorista): – Direto para o aeroporto, meu querido, quero acabar com tudo isso de uma vez por todas. – Ela diz enquanto volta o olhar para o espelho que tem em mãos. – Logo logo vou destruir com minhas próprias mãos quem achou que podia comigo. – Conclui, terminando de passar um batom vermelho.
A imagem se congela no sorriso de Aura enquanto ela relembra o que fez na noite anterior.
CONTINUA…


CENA 1: TEMEDO | REGIÃO SERRANA | EXTERIOR | MANHÃ
A imagem se descongela devagar.
A mulher entra no veículo e fecha a porta. O veículo segue de maneira lenta enquanto a imagem dá uma pequena volta mostrando uma casa simples de madeira.
Dentro do veículo, a imagem sobe lentamente revelando Aura que esboça um leve sorriso. Ela olha para o motorista e continua com seu sorriso enigmático.
AURA: – Só pare quando eu falar. – Diz se mostrando mais uma vez, autoritária. – Não vou permitir que fiquem com tudo que é meu por direito, não vou. – Completa, voltando o olhar para fora, observando a paisagem que passa depressa à medida que o carro se acelera.
Enquanto o veículo segue, Aura relembra tudo que lhe aconteceu, então leva a mão ao lado do rosto, sentindo algumas cicatrizes. A imagem escurece devagar, mostrando o veículo pelo lado de fora. A imagem escurece devagar parando enquanto o carro segue pela estrada de chão.

CENA 2: PARAÍSO AZUL | HOTEL PARAÍSO | QUARTO DE CARLOS | INTERIOR | MANHÃ
A imagem se refaz rapidamente enquanto mostra Carlos deitado na cama e abrindo os olhos lentamente.
Carlos desperta pensando que teve um pesadelo qualquer, mas então sente que a mão está enfaixada e olha devagar para o lado em que fica a janela, vendo Pedro ali ainda, olhando para ele, logo constata que não foi um pesadelo o que viu, o que fez, tudo que aconteceu antes dele adormecer. Carlos se ajeita com cuidado na cama e de forma rápida.
CARLOS: – Quanto tempo eu dormi? – Questiona, parecendo perdido.
PEDRO: – Acredito que o suficiente. – Responde esboçando um breve sorriso.
Carlos torna a se arrumar na cama, procurando uma boa posição.
CARLOS: – E você esteve aqui comigo desde aquele momento!? – Indaga visivelmente curioso.
PEDRO: – Sim, eu queria ter certeza de que você iria ficar bem mesmo, se iria descansar depois do que aconteceu. – Responde a indagação de Carlos sem desviar o olhar dele por um segundo sequer. – Fiz mal? – Agora é ele quem indaga, pensando que poderia estar incomodando em vez de estar ajudando.
CARLOS: – Não… bem, acho que não, se isso não for criar problemas pra você. – Responde demostrando certa confusão enquanto tenta manter um olhar firme enquanto encara Pedro. – Eu até agradeço por você não ter ido. – Completa visivelmente agradecido.
Pedro se levanta e segue para um pouco mais perto da cama de Carlos, que por sua vez fica esperando por algo que nem ele mesmo sabe o quem é. Carlos tem uma sensação esquisita, não ruim, mas diferente.
PEDRO: – Se precisar de mim, estarei onde sempre estou, então é só me chamar. – Diz com grande simpatia.
Carlos não diz nada ou esboça qualquer reação que seja, apenas fica olhando nos olhos de Pedro, que por sua vez segue até a porta. Assim que o funcionário do hotel abre a porta que ele mesmo fechou, Carlos o faz parar.
CARLOS: – Obrigado novamente… por tudo. – Agradece enquanto faz Pedro parar e sorrir de forma espontânea.
Pedro balança a cabeça de forma positiva e sai do quarto, deixando Carlos um tanto pensativo. No tempo em que Carlos esteve conversando com Pedro, não se pegou um minuto sequer pensando no que viu logo de manhãzinha. A imagem se desfaz rapidamente.

CENA 3: HOTEL PARAÍSO | QUARTO DE RODRIGO | INTERIOR | MANHÃ
A imagem se restabelece por completo enquanto Rodrigo recebe de um dos funcionários do hotel, uma bandeja com o café da manhã.
Rodrigo fecha a porta, levando a tal bandeja até a cama em que Mirela dormiu com ele após fazerem amor. Rodrigo fica observando Mirela dormindo e de repente ela acorda, parecendo assustada em busca de algo.
MIRELA (despertando): – Meu Deus… estou atrasada. – Ela diz se referindo ao horário de entrar no serviço do hotel.
Rodrigo sorri e toca na mão dela, chamando a atenção.
RODRIGO: – Hoje não tem expediente para nenhum de nós dois, Mirela. – Ele diz fazendo ela ficar paralisada.
MIRELA (Olhando em volta): – Eu realmente dormi aqui… com você. – Constata enquanto olha para Rodrigo.
Rodrigo balança a cabeça de forma positiva e então inclina o corpo para um beijo apaixonado.
RODRIGO: – E não será a única vez, prometo. – Ele afirma, tocando no rosto dela.
Mirela pisca os olhos e realmente tem certeza do que está vivendo. Ela sorri para Rodrigo, que encosta a testa na testa dela, algo rápido.
MIRELA: – Tudo isso parece um sonho. – Ela diz se mostrando muito feliz por estar com Rodrigo.
Após lutar tanto contra o sentimento que de verdade a invadiu, Mirela se vê realizada por não ter mais escondido o que realmente sente. Rodrigo acaricia o rosto de Mirela e não demora muito para que mais um beijo apaixonado aconteça. A imagem se afasta devagar e escurece rapidamente enquanto eles se beijam.

CENA 4: TEMEDO | CASA DOS VILA | INTERIOR | TARDE
A imagem se restabelece mostrando um pouco do interior da casa, logo se aproxima de Catarina que tem o celular nas mãos.
Catarina olha pela janela, parece estar meio trêmula, pensando na ligação que acabou de receber.
CATARINA: – Quando é que essa mulher vai nos deixar em paz, quando?! – Indaga nervosa.
A porta da casa então se abre e ela se assusta, deixando o celular cair. Bárbara entra com a filha e percebe a expressão de susto que Catarina ostenta. Bárbara então pede para que Vitória siga para o quarto. Ela ficasozinha com a mãe assim que a filha segue para o quarto dela. Bárbara se aproxima da mãe.
BÁRBARA: – O que foi, mãe? Parece que viu um fantasma. – Indaga já perto dela.
Catarina respira profundamente, tomando um fôlego que parece ter ido embora.
CATARINA: – Aquela mulher, ela… me ligou, filha. – Responde ainda um tanto paralisada com a ligação que recebeu. – A Aura está viva, filha… viva. – Completa olhando para o celular que ainda continua caído no chão.
Bárbara percebe que a coisa é séria e abraça a mãe na tentativa de acalmá-la. Ela sente no abraço que Catarina está muito tensa.
BÁRBARA: – Ela não vai fazer nada com a gente, mãe… isso eu prometo à senhora. – Afirma, apertando o abraço. – Eu posso não prestar para muita coisa, mãe, mas para proteger os que eu amo, sirvo e muito bem (T) Ela que experimenta se aproximar de você ou da minha filha. – Finaliza, beijando a testa da mãe.
Catarina mesmo no abraço da filha não consegue parar de pensar no que Aura disse ao telefone e teme pelos seus. A imagem se desfaz rapidamente.

CENA 5: PARAÍSO AZUL| PRAIA | EXTERIOR | TARDE
A imagem fica clara novamente, mostrando as ondas que invadem uma parte da faixa de areia.
Manuela caminha ao lado de Talles, os dois sorriem de maneira espontânea à cada vez que se olham.
TALLES: – Vir para Paraíso Azul novamente foi uma excelente ideia. A energia dessa cidade, mesmo que a estrutura dela tenha mudado tanto, ainda é enriquecedora. – Diz, parando e mexendo nos cabelos de Manuela.
Manuela sente todo carinho de Talles e então esboça mais um breve sorriso.
MANUELA: – Você tem toda razão, Talles. Eu consegui enxergar o que realmente importava, consegui ver qual era a minha verdadeira felicidade, qual é o meu verdadeiro sentido de viver… que é você e meu filho. – Ela diz, segura. – Eu os amo mais que tudo nessa vida. – Declara olhando nos olhos de Talles.
Eles se beijam com muito amor, sorrindo entre um beijo e outro. Juras de amor são trocadas sob o pôr-do-sol que se faz presente, deixando tudo ainda mais mágico, mais paradisíaco. De longe, os dois são observados por Soraia, que fecha os olhos lentamente, fazendo uma pequena oração. A imagem escurece devagar enquanto mostra o sol indo embora e a noite se iniciando.

CENA 6: TEMEDO | CASA DOS ASSUNÇÃO | SALA | INTERIOR | NOITE
A imagem se refaz rapidamente.
Diógenes olha pela janela, pensativo demais que nem mesmo percebe a aproximação de Silvia, que fica em silêncio só esperando ser notada e quando isso acontece, ela encara o marido.
SÍLVIA: – Posso ver que algo o preocupa muito. O que é? – Indaga, se mantendo ao lado dele.
Diógenes suspira forte, denunciando que algo realmente o deixa bem preocupado.
DIÓGENES: – Eu sei que pode parecer besteira minha, mas eu acredito que Aura não morreu como todos acreditam. Bom, eu posso estar criando ilusão na minha cabeça por não querer acreditar que a mulher que destruiu minga felicidade no passado, esteja morta, talvez medo de que isso não seja real. – Responde, olhando rapidamente para Sílvia. – Não encontraram o corpo dela e isso me deixa mais receoso ainda, pois se ela estiver viva, pode estar planejando qualquer coisa. – Completa olhando para a janela.
SÍLVIA: – Eu acho que você não deveria se preocupar com isso, meu amor. Se ela estiver viva, o que poderá fazer? Ela não tem mais nada, não irá atormentar mais ninguém como sempre fez. – Diz tentando aliviar o marido.
Diógenes balança a cabeça de forma negativa e olha para Sílvia.
SÍLVIA: – Você realmente não sabe do que ela é capaz, sem dinheiro ou com dinheiro, Sílvia. Se a Aura estiver viva, ela estará disposta a tudo e muito mais. Ela não vai parar enquanto não conseguir o que Carlos tirou dela, não vai parar enquanto não ir atrás da minha filha (T) Eu sou capaz de uma loucura se ela tentar mais alguma coisa contra minha família, uma loucura. – Diz fechando as mãos e mudando a expressão.
Sílvia coloca a mão no ombro do esposo, que a olha. Ela o abraça, pedindo em pensamento que o pressentimento do marido não seja real. A imagem escurece devagar.

CENA 7: PARAÍSO AZUL | HOTEL PARAÍSO | HALL | INTERIOR | NOITE
A imagem se refaz devagar.
Carlos sai do quarto e caminha pelo corredor, pensando no que ocorreu no dia. Rodrigo também sai de seu quarto e vê o irmão. Ele fica pensativo até que Carlos se aproxima.
RODRIGO: – Isso que é surpresa! – Ele diz assim que Carlos para.
CARLOS: – Eu espero que seja boa essa surpresa. – Diz abraçando o irmão.
RODRIGO: – É sim, pode ter certeza. – Ele afirma, sorridente. – Mas estou curioso para saber o que trouxe você aqui. – Completa, tentando adivinhar em pensamento.
CARLOS: – O motivo que me trouxe aqui é o mesmo de sempre… mas desde hoje de manhã esse motivo não existe mais. Acredito que é o mais sensato a fazer mesmo que seja difícil, entende? Eu não quero me tornar uma pessoa que não sou e que nunca chegarei a ser. – Diz, colocando a mão no ombro do irmão e sorrindo.
RODRIGO: – Você fala da Manuela não é mesmo?! – Indaga parecendo analisar o irmão mais novo. – Tudo isso vai se resolver com o tempo, Carlos e eu sei que você será forte, como sempre foi. – Afirma abraçando Carlos.
Carlos se recebe o abraço apertado do irmão, e sente que tal conversa espontânea foi mais do que necessária. O abraço se desfaz com cada um seguindo para um lado. Carlos entra no elevador, esboçando um leve sorriso para o irmão que se afasta, mas olha para trás rapidamente. Carlos sai do elevador e caminha pelo hall do hotel e para no momento em que vê Pedro na recepção. O fotógrafo dá alguns passos na direção da recepção e Pedro o vê.
CARLOS: – Você trabalha quantas horas por dia? – Indaga ao se aproximar.
Pedro esboça um leve sorriso e deixa o tablet de lado.
PEDRO: – Logo estou indo para casa. – Responde, olhando diretamente para Carlos. – E você, está melhor? – Questiona, observando a mão de Carlos.
Carlos levanta a mão e olha rapidamente e logo volta a olhar para Pedro que aguarda uma resposta.
CARLOS: – Estou sim, mas preciso conversar com alguém, e não sei, mas eu confio em você, bom, preciso de você. – Responde deixando Pedro meio espantado. – Posso estar sendo um chato, mas é que se eu realmente não dizer tudo que está aqui, sinto que vou explodir. – Completa, encarando o recepcionista.
Pedro volta a sorrir enquanto abaixa a cabeça, voltando a olhar para o tablet. Ele balança a cabeça de forma positiva. A imagem se desfaz rapidamente.

CENA 8: TEMEDO | EXTERIOR | NOITE
A imagem retorna devagar mostrando um veículo, o mesmo em que Aura se encontrava, parando bem em frente à mansão dos Terraforte.
Ela observa as luzes todas apagadas e fica pensando enquanto o vidro do carro se abaixa devagar.
AURA: – Isso será mais fácil do que pensei… com certeza muito mais fácil. – Afirma enquanto o vidro do carro desce totalmente. Ela olha para o motorista que a observa, curioso.
AURA: – Você comprou o que eu pedi, não?! – Indaga, encarando o motorista.
MOTORISTA: – Sim, senhora. Está tudo no porta-malas do carro, senhora. – Responde, voltando- se para trás e olhando para Aura.
AURA: – Agora sim darei início à minha vingança. – Afirma, levando à mão até o dispositivo que permite destravar a porta.
Aura sai do veículo e logo o motorista também faz o mesmo. Eles seguem para o porta-malas do carro. O motorista abre o compartimento e fica observando uma mala cinza. Aura sorri enquanto olha para tal mala.
A imagem se congela no sorriso de Aura enquanto admira a mala, mas não só isso, mas o que tem dentro também.

CONTINUA…

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